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PRESIDENTE DO PPL MARCOS CAMPANELLA MOSTRA A VERDADE POR TRÁS DA FUMAÇA


Por Informado e Detonado
O senhor o ano passado foi alvo da operação Trick, que apura supostas fraudes milionárias no Banco do Brasil… Não só o senhor como a deputada Telma Rufino, que pertenceu ao seu partido, o PPL. O que o senhor pode falar sobre isso e porque as autoridades policiais o incluíram nessa investigação?

NÃO SOU O CHEFE DE QUADRILHA NENHUMA”
Ao chegar para depor, causou-me profunda revolta terem me envolvido como suspeito dessas fraudes. Senti-me numa situação absolutamente inusitada, pois desconhecia completamente do que se tratava. Depois, ao ler o inquérito parcial, entendi o que estava acontecendo. Incluíram-me pelo fato de ter telefonado, algumas vezes, para um dos principais investigados, considerado um dos cabeças do esquema. Essa pessoa ingressou na minha campanha prometendo apoio político e financeiro, o que ficou só na promessa. Creio que duas ligações levaram a autoridade policial – equivocadamente – considerar que eu estava envolvido nas fraudes. O teor dessas ligações estava restrito à uma solicitação legal e legítima de apoio a uma candidatura a deputado federal que tinha em sua base mais de 40 candidatos a deputado distrital. Isso foi o suficiente para formarem uma convicção que, posteriormente, não se confirmou, mesmo depois de ter liberado, por livre e espontânea vontade, a quebra de meus sigilos fiscal, bancário e telemático. No dia da busca e apreensão em minha residência, foram com a certeza de que encontrariam muito dinheiro. Não tinha mais do que 20 reais em minha carteira e mais nada. Nem meu carro puderam levar, pois tinha vendido por necessidades pessoais. Tinha acabado de ser despejado do apartamento em que morava anteriormente e encontrava-me com muitos problemas financeiros. Como poderia, então, ter me beneficiado desse esquema?
E a deputada Tema Rufino, porque ela foi expulsa do partido e o senhor não?
A DEPUTADA ERA QUEM TINHA RELAÇÃO ESTREITAS COM ALGUNS DOS INVESTIGADOS, BEM COMO OS APRESENTOU AO PARTIDO E OS INTEGROU À CAMPANHA ELEITORAL”
 O fato, à época, teve uma forte repercussão política. Isso fez com que a direção nacional do partido, com o apoio da distrital, avocasse para si a análise da situação para uma tomada de posição. E, na leitura e análise minuciosa do inquérito, avaliou-se que haviam elementos suficientes para afirmar que, no mínimo, a deputada tinha relações estreitas com alguns dos investigados, bem como os apresentou ao partido e os integrou à campanha eleitoral e que também fazia campanha para outros 4 candidatos fora da coligação. Depois de um longo processo, Em que foi assegurado o amplo direito de defesa, o Diretório Nacional decidiu por unanimidade pelo desligamento da parlamentar dos quadros do partido e concluiu que não haviam os mesmos elementos em relação a mim.
E como está hoje esse inquérito?
A última informação era de que a sua conclusão ocorreria há cerca de três meses atrás. A operação aconteceu no dia 30 de abril de 2015 e até agora, pelo menos em relação a mim, não surgiu nenhum fato novo. E não surgiu porque simplesmente eu não tive qualquer participação nisso. São 40 anos de militância política e vida pública, caminhada que vem desde a luta contra a ditadura. Exerci o mandato de deputado federal e ocupei vários cargos públicos, mas tenho uma vida muito modesta. Como poderia ter me beneficiado de um esquema milionário como esse. O pior é que houve ilações, à época, de que eu seria o chefe dessa quadrilha. Que absurdo. Escrevi, no final do ano passado, uma carta ao juiz responsável pelo caso apresentando todas as minhas razões pessoais e manifestei o desejo, como inocente que sou, dentro das suas prerrogativas legais, de que o inquérito, hoje sob a responsabilidade da Polícia Civil, seja concluído o mais rapidamente possível. Certamente, os culpados não devem ter o mesmo interesse, mas eu tenho e creio que já há elementos suficientes para uma conclusão. Interessante notar é que, quando a operação foi deflagrada, a impressão que alguns passaram é de que o esquema criminoso obedecia à lógica da política e das campanhas eleitorais. Depois, ao conhecer o inquérito, verifiquei que esse esquema, sim, tentou se aproveitar da situação política para atender seus interesses ilícitos.
O senhor não é mais o presidente do partido, isso tem a ver com a operação Trick?
Nenhuma relação. Em dezembro do ano passado, fui consultado pela direção nacional sobre a possibilidade de abrigar no PPL do Distrito Federal um grupo de companheiros e companheiras liderados pelo ex-presidente nacional e local do PHS, Paulo Matos, a quem já conhecia há muitos anos e com quem convivi no governo anterior. Pessoa íntegra, dedicada e comprometida, com a qual temos muitas identidades, inclusive programáticas. A discussão avançou inclusive sobre a possibilidade de filiação de lideranças de outros estados, o que nos levou a abrir mão da presidência do partido para alguém que com larga experiência política e partidária e sem pretensões eleitorais. O importante é somar e multiplicar, não importa os cargos. O PPL foi fundado para ser um instrumento do povo brasileiro na luta pelo desenvolvimento econômico e social soberano de nosso país. Isso é o mais importante.
O PPL do Distrito Federal teve quase 100 mil votos na última eleição, sendo um dos partidos mais votados para deputado distrital. O que aconteceu que hoje o partido não tem representante na Câmara Legislativa com toda essa votação?
Tivemos o desligamento da parlamentar eleita pelo partido, como já expliquei. O outro parlamentar foi eleito na coligação, mas o PPL, sozinho, como você disse, teve quase 100 mil votos para deputado distrital, ficando entre os primeiros de Brasília. Creio que a construção dessa engenharia foi justa. Concorreram pelo PPL lideranças de praticamente todas as regiões do Distrito Federal, de várias categorias profissionais e segmentos sociais. Fiquei também entre os federais mais votados, mas faltou estrutura financeira para a campanha como um todo e, principalmente, para alicerçar a parceria com os distritais. Mas foi uma vitória em se tratando de um partido recém-formado. Doravante, tomaremos os cuidados necessários para que os resultados sejam também satisfatórios. Queremos formar uma chapa sólida e competitiva para distrital sem depender de coligações, que serão analisadas no seu devido tempo, e também uma chapa igualmente competitiva para deputado federal numa perspectiva de coligação, caso a regra eleitoral não mude. Com todas as dificuldades estruturais, tivemos um crescimento visível nessa eleição e temos aquilo que é o mais importante: um projeto claro para o Brasil e, também, para Brasília, portanto, não descartamos a possibilidade de lançar candidaturas até mesmo majoritárias para governador e senador
Qual o verdadeiro motivo para o PPL pleitear na justiça o mandato da deputada Telma Rufino (sem partido). Seria por ela ter feito campanha para outros candidatos que não fossem da coligação do PPL?
Como disse anteriormente, a direção nacional concluiu o desligamento da deputada e o Diretório local julgou correto pleitear o mandato, a partir da constatação de ato de infidelidade partidária caracterizado no processo partidário. Embora, à época, nos tenham chegado informações de que ela estaria apoiando candidatos a deputado federal de outras coligações, seu desligamento não teve nenhuma relação direta com esse tipo de prática.
Sabemos que a Deputada Telma Rufino está sem partido até a data de hoje e seu mandato está sendo julgado no TSE. O PPL tem esperança real de conseguir reverter a decisão do TRE/DF e conseguir o mandato de volta para o partido?
Sim, tem. Consideramos, com base na própria legislação, que o partido é o detentor do mandato, quando se trata de infidelidade, que é o nosso entendimento. O TRE não considerou dessa forma, a partir do pressuposto de que não há como caracterizar infidelidade quando o detentor do mandato é desligado por ato do partido. No TSE entendemos que podemos reverter à decisão, até em função de outros casos semelhantes que já foram julgados e por fatos novos que podem agravar a situação.
FALAMOS AGORA DA SUA GESTÃO À FRENTE DO DF TRANS E DO GOVERNO ATUAL”
O PPL apoiou o atual governador no segundo turno das eleições de 2014. O partido participa do governo atual? Qual a relação com o governo?
Sim, apoiamos no segundo turno, também em função da aliança nacional que fizemos com a candidatura de Eduardo Campos para presidente e, depois da tragédia que o abateu, com a de Marina. Historicamente, o PPL sempre teve uma excelente relação com o PSB nacional e também em alguns estados importantes como Pernambuco. Mas, enquanto partido, não participamos do atual governo, embora tenhamos discutido essa questão com o governador antes de sua posse, quando ele assumiu o compromisso de nossa participação no governo. Pelo que vimos, isso não aconteceu só conosco. Basta ver a tumultuada relação com a Câmara Legislativa, o segmento empresarial, os sindicatos, enfim, é uma crise atrás da outra. Portanto, não há relação. Temos nos posicionado, sempre, em função do que é melhor para a população do Distrito Federal.
O senhor ficou à frente do DFTRANS por mais de três anos durante o governo anterior. Que balanço o sr. faz hoje da situação no transporte no DF?
ARRUMAMOS O DFTRANS”
São momentos diferentes. Quando assumimos, em 2011, tínhamos a frota mais velha e arcaica do país, a bilhetagem estava sob controle das empresas que não tinham contrato para operar suas linhas. Não havia um só quilômetro de corredor exclusivo, os terminais estavam caindo aos pedaços e o BRT era apenas um sonho. Hoje, pelo que as pessoas falam comigo nas ruas, ainda existem muitos problemas e desafios. A questão é: como enfrentá-los? Informaram-me que o governo devolveu o sistema de bilhetagem para o controle das empresas. Acho um equívoco, muito cedo ainda para o poder público abrir mão do controle direto desse sistema que contém a base de dados de todo transporte rodoviário. Não que esse modelo deva ser, por princípio, descartado, mas o governo ainda não dispõe de um sistema tecnológico de controle para devolver essa missão para as operadoras privadas. Acabamos de sair de uma licitação da frota e de todo sistema que está sendo questionada na Justiça, além do que muitas questões que levantávamos à época estão surgindo agora com maior nitidez. Por exemplo, o sistema foi feito para ser integrado. Chegamos a iniciar a integração, mas a proposta original de integração do edital de licitação do sistema padecia de muitos problemas: algumas integrações eram absolutamente inviáveis, outras somente com uma infraestrutura de corredores, terminais, pontos de parada, etc. Isso ainda está em fase de construção. Fizemos apenas o primeiro BRT. O segundo, na saída norte, ainda não saiu do papel, assim como o VLT. E não há perspectiva, pelo menos de curto prazo, de ampliação do metrô. Além do mais, a frota licitada mostrou-se insuficiente para atender às crescentes demandas da população que utiliza o transporte público rodoviário. Aqui, nós temos uma peculiaridade: somos uma cidade-estado, com longas distâncias entre muitas cidades e o centro que concentra o grosso dos empregos. Com isso, o chamado IPK (Índice de Passageiros por Kilômetro) é o mais baixo entre os grandes centros urbanos brasileiros. Portanto, a prioridade tem e deve ser aumentar os investimentos em infraestrutura em todas as modalidades de transporte (rodoviária, metroviária, etc.) e, aos poucos, promover a integração de modo a não onerar o bolso dos trabalhadores e das famílias ou o custo das empresas com o vale-transporte.
Mas como fazer isso se o governo não tem dinheiro?
IMPLANTAÇÃO DE MOBILIDADES DIFERENCIADAS NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO”
Esse é o maior de todos os desafios: retomar a capacidade de investimento do Estado, em todas as áreas. Um sistema de mobilidade urbana é fundamental para melhorar as condições de vida das populações dos grandes centros. Quanto tempo hoje uma pessoa, não só aqui, mas também em outras grandes metrópoles, passa no trânsito todos os dias, semanas, meses, anos? Trata-se de um desperdício humano que afeta a saúde e o bom-humor das pessoas, comprometendo o desenvolvimento de nossas comunidades e do próprio país. Temos que associar isso à desconcentração do emprego, mas, onde isso não for possível, pelo menos por enquanto, é fundamental investir em transporte público eficiente, rápido e seguro. Só assim as pessoas que já estão se acostumando a um determinado grau de conforto, no seu carro, com ar-condicionado, som e até computador, deixarão o carro em casa e optarão pelo transporte coletivo. Veja você que a simples implantação dos corredores preferenciais de ônibus, em algumas vias, como a EPNB, as linhas ali operadas tiveram um incremento de até 12% de passageiros, ou seja, muitas pessoas já passaram a usar o transporte coletivo porque o ônibus chegava, como chega mais cedo no destino. Essa política tem que continuar, inclusive com a implantação de modalidades diferenciadas de transporte rodoviário, como o que implantamos no Sudoeste com uma pequena frota da TCB. Ônibus com serviços e tarifas diferenciadas para estimular o uso do coletivo. Esse serviço poderia ser estendido às regiões dos condomínios e em cidades como Águas Claras, Lago Sul e Norte, Guará, Cruzeiro e até Sobradinho. Isso sem falar na necessidade urgente de mudança na lei do Vale-Transporte para que esse benefício não seja mais concedido em pecúnia, pois o recurso, pela ausência de um transporte público de atualidade, acaba sendo utilizado para abastecer o carro particular, ou, ainda, a reimplantação do transporte funcional, principalmente de servidores públicos, como havia antigamente. Ou seja, um conjunto de medidas podem ser adotadas para descongestionar nosso trânsito e melhorar a qualidade de vida de nossa gente.
Mas tudo isso custa muito caro, não?
Em algumas situações, sim, em outras, não. Os corredores, por exemplo, que implantamos, não custaram quase nada ao governo, apenas sinalização horizontal, vertical e instalação de câmeras de fiscalização. Mas o debate sobre o financiamento do sistema de mobilidade urbana é fundamental. Fontes não faltam, mas o importante, a meu ver, é consolidar a lógica de que a sociedade como um todo tem que pagar. Não é justo – até porque um sistema eficiente, moderno e seguro é caro – que o financiamento saia exclusivamente da tarifa. Na medida que o governo melhora esse sistema, ele tem condições de cobrar de quem insiste, por exemplo, em continuar no transporte individual, na hora de abastecer, de estacionar ou de pagar o IPVA, e parte desse recurso tem que estar destinado para a melhoria do transporte público. Não há outra alternativa para nossas cidades. Ou fazemos isso, ou elas se inviabilizarão como cidades, como já estão se inviabilizando. Digo sempre que nossas cidades estão se desumanizando, pois a máquina cada vez ocupa os espaços públicos que deveriam estar destinados às praças, aos centros de convivência, cultura e esporte. E que máquina é essas: é o produto direto das corporações automobilísticas e, o que é mais grave, nenhuma brasileira. Despejam essas máquinas nas ruas todos os dias. Produto caro, com manutenção cara, ainda muito poluente, transportando uma única pessoa, o motorista, quando muito, um passageiro, e ocupando um espaço imenso proporcionalmente à sua utilidade social. Essa é uma lógica muito perversa que precisa ser combatida e invertida – e rapidamente.
O governo só fala em cortar gastos, então como resolver essa questão?
É como lhe disse anteriormente, o Estado brasileiro, em razão de políticas equivocadas – e para atender o apetite ilimitado dos conglomerados financeiros e econômicos, principalmente estrangeiros, perdeu sua capacidade de investir. Esse fenômeno é nacional, mas se reflete em todas as unidades da federação e municípios, inclusive em Brasília, mesmo com todas nossas vantagens comparativas, como, por exemplo, o Fundo Constitucional, que vem se desidratando há anos e já se encontra ameaçado. Os investimentos públicos, historicamente, no Brasil e em boa parte do mundo, são o motor do desenvolvimento nacional. É o investimento público que induz o privado, mas aqui os iluminados da escola de Chicago, com toda experiência positiva e vitoriosa que já tivemos com Getúlio, Juscelino, Jango, Lula e, até, breves períodos do regime militar, insistem em querer privatizar o Estado ou transferir responsabilidades em áreas onde a iniciativa privada não é capaz de oferecer minimamente um serviço de qualidade à população.
Como recuperar essa capacidade?
A medida mais importante com capacidade de recuperar num curto espaço de tempo o investimento público é a redução das taxas juros no país para os patamares internacionais. Desde Collor, passando por FHC, Lula, Dilma e, agora, Temer, ostentamos, invariavelmente, as maiores taxas do mundo, para motivar o apetite especulativo dos bancos e rentistas internacionais, muitos dos quais captam empréstimos a juros negativos em alguns países para ganhar rios de dinheiro às nossas custas. Hoje, o Estado não investe, mas as empresas também não, pois não as famílias reduziram muito o seu consumo, em razão do desemprego e da queda na renda. Portanto, é um circulo vicioso que tem que ser rompido para que a roda da economia volte a girar, elevado a capacidade de arrecadação e, consequentemente, de investimento por parte do Estado. Não há solução na camisa-de-força que representa essa política econômica míope de cortes, ajustes e arrocho. Fazem 40 anos que ouvimos essa conversa fiada que não dá solução para os problemas do país. Fala-se, por equívoco ou má fé, que os problemas atuais foram causados por que o governo Dilma gastou muito. Balela! Na administração dela, os cortes atingiram praticamente todos os setores da administração pública, inclusive os programas sociais criados por Lula. A Pátria Educadora virou uma lenda, a saúde adoeceu de vez, os PACs (programas de aceleração do crescimento) mal saíram do papel e grandes obras foram paralisadas, como a transposição do Rio São Francisco. Cortar juros para reduzir o lucro astronômico dos bancos privados e especuladores de todo tipo, isso, nem pensar…Foi essa política, agora, mantida e aprofundada por Temer, que derrubou Dilma, associada ao gigantesco assalto à maior expressão de nosso desenvolvimento soberano, que é a Petrobrás, com a cumplicidade de agentes públicos e políticos.
Como o governo de Brasília pode reagir a essa situação?
Ainda em dezembro de 2015, no documento que apresentei e foi aprovado no 4º Congresso do Partido Pátria Livre do Distrito Federal, afirmei com todas as letras algo que, para mim, continua sendo muito atual: Brasília sente na pele todos os dias essa realidade, que só não é mais dura pela pequena relevância do setor industrial, enquanto o governador alimenta a ilusão muito amarga e nada doce de receber o beneplácito de quem está literalmente destruindo o Brasil. Por esse caminho não vamos chegar a lugar nenhum. O braço vai cansar de segurar o pires que voltará, invariavelmente, vazio da Esplanada dos Ministérios. Vamos continuar recebendo muitos tapinhas nas costas, mas apoio prá valer para honrar os compromissos com os servidores públicos, para as obras físicas e sociais que tanto necessitamos, esse, infelizmente, não virá”. E denunciava também a postura demagógica, principalmente do PT local, de atribuir todos os problemas locais à atual administração. Disse à época e reafirmo hoje que a sra. Dilma – e, hoje, Temer, ao sustentar a mesma política que ele foi corresponsável como vice – foi a principal e grande responsável pelos problemas econômicos e sociais vividos pela população de Brasília”. Enquanto não mudar essa política, os estados e municípios continuaram insolventes e em situação caótica. Agora, o governo local pode reagir agravando ou atenuando essa situação. Não temos ilusão, com todas as nossas vantagens comparativas, de ser uma ilha da fantasia em meio a um oceano de mazelas econômicas e sociais, mas o governo local pode ter uma postura mais ativa no sentido de minimizar os efeitos da grave crise nacional sobre o Distrito Federal.  O PPL entende que o melhor caminho, por exemplo, não é a adoção de práticas de terceirização de serviços essenciais, como os de saúde, até porque a realidade local já demonstrou que isso não representa uma solução para os graves problemas vividos pelo setor. Em outro sentido, o governo pode adotar uma ousada política de compras e encomendas governamentais para estimular algumas cadeias produtivas locais e, com isso, gerar renda e emprego.
Como o sr. viu o resultado das eleições municipais?
Em recente artigo no jornal Hora do Povo, escrevi que o resultado das eleições municipais expôs a decadência da principal força política que governou o país nos últimos 13 anos, o PT, e, com menor intensidade, também do seu sócio maior, o PMDB. Os outros partidos, com raras exceções, ficaram no mesmo patamar.Veja, só, a soma dos votos nulos, brancos e abstenções ganhou da soma dos primeiros e segundos lugares em praticamente todas as capitais. Essa tendência já tinha sendo constatada em 2014 e agora, em 2016, não é mais uma tendência, virou um fato, o que significa que o repúdio aos grandes partidos dominantes e seus satélites, contumazes partidos de aluguel, que formaram um verdadeiro cartel político para assaltar os cofres públicos e promover a maior roubalheira de nossa história, vai continuar crescendo. Precisamos, urgentemente, construir uma alternativa. O PPL tem essa consciência e esse objetivo, até porque é um partido que tem consistência política e ideológica. Sabe onde quer chegar e isso é fundamental para construir uma saída para essa situação em que o país se encontra. O PSDB, por exemplo, foi turbinado momentaneamente pela vitória em São Paulo, não por uma decisão do eleitor que mal sabia da adesão de Dória à tucanagem, mas pelo absoluto esgotamento político e moral das outras alternativas, salvo a candidatura da honrada deputada Luiza Erundina, destituída, infelizmente, das condições mínimas de levar sua mensagem ao grande eleitorado de São Paulo. O voto em Doria foi o voto da constestação aos partidos responsáveis pela maior crise de nossa história recente, notadamente o PT e o PMDB, bem como aos seus satélites. Foi o voto da aversão a uma política que nos fez andar para trás, desindustrializando e desnacionalizando nossa economia como nunca, apenas para saciar o apetite voraz dos bancos e monopólios, especialmente os estrangeiros. Dória é mais um dos mercadores de ilusão que, volta e meia, em razão das crises que atingem as forças políticas dominantes, aparecem como salvadores da pátria, como o foi Collor há quase 30 anos atrás. Iludiu com sua imagem de anti-político, como se houvesse solução fora da política; iludiu com a falácia de que a solução dos problemas virá com a transformação da maior prefeitura do país numa verdadeira empresa para privatizar, terceirizar, quarteirizar, enfim, transferir responsabilidades ao setor privado e ao idolatrado mercado. Logo, logo, mais cedo que se imagina, a ficha começará a cair, e o trunfo celebrado como o sonho dos tucanos voltarem ao poder poderá ser transformar num grande pesadelo, até porque conhecemos o resultado das políticas desastrosas que desgovernaram o país nos anos de FHC: crescimento medíocre, arrocho e entreguismo.
Falava-se de irregularidades à sua época no sistema de bilhetagem automática, que persistem até os dias de hoje. O que o senhor tem a falar sobre esse assunto?
Recentemente, o ex-secretário de Mobilidade, Marcos Dantas, concedeu uma entrevista ao Correio Brasiliense informando que nos anos anteriores – imagino que ele se referiu ao governo anterior – um estudante, beneficiário do passe-livre estudantil, conseguia obter o número de cartões correspondente ao número de vezes que fosse a um posto de atendimento do DFTRANS. Não sei de onde e quem passou esse dado para ele, totalmente inverídico. Quem fornecia a relação de alunos devidamente matriculados era a instituição de ensino, e esses dados chegavam ao DFTRANS todos os meses e atualizávamos nosso cadastro, exatamente para saber quem deveria continuar ou não recebendo o benefício previsto em lei. À época, adotamos, dentro das limitações de um sistema que tivemos que herdar da época da FACIL, antes da assunção do sistema de bilhetagem, em meados de 2011, quando as grandes e antigas empresas mandavam e desmandavam no sistema – e no próprio governo, vários procedimentos para controle do passe-livre estudantil, começando pela eliminação das longas filas que se formavam no início de cada ano e semestre letivo. Em 2013, quando o governo local já havia assumido 100% do passe-livre, uma antiga e justa reivindicação de nossa juventude, que estava nas ruas de todo país, nós fizemos uma série de alterações no sistema para um novo formato de controle, pelo qual o estudante deveria fazer o cadastramento semestral, comparecendo a um dos postos de atendimento, que procuramos espalhar por todo Distrito Federal. Além disso, fazíamos operações constantes para coibir fraudes, como o recadastramento de estudantes e escolas, o que levou ao bloqueio de milhares de cartões e o descredenciamento de várias instituições. Lembro-me, agora, do descredenciamento da ALUB, da CEDASPY e da UNICESUMAR, medidas que resultaram em várias sindicâncias. O estudante devidamente cadastrado tinha apenas o trabalho de ir a um posto mais próximo de sua residência ou escola para retirar o cartão. E mais: aquele encargo de ir todos os meses para recarregar o cartão, nós eliminamos, implantando a bilhetagem automática, pela qual o estudante que ainda dispunha de algum crédito por não tê-lo utilizado recebia apenas o complementar para as suas necessidades do mês na catraca do ônibus, na primeira viagem em que utilizava a linha para seu trajeto diário
E quanto ao controle das pessoas com deficiência?
Esse cadastro era fornecido pela Secretaria de Justiça e aí, também, em parceria com aquele órgão, várias ações foram implementadas, como o bloqueio de acessos a cadastros não autorizados. Lembro-me, que, numa primeira checagem entre o cadastro da Secretaria e os beneficiários, chegamos a bloquear 27 mil acessos. E, tanto no caso dos estudantes como dos deficientes, os cartões eventualmente bloqueados mas utilizados em sistemas não atualizados nos ônibus, as empresas não recebiam esses créditos. Essas glosas eram feitas sistematicamente. Além disso, tomamos a iniciativa de reunir, em documentos, todos os indícios de fraudes no sistema e solicitamos à Polícia Civil que abrisse uma investigação para apurar com mais profundidade as irregularidades.
O que dificultava esse controle?
À época, fizemos o que estava ao nosso alcance para fechar as torneiras por onde vazavam as fraudes, mas, infelizmente, não tivemos condições operacionais nem financeiras para licitar um novo sistema de bilhetagem, base de dados do sistema tecnológico como um todo. Dessa forma, tivemos que conviver com o sistema remanescente da antiga FÁCIL, que era limitado tecnicamente em vários aspectos e com cuja empresa tivemos muitas dificuldades, inclusive nos entendimentos contratuais. Mas, quando sai do DFTRAN, deixamos um projeto pronto e acabado, fruto de vários meses de debate, inclusive com os órgãos de controle e o mundo acadêmico, para implantar todo o sistema de bilhetagem, de monitoramento da frota e de informação ao passageiro. Chegamos, inclusive, a implantar um sistema provisório para monitorar a frota, a partir de uma sala de situação no DFTRAN que se comunicava com os GPS que deveriam vir obrigatoriamente instalados na frota nova, embora algumas empresas demorassem em instalar esse equipamento. Em 2014, já tínhamos cerca de mil veículos monitorados, passo inicial para começar a orientar o passageiro sobre as linhas, horários, etc, a partir do seu celular ou internet, ou em totens que poderiam ser instalados nos terminais, paradas e outros logradouros públicos.
Fonte: Informando e Detonando


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