MÉDIA DE ACIDENTES FATAIS E MORTOS NO TRÂNSITO DO DF CRESCE EM 2018

Por Adriana Bernades
Era hora do almoço quando o motorista aposentado Acidino Pereira da Silva, 62 anos, tornou-se vítima de um acidente no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Morreu ao ser atingido por um caminhão próximo à agência dos Correios, onde trabalhava até o ano passado. O corpo ficou estirado no chão, coberto por um lençol verde, por quase duas horas à espera da polícia. O filho e um sobrinho de Acidino acompanharam tudo de perto sem dizer uma palavra.
A morte de Acidino ocorreu em um ano que começou violento no trânsito do Distrito Federal. O primeiro trimestre fechou com um alerta para a população e as autoridades. A média mensal de acidentes fatais e de vítimas mortas aumentou 47,7% e 55,5%, respectivamente, entre janeiro e março, na comparação com o mesmo período de 2017. Em números absolutos, houve 80 acidentes e 84 óbitos até o dia 30 do mês passado. É o pior resultado desde 2015, quando houve 91 acidentes e 97 mortes nos três primeiros meses do ano.
Os resultados se mostram preocupantes, pois os números são preliminares. O Departamento de Trânsito (Detran) conclui o balanço do trimestre no fim de abril, pois acompanha a evolução do estado de saúde das vítimas hospitalizadas por até 30 dias. Se nesse período alguém morrer, a informação é acrescentada às estatísticas.
O aumento das mortes e dos acidentes tem sido monitorado pelo programa Brasília Vida Segura, sob a tutela da Secretaria de Mobilidade. Para o secretário da pasta, Fábio Damasceno, a intensidade das chuvas e o excesso de velocidade podem ter contribuído para o incremento dos registros. “A fase agora será a de ir ao ponto onde ocorreu e analisar as possíveis causas: é problema na via? Falta fiscalização? É preciso reduzir a velocidade? É um ponto crítico, com várias ocorrências ou casos isolados? A partir dessas respostas, vamos atuar para evitar que aconteçam novamente”, afirmou.
Damasceno detalha que o registro de fatalidades cresceu com mais intensidade nas rodovias federais. Por isso, pretende chamar as equipes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pelas BRs, para discutir o que pode ser feito. “O Detran e o DER também precisam de uma política sistemática de educação para buscar o engajamento da população para vencermos essa guerra e baixar ainda mais o número de mortos. Não podemos tolerar uma morte sequer”, diz.
A vítima da última sexta-feira era casada, tinha dois filhos e morava em Sobradinho. Aposentou-se como funcionária dos Correios. Um amigo avisou a família sobre o atropelamento fatal. Um sobrinho acompanhou a chegada da perícia e a retirada do corpo, ao lado de um dos filhos. Segundo o motorista Gildete Cipriano Maniçoba, 59, Acidino continuava amigo de todos na agência dos Correios; por isso, costumava visitá-los mesmo depois de deixar o emprego.“Ele tinha feito uma visita para nós. Uma pena, triste ele morrer assim, perto do aniversário, no dia 19. Eu farei 60 no dia 18, um dia antes”, disse Gildete.
A morte de Acidino se soma à de Raquel Macedo Sintra, 24. Ela morreu em 18 de março, quando o carro em que estava capotou e caiu de uma ribanceira perto de Brazlândia. Outras seis pessoas ficaram feridas (leia Memória).
Avanços
Apesar do alerta para o aumento de vítimas e de acidentes fatais neste ano, o Distrito Federal tem conseguido reduzir sistematicamente os registros. Em 21 anos, o número de óbitos por 10 mil veículos caiu de 14,9 para 2,3. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera aceitável até três mortes para cada 10 mil carros. A relação de mortos por habitantes também está em queda. Em 1995, para cada 100 mil moradores, havia 35,5 mortes. Em 2016, a relação caiu para 13,1 casos.
Vários fatores contribuíram para essa redução: a campanha Paz no Trânsito; a aprovação do Código de Trânsito Brasileiro, em 1997; a instalação de radares e pardais para controle de velocidade; a exigência do cinto de segurança; a vigência da Lei Seca; a obrigatoriedade de se transportar crianças em cadeirinhas; o reajuste dos valores das multas; e o agravamento de algumas condutas, como dirigir falando ao celular e ultrapassar em local proibido.
Memória
» 16 de abrilUma mulher de 48 anos morreu em um grave acidente de trânsito, às 5h50, no fim do Eixão Sul, na altura da 116. Segundo informações da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, o carro seguia no sentido Asa Sul, saída do aeroporto, quando o motorista perdeu o controle da direção.
» 13 de abrilUma colisão entre carro e motocicleta resultou na morte de pai e filha. O acidente aconteceu na pista que liga a L4 ao início da L2 Norte. Na moto, seguiam Juvenal Júnior Azevedo, 40, e Milena, 15, quando acabaram atingidos na traseira pela motorista de um Fiat Mobi.
» 12 de abril Um ciclista de 18 anos morreu atropelado por um ônibus no Gama. O acidente aconteceu às 22h30, em um cruzamento na Quadra 6. O rodoviário informou que, ao passar pelo cruzamento, ouviu um barulho e, ao parar, viu que a parte lateral do veículo atingiu o jovem.
» 7 de abril — Em São Sebastião, um homem morreu e outro ficou ferido após uma capotagem. Newton de Carvalho Pereira, 36, não resistiu.
» 3 de abrilDuas pessoas morreram e uma ficou ferida após colisão entre dois caminhões na DF-003, próximo à Granja do Torto. Valme Gonlave Pereira, 58 anos, perdeu o controle do caminhão-betoneira e atingiu outro. Ele e o passageiro do veículo, o auxiliar de limpeza Ataniel Matias Jurema, 20, morreram. Elmiro da Rocha Silva, 50, condutor do outro caminhão, ficou ferido.
» 27 de marçoUm adolescente de 17 anos morreu após capotar o veículo que dirigia. O acidente aconteceu na BR-070, em Ceilândia, quando o jovem tentava fugir da polícia.
» 18 de março — Um acidente perto de Brazlândia deixou seis pessoas feridas e uma morta. As vítimas estavam em um Corsa Classic. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, a motorista teria perdido o controle ao tentar desviar de um cachorro que atravessou a pista. O veículo bateu em um poste de iluminação pública e capotou ao cair de uma ribanceira. Raquel Macedo Sintra, 24, morreu no local.
» 8 de janeiro — A colisão entre um carro e uma motocicleta resultou na morte de um homem de 32 anos no entroncamento da DF-180, estrada que liga Ceilândia a Brazlândia, com a BR-070. Segundo os bombeiros, o carro teria invadido a pista contrária.
» 6 de janeiro Um homem de 44 anos morreu atropelado por um caminhão na Epia. O acidente aconteceu em um trecho da rodovia que fica entre duas passarelas de pedestres.
Fonte: Correio Braziliense

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