IBANEIS FAZ BALANÇO DA GESTÃO E DIZ QUE A ECONOMIA VAI DESLANCHAR EM 2020


Ao Metrópoles, governador avalia os primeiros 12 meses à frente do GDF e anuncia o que o brasiliense pode esperar daqui em diante
Por Lilian Tahan, Manoela Alcântara e Isadora Teixeira
governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), encerra 2019 com perspectivas para o futuro, além de fazer um balanço dos trabalhos realizados no ano em que estreou na política. Em 1 hora e 20 minutos de entrevista ao Metrópoles, o chefe do Executivo falou sobre saúde, educação, PPPs, zona verde, aumento salarial e outros assuntos polêmicos.
Ibaneis conta com a transferência para o GDF da gestão do Fundo Constitucional a fim de promover melhorias na segurança, saúde e educação. E o governador também reivindica o poder de indicar os chefes do MPDFT e do TJDFT, prerrogativa que hoje é do presidente da República.
Reajuste das polícias Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros
Ibaneis Rocha: Passamos o ano todo trabalhando junto à presidência da República. O Anderson (Torres), que é o nosso secretário de Segurança Pública, com a equipe do ministro Jorge (Antônio de Oliveira Francisco), para que evoluíssemos na questão do Fundo Constitucional, na questão das forças policiais, até por um reconhecimento que temos às forças do DF. Elas trabalham de forma muito dedicada. Estão sofrendo há 14 anos sem conseguir um reajuste justamente pela dificuldade de relacionamento que existia entre os governadores do DF e o governo federal.
Por incrível que pareça, o governo do Agnelo (Queiroz, do PT), que era do partido do Lula, não conseguiu evoluir. São muitos problemas no que diz respeito às forças de segurança pública, inclusive com desvirtuamento do Fundo Constitucional ao longo desse período. Esse desvirtuamento levou às decisões do Tribunal de Contas da União. Então, estamos fazendo um trabalho junto à Presidência e fechando uma solução definitiva, tanto para o reajuste quanto para a gestão do Fundo Constitucional.
Aproveito, mais uma vez, para pedir desculpas ao Tribunal de Contas (da União) por aquelas falas (veja aqui). Mas é um pedido de desculpas que vai carregado com uma pequena crítica, no sentido de que eles (ministros do TCU) não acreditaram que eu, como advogado que sempre enfrentou problemas, enfrentaria também essa questão do Fundo Constitucional, como de fato estou fazendo agora.
Metrópoles: Existe expectativa da Polícia Civil de paridade de remuneração com a Polícia Federal, o que elevaria os salários dos policiais civis em 37%. Foi o que se falou durante todo ano. Existe perspectiva?
Ibaneis: Nós vamos chegar lá, sim. É uma paridade histórica. Mesmo que não seja documentada, ela sempre existiu e tem de continuar existindo. Eu já tinha encaminhado os projetos, mas, de acordo com o Ministério da Economia, o ministro Paulo Guedes prefere não conceder esse reajuste neste momento, até porque ele não concedeu às outras categorias.
Eu discordo desse entendimento, porque todas as categorias do serviço público federal tiveram reajustes ao longo dos últimos 14 anos, ao contrário do que ocorreu com a polícia do DF. Mas tenho que respeitar. Ele (Paulo Guedes) tem feito todo este excelente trabalho na economia brasileira, mas o presidente Bolsonaro também compartilha desse nosso entendimento, de que é necessário um reajuste para as forças de segurança, e está concedendo os 8% já neste ano.
O compromisso do Bolsonaro é no sentido de que, se a PEC que vai transferir o fundo demorar um pouco mais, ele vai editando outras medidas provisórias, concedendo o reajuste da forma como tínhamos pensado: ano a ano, até que se chegue à paridade completa. Estou feliz com isso, agradecido ao presidente, ao secretário-geral da Presidência, e vou ficar ainda mais agradecido ao Congresso Nacional quando a PEC da transferência for aprovada.
Conto com o apoio das lideranças do Congresso. A informação do presidente é de que já foi conversado com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), e a gente espera que o tema tramite com muita rapidez, com apoio dos nossos deputados e senadores.
Mudanças no primeiro escalão e troca de gestão na Terracap
Ibaneis: Gostei muito de trabalhar com o (ex) ministro (Gilberto) Occhi. É uma pessoa de larga experiência na administração pública, mas, na minha visão, a gente tem como acelerar um pouco mais, e eu preciso muito da Terracap para fazer Brasília entrar em um ritmo de desenvolvimento, de obras.
A equipe que tenho na parte de obras em Brasília está muito bem montada, com o Izidio (Santos), o Luciano (Carvalho, da Novacap), o Fauzi (Nacfuz, do DER). É uma equipe que está muito ajustada. Então, para ela ficar ainda melhor, eu preciso envolver a Terracap, que é uma agência de desenvolvimento importantíssima para Brasília. Agradeço ao Occhi o serviço que ele prestou ao longo deste ano, mas precisava dar mais celeridade nas obras que a população precisa, como as de Vicente Pires, que precisam ser concluídas no ano que vem, e são recursos da Terracap.
No Sol Nascente, temos vários problemas e precisamos arrecadar também. A Terracap precisa parar de vender terrenos só para cobrir a folha de pagamento. Temos que ter outros projetos imobiliários, e o Izidio, por ser da área, tem ótimo relacionamento com o Sinduscon (Sindicato da Construção Civil), com a Ademi (Associação de Empresas do Mercado Imobiliário). É um engenheiro muito conhecido aqui. Estou feliz de fechar o ano já com essa mudança para que o Izidio possa se programar.
Metrópoles: Além das mudanças no comando do Corpo de Bombeiros e do DF Legal, há previsão de mais trocas na equipe?
Ibaneis: As alterações têm que ser pontuais. Na questão do DF Legal, o órgão precisa trabalhar muito alinhado com a Secretaria de Segurança, e não existia esse alinhamento. Antigamente, aqui em Brasília tinha a Dema, que era a delegacia (do meio ambiente) que cuidava dessa área. Hoje, com a criação do DF Legal, antiga Agefis, toda essa parte de fiscalização ficou a cargo desse órgão.
Então, tem que ter um alinhamento até para combater a grilagem de terra, que ainda é muito grave no DF. Deixei por conta do Anderson (Torres) para que as operações em 2020 se aprofundem e que se possa também ter um trabalho de investigação, pois não adianta só você derrubar. Por trás desses loteamentos irregulares, sempre existe um grupo. Já se tem notícias até de milicianos que garantem ali e cobram depois na venda dos lotes, na regularização, no fornecimento de energia e no fornecimento de água. Temos que estar alinhados: Secretaria de Segurança e DF Legal.
No que diz respeito ao Corpo de Bombeiros, foi uma mudança natural. O coronel Emilson prestou um belíssimo serviço durante todo o ano na área de combate aos incêndios. Muitas obras benfeitas. Mas estava na hora de dar um pouco de gás no Corpo de Bombeiros, porque temos de agilizar.
Quero começar, por exemplo, o trabalho de combate aos incêndios ainda no mês de abril, com prevenção. Peguei uma situação muito difícil com relação ao orçamento, contratação, treinamento de pessoal. Está na hora de melhorar um pouquinho o Corpo de Bombeiros. E nós temos que quebrar também a caixa-preta que tem dentro dessas instituições. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros têm ainda uma gestão que precisa ser aberta. Gasta-se muito e o resultado precisa ser maior. Eles têm orçamento muito alto e não querem permitir que a gente analise esse orçamento para saber se esse dinheiro está sendo bem gasto. E eu sou de quebrar paradigmas.



Fundo Constitucional 
Metrópoles: A Segurança pública está muito relacionada ao Fundo Constitucional. O que significa transferir a gestão do Fundo Constitucional para o DF?
Ibaneis: Significa muita coisa. Primeiro, a gente para com essas demandas e interferências do Tribunal de Contas no que pode ser aplicado. A gente faz uma regulamentação desse fundo, dizendo quais são os percentuais de cada área, o que é gasto com segurança e o que vai ser gasto com pessoal. E nós vamos ter que fazer um enxugamento do custeio, porque hoje você consome o Fundo Constitucional quase todo com custeio. Então, com essa gestão na nossa mão, tenho certeza de que pode ser muito mais do que pagar folha de pagamento.
Nós temos que investir na segurança do Distrito Federal, na saúde e na educação. E esse investimento não vem sendo feito. O Fundo Constitucional tem servido simplesmente para cobrir despesas de pessoal, de custeio, e não temos conseguido dar a segurança que a cidade, a população e as autoridades que estão aqui merecem. Então, está na hora de a gente fazer, realmente, um programa de gestão dentro do Fundo Constitucional. E da maneira como estava sendo feito, nós não tínhamos como gerir.
Essa transferência é importante para a gente e tem que ser feita de forma responsável, com responsabilização dos gestores que fizeram desvirtuamento. A deputada Bia Kicis fez uma proposta de criminalização da má gestão do fundo. Acho que é uma proposta que, bem pensada, tem que ser levada adiante. No meu caso, sei que vou agir com responsabilidade e eu quero produzir cada vez mais. Mas podem chegar governantes, como nós tivemos no passado, que entregam tudo para os servidores, para as forças, e terminam colocando em dificuldade aquilo que é a solução para o Distrito Federal.
Mudanças na saúde
Metrópoles: Governador, a mudança na gestão da saúde de uma corporação como a Polícia Militar depende da Câmara Legislativa?
Ibaneis: Já foi aprovado. Aqui em Brasília, existia uma restrição: fizeram uma lei diferente da legislação federal. Tínhamos que modificar, e isso foi feito pela Câmara Legislativa por meio de um projeto que encaminhamos. Agora, vamos trabalhar com esse instrumento também, que é bom, desde que gerido com responsabilidade.
Temos vários locais onde as OSs [organizações sociais] funcionaram bem, como é o caso de São Paulo, por exemplo, onde quase 60% da rede hospitalar é gerida por OSs de forma responsável. Mas há locais onde deu muito errado. Então, temos que pegar os modelos corretos, fazer um sistema de acompanhamento, de fiscalização muito forte, e isso vai ser feito, mas acho que pode ser a solução de muitos problemas que temos aqui no Distrito Federal.
Não só na questão da saúde, nesse caso da Polícia Militar, mas também na gestão de presídios. Nós temos como reduzir preços com isso aí. Tem muita coisa que não precisa ser o agente penitenciário, a questão da alimentação, por exemplo, manutenção de celas, troca de colchões – a parte que não envolve a segurança. Então, isso nós temos como fazer em várias áreas. Eu estou muito confiante nesse projeto. Vamos montar um conselho que faça fiscalização, com presença da sociedade e dos órgãos de controle, para que a gente realmente consiga avançar nessa questão das OSs.
Metrópoles: Como o senhor avalia hoje as mudanças feitas na saúde, principalmente com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF)? Já é possível fazer um balanço?
Ibaneis: Conseguiram, ao longo desses últimos 10 ou 12 anos, desmontar todo o sistema de saúde do Distrito Federal. E aí eu falo: desmonte mesmo, não sei nem quem foi que orientou isso. Não deve ter sido alguém que conhecesse da área ou não tinha interesse em fazer. A porta de entrada da saúde é a atenção básica. Então, desmontaram as equipes e espalharam pelas cidades para dizer que tinha maior cobertura.
Você tem que ter atenção básica bem montada, com atendimento da família mesmo, para identificar as doenças, para que tenha fornecimento de medicamentos e as consultas sejam feitas com regularidades. Atrás desse grupo, tem as Unidades Básicas de Saúde, onde há o primeiro atendimento a essas pessoas, ou o segundo atendimento daquilo que é mais grave.
Tem que ter as UPAs, onde há o pronto-atendimento para os casos mais graves. E tem que ter o sistema hospitalar funcionando para as especialidades. Isso é a rede de saúde. Em Brasília, nada disso funcionava. As seis UPAs estavam sucateadas, não tinham pessoal, tanto que foram desclassificadas pelo Ministério da Saúde. As UBSs passaram a funcionar em horário reduzido, com poucos profissionais. E o atendimento básico também não funcionava.
Isso tudo refletia nas filas dos hospitais, porque aí o hospital passou a ser a porta de entrada de saúde no Distrito Federal. Isso está errado. Então, isso é o que nós estamos corrigindo. O que nós fizemos no primeiro momento? Reformamos as seis UPAs, abastecemos as seis UPAs e contratamos quase quatro mil profissionais. Quebrei uma parte desse ciclo de chegar à porta do hospital e da emergência.
Agora, estamos reformando as UBSs que existem e estamos construindo mais 28, que vamos entregar no ano que vem. Aí eu dou o anteparo para aquelas equipes de assistência básica que estamos remontando. Então, durante o ano de 2020, o trabalho todo será esse. Além do quê, estamos reformando todos os hospitais e vamos começar a construir novos hospitais no Distrito Federal.
Estamos com o projeto do Hospital do Guará, que é o Centro-Sul, que terá em torno de 400 leitos. Um hospital bastante moderno. Nós já entregamos este ano o Hospital de Santa Maria, e as informações que tenho é de que o hospital está funcionando muito bem, inclusive com quantidade cada vez maior de atendimentos e cirurgias.
Estamos com projeto pronto, que está sendo feito em parceria com a WFO, para fazer o materno-infantil de Ceilândia atrás da UPA. E conseguimos agora, com apoio da Câmara Legislativa, mais sete UPAs no Distrito Federal em regiões que não têm atendimento. Com essas sete UPAs, nós vamos reforçar o atendimento de 100 mil pessoas por mês, que já não vão mais para as portas dos hospitais.
Para que eu consiga organizar todo esse sistema, vou precisar de algum tempo. Então, acho que, até o fim de 2020, vamos ter ainda mais melhorias. As pessoas já sentem hoje que têm atendimento. Em certos casos com dificuldades, mas a gente já sabe que pode ter o atendimento médico. Diferentemente de outros locais do país, já temos essa confiança da população de que vai ser atendida, com mais ou menos demora.
Estou lançando um projeto da cidade cirúrgica. Espero que a gente esteja licitando até o mês de janeiro ou fevereiro. O que é a cidade cirúrgica? Isso já aconteceu na Bahia e no Ceará. Quatro ou cinco estados fizeram. O governador, numa época de crise, chega, por exemplo, na frente de um hospital de Santa Maria, onde o terreno é muito grande, a empresa chega e monta um bunker para fazer pequenas cirurgias.
Às vezes, as pequenas cirurgias levam muito tempo para se fazer na rede pública até que se façam todos os exames. Então, lá você entra, faz uma bateria de exames, o médico faz o diagnóstico. Por exemplo, uma vesícula, que você consegue estar com a pessoa em casa em 48 horas, mas ela fica às vezes dentro da rede hospitalar muito tempo. Então, essa cidade cirúrgica vai pegar todas as pequenas cirurgias para que a gente possa, com isso, desafogar também os hospitais.
Metrópoles: Seria em formato de mutirão?
Ibaneis: Exatamente. A ideia é chegar e fazer tudo: na área de catarata, de vesícula… Várias dessas cirurgias que são rápidas e que podem ser feitas quase de forma ambulatorial serão feitas nessas cidades cirúrgicas. Aí a gente bota tudo para funcionar.

Metrópoles: As pessoas que têm doenças mais complexas, como câncer e outras que deixam entre a vida e a morte, se queixam demasiadamente do atendimento em função da demora…
Ibaneis: Nós tínhamos equipamentos de câncer parados há não sei quantos anos e estamos instalando agora. Nós conseguimos, com trabalho muito dedicado, destravar a licitação do Hospital Oncológico, que vai nos ajudar e nos tornar referência nessa área. Lá em Taguatinga, está sendo construído o centro de radioterapia. Começamos a obra bem no início do nosso mandato e vai ser entregue agora.
A expectativa, em relação à parte de tratamento oncológico, cresce muito para o próximo ano. Nós sabemos a dificuldade que é e sabemos que é o tipo de doença que minutos e dias fazem diferença muito grande. Então, trabalhei muito este ano para liberar esse Hospital Oncológico, trabalhei muito com as obras da radioterapia de Taguatinga. Dentro do Hospital de Base, as obras estão a todo vapor para instalar os equipamentos que estavam parados. E eu acho que vamos conseguir crescer e melhorar muito para a nossa população, que infelizmente passou esse monte de tempo sofrendo com esse descaso.
Metrópoles: De onde vêm os recursos para as melhorias que o senhor está citando?

Ibaneis: Os recursos sempre existiram, só que sempre foram mal utilizados. Você não pode dizer que uma Saúde que tem R$ 10 bilhões de orçamento não tem recurso. Ela tem recursos. Agora, depende da maneira como você os utiliza. Nós estamos construindo (esses empreendimentos) com os próprios recursos da Saúde, não estamos acrescentando nada nisso. E uma parte vem de emendas dos deputados, que têm nos ajudado; e outra parte a gente tem conseguido junto ao Ministério da Saúde, que está atendendo aos nossos pedidos, está vendo nosso esforço na recuperação da Saúde.
A questão do cadastramento das UPAs, são R$ 600 mil a mais para manutenção do custeio. Nós conseguimos a liberação de muito dinheiro que estava parado dentro do Orçamento Geral da União. Só na semana passada, saiu uma liberação de R$ 23 milhões. Nós estamos fazendo um trabalho junto ao ministério: cadastramento de serviço. Estamos também reestruturando financeiramente a Saúde do Distrito Federal, que tinha sido abandonada. Eles achavam que o dinheiro dava para tudo e fizeram mal feito. E agora está na hora de fazer bem feito, e nós estamos buscando fazer bem feito.
Educação e as escolas de gestão compartilhada com a segurança pública
Metrópoles: O senhor inaugurou este ano um projeto polêmico, que é a gestão compartilhada nas escolas com a Polícia Militar. Passado um ano, como o senhor avalia o projeto? Há perspectiva de ampliar para outras escolas?

Ibaneis: A escola cívico-militar é uma proposta que já tem em outros estados e eu adaptei a um modelo que entendia ser o mais coerente para uma capital. É um modelo que, inclusive, o governo federal copiou e está fazendo no Brasil todo. É um modelo que você traz para as escolas mais disciplina, mais organização, e libera os professores para fazer aquilo que eles têm que fazer, que é a parte pedagógica. Quero chegar ao final do governo com 40 escolas com esse modelo aqui no Distrito Federal, mais as da União, que está assumindo duas aqui no DF a partir do próximo ano. É um modelo que está dando certo.
Mandamos fazer pesquisa nas regiões onde elas foram implantadas e passa de 85% o índice de satisfação da população, não só daqueles que frequentam, mas da população com a presença destas escolas. Agora, eu não quero que isso seja um modelo para todas as escolas. Acho que elas servem como busca de novas experiências, para que você transmita isso para o ensino como um todo. Então, acho que elas servem como modelo, como um teste, inclusive na implantação de projetos. Esses projetos estão sendo criados por este grupo.
Estamos trabalhando de forma muito intensa para que seja replicado, mesmo que de outra forma, como todas as escolas da rede de ensino do Distrito Federal. Eu faço esta crítica e faço sempre: O pessoal do Sinpro [Sindicato dos Professores] me procurou e disse: “Se der os R$ 200 mil a mais para cada escola, nós vamos melhorar”. Eu digo: “Olha, me traga o projeto, escolham as escolas que vocês querem fazer isso que eu dou o dinheiro”. Isso foi no mês de março.
Metrópoles: Algum projeto foi apresentado?

Ibaneis: Não, nunca trouxeram. Já que não trazem, eu agora vou levar o meu modelo. Estou preparando um novo modelo de contraturno, já que fica difícil você ampliar, até porque não tem espaço, a educação de tempo integral. Será um contraturno digital. Reuni uma equipe de especialistas da Secretaria de Educação, da Fundação de Amparo à Pesquisa, do Ministério da Ciência e Tecnologia, Biotic…
Envolvi todos em uma grande iniciativa, e eles me apresentaram um projeto há uns 20 dias, um protótipo. Vamos fazer a licitação e comprar, eles estão vendo se notebooks ou tablets, e ali dentro vai embarcado um conteúdo com muita inteligência, muita criatividade para buscar este ano, principalmente no ensino médio.
Metrópoles: Seria uma injeção de tecnologia com um novo modelo de negócio?
Ibaneis: Todos os alunos do primeiro ano do segundo grau [ensino médio] vão receber esse equipamento com conteúdo. Tudo será monitorado por um grupo de professores que vão ver se o aluno abriu [o programa], fez os exercícios, a leitura… Tudo isso vai ser acompanhado de forma complementar. Então, é um novo modelo que estou implementando para tentar melhorar o nível educacional do Distrito Federal e preparar essa juventude também para o grande boom que eu acredito que vai acontecer na economia de Brasília.
Além disso, existe uma reclamação muito grande dos dirigentes de escola no que diz respeito ao PDAF [Programa de Descentralização Administrativa e Financeira]. Temos uma grande dificuldade na fiscalização desse PDAF, era sempre uma grande reclamação, inclusive, dos conselheiros do Tribunal de Contas.
Preparei um projeto e estou lançando agora o cartão PDAF, o Cartão Pequenos Reparos. Fiz uma parceria com o Sebrae, que cadastrou todos os profissionais nas regiões, como pedreiro, eletricista, bombeiro hidráulico, fez uma tabela de preços médios, cadastrou todas as empresas para fornecer e o BRB vai soltar um cartão que vai ser colocado, com o dinheiro do PDAF, na mão do diretor.
Metrópoles: Qual será o valor?
Ibaneis: Estamos analisando por escola. Cada um vai ter que encaminhar um orçamento, o que deseja fazer, e nós vamos monitorar.
Metrópoles: Fica menos burocrático?
Ibaneis: É mais fácil de fiscalizar, porque a nota fiscal é eletrônica. Não existia isso. Vai acontecer agora, no início do ano. Já está pronta a parte do BRB de tecnologia e a parte de Educação está terminando de fazer.
Metrópoles: Há muito tempo existe a queixa de falta de proteína na merenda dos estudantes. Por que isso tem acontecido?
Ibaneis: Por falta de planejamento. Temos a convicção de que, da maneira como as licitações nessas áreas foram feitas, não vamos conseguir chegar nunca. Essa é outra questão que nós podemos fazer via OS: fazer uma terceirização desse serviço, que não precisa ser um serviço do governo. Estava aguardando essa legislação exatamente para tratar desse assunto. Acho que nós temos que entregar isso na mão do privado, e aí a gente vai só cobrar a qualidade no atendimento às crianças.
Isso está em tramitação dentro da secretaria. Acho que é um projeto que tem que ser feito dessa maneira. Então, eles se encarregam de dar uma alimentação para todas as crianças com aquilo que deve ser feito e com o que tem de melhor. Hoje, gasta-se muito nessa área e o resultado é muito pequeno. Então, está na hora de mudar esse sistema também, e vai ser modificado. Tenho certeza de que ano que vem não iremos ter tantos problemas como tivemos neste ano.
Tivemos muitos problemas também por conta de orçamento. O orçamento que foi preparado no ano passado não contemplava vários pagamentos, inclusive com um déficit muito grande em relação a parcelas atrasadas. O governo passado não fez processo de reconhecimento dos débitos que existiam. Isso tudo está sendo programado agora, para que a gente possa avançar.
O governo Rollemberg quebrou muitas empresas deliberadamente no Distrito Federal. O caso da Sanoli é um exemplo disso. Além de não pagar, foi para a Justiça para obrigar eles a trabalharem. Deixou um passivo enorme, a empresa não consegue se recuperar do ponto de vista financeiro. Eu fiz todos os pagamentos deste ano em dia, inclusive antecipando parcelas e pagando uma parte do passivo deles, e mesmo assim tivemos problema.
Então, vamos ter que recuperar essas empresas. Para isso, soltei um decreto dando prazo de 90 dias para que todas as secretarias façam seus processos de reconhecimento de débito. Eu quero lançar um programa de recuperação dessas empresas que foram quebradas pelo governo, após saber realmente o que é devido para cada uma delas.
Dívidas com empresas
Metrópoles: Como será essa recuperação? Por meio de incentivo fiscal?
Ibaneis: Não, quero fazer diferente. Quero fazer como as pecúnias dos servidores. Vou ver o que eu consigo pagar, o desconto que eles podem dar. E vou fazer um decreto dizendo: “Olha, essa área aqui, quem der tantos por cento de desconto recebe no prazo e tal”. Vou possibilitar irem ao BRB para poder antecipar essas parcelas, como no caso das pecúnias. Então, vou enquadrar todo o débito que temos dentro do nosso orçamento e fazer um parcelamento para dar fôlego a esses empresários, para que possam voltar a investir na cidade e voltar a ter credibilidade no governo.
O grande problema hoje é que os preços ficaram muito altos, porque já está embutido no custo da empresa o atraso do governo no pagamento. Isso é o que se verifica. Tenho para mim que, no momento em que você trabalhar com seriedade, será possível reduzir a maioria dos preços no DF, de 20% a 30%.
Em todas as licitações, embutem um valor a mais porque os empresários sabem que o governo não paga. É o risco governo. Por exemplo, no transporte público no Distrito Federal. Todo mundo reclama das empresas de transporte. Eu recebi uma dívida de quase R$ 300 milhões com as empresas, aí todo mundo quer que compre ônibus novo, que melhore a frota, que faça tudo. Nós conseguimos diminuir o débito de atrasados, neste ano, em torno de R$ 80 milhões. Então, já é alguma coisa, e estamos pagando as faturas em dia, mesmo com as dificuldades orçamentárias que nós tivemos.
Eu estava com um risco muito grande – se a Câmara não aprovasse a desvinculação dos fundos – de passar muitas dificuldades neste final de ano. Graças a Deus, os deputados tiveram a consciência, aprovaram a desvinculação e nós estamos conseguindo organizar essas contas. Então, tem que ter seriedade, e as empresas têm que trabalhar com a certeza de que vão receber. E para isso nós temos que contratar de forma segura. Isso vai mudar muito em 2020.
Transporte público
Metrópoles: Há previsão para o lançamento da licitação dos ônibus aqui no DF? Existia uma decisão judicial para que ocorresse até novembro…
Ibaneis: Eles recorreram dessa decisão, mas, de qualquer modo, já estamos pensando nessa licitação, até porque a concessão que foi feita expira em 2022, início de 2023. E uma licitação dessas demanda muitos estudos. Já estamos fazendo os estudos na Secretaria de Mobilidade com antecedência. Quero lançar a licitação no início de 2021, porque vai ter todo o processo de desmobilização também – ninguém sabe quem vai ganhar a licitação – com aquelas empresas que não conseguirem ganhar (a licitação).
Essas (empresas) vão ter de fazer o processo de desmobilização. Quem ganhar vai ter de contratar ônibus, tem todo um ciclo, e nós vamos iniciar esse ciclo com prazo bem longo para que os órgãos de fiscalização (Ministério Público, Tribunal de Contas) possam acompanhar tudo o que está acontecendo e de modo que as empresas também possam realizar o trabalho que tem de ser feito de modo bastante transparente.
Reajuste dos professores e outras categorias
Metrópoles: O senhor tem previsão de reajuste salarial para os professores?
Ibaneis: Tenho. Não só para esta categoria. Tenho três categorias, para mim, que são de suma importância, sem desmerecer qualquer uma das outras. Na segurança, estamos resolvendo o problema, que é uma categoria importante. Saúde é muito importante, e educação é uma das mais importantes. Então, temos uma parte do serviço público no Distrito Federal que já ganha bem, muito bem: procuradores, defensores públicos e auditores. É um grupo privilegiado do ponto de vista remuneratório e presta um serviço importante para a cidade também. Nesse grupo, o que quero fazer é repor a inflação. Não vou dar reajuste, não vou fazer nada, mas repor a inflação, que, graças a Deus, no Distrito Federal é a menor do país.
O outro grupo de servidores presta serviço na ponta: são os médicos e educadores, e não têm a valorização que deveriam ter. Tenho consciência disso. Para eles, quero criar uma gratificação, além da reposição da inflação, que leve em conta a meritocracia. Como fazer isso? Não é difícil. Você pega um percentual que seja a avaliação institucional, a visão que a população tem dessa instituição, e o restante da gratificação você pega por regionais, por exemplo, a Regional de Ensino de Ceilândia.
Se os índices dessa regional forem bons, no que diz respeito ao Ideb, no que diz respeito ao Enem, eles ganham a gratificação cheia, vamos estabelecer isso. Vou conversar com os sindicatos e fazer de modo que tenha uma remuneração condizente com a realidade, com a vida de um professor. E vamos fazer a mesma coisa na saúde: gratificações e dividir pelas regionais.
Então, vou trabalhar com produtividade, atendimentos médicos, número de cirurgias, grau de satisfação da população. A missão do secretário de Economia é me dizer quanto tenho de recurso, e eu acho que nós vamos ter uma parte entre R$ 600 milhões e R$ 800 milhões para investir nas categorias do serviço público, e vamos organizar de modo que todos – se não saírem satisfeitos – vão sair contemplados. Essa é a nossa perspectiva em relação ao serviço público.
Metrópoles: Em relação à terceira parcela do reajuste do funcionalismo, saiu o acórdão da Justiça sobre a questão. O que será feito pelo governo?

Ibaneis: Ainda não tive condição de ler o acórdão. Este final de ano foi muito corrido, mas vou dar uma lida no acórdão. Da maneira como eu vi o resultado do julgamento, não teríamos como aplicar, fazer o pagamento da terceira parcela e do retroativo. Então, acho que fica muito melhor a gente realmente estabelecer a verdade este ano, fazer essa discussão com os servidores, dar o reajuste, que é merecido, ficar livre desse passivo.
Temos que fazer uma política salarial de verdade, sem a falta de compromisso dos governadores anteriores desde a época do [Rogério] Rosso, que saíram dando reajuste de tudo quanto é jeito, quebraram o Distrito Federal, quebraram a capacidade de investimento do Estado, chegando à situação em que nós estamos. Então, acho que está na hora de fazermos a conversa da verdade, ajudar as categorias a se reerguerem, ter um compromisso de que nós vamos melhorar, por exemplo, a questão do plano de saúde.
Já chegamos a lançar o edital, mas houve impugnações, e algumas delas bem fundamentadas. Então, eu retiro o edital, vamos atender essas demandas e vamos soltar novamente o edital, provavelmente em janeiro. É um benefício indireto, mas que ajuda na vida de todos. É fundamental a questão da saúde. E nos ajuda muito também, porque o servidor tendo uma saúde de qualidade vai prestar um serviço melhor para a comunidade.
Estou acreditando muito que esse plano de saúde vai funcionar, com preços bem mais em conta, e quero construir ainda no mandato, pelo menos iniciar, o hospital do servidor. Eu estive lá em São Paulo em um que fica próximo a estação do metrô. É um movimento enorme. Atende a quase todos os servidores da prefeitura de São Paulo. Achei uma ideia muito boa, e a gente pode fazer isso também com gestão de OS. Então, dinheiro existe, dentro do serviço público. Nós temos condição de fazer aqui também para atender nossos servidores públicos.
Queda de árvores
Metrópoles: Por que a Novacap não se antecipou ao período de chuvas e podou as árvores que começaram a cair por toda a cidade, com risco de acertar carros e pessoas?

Ibaneis: É que nós recebemos (o governo) sem a licitação de podas feita. E aí tivemos que fazer um processo licitatório que demorou um pouco. Tivemos impugnações do Tribunal de Contas. Então, nós conseguimos assinar o processo de podas agora já no final de outubro. Não deu tempo de fazer. Algumas coisas não são uma questão de vontade. Nós fizemos com o nosso pessoal da Novacap o que foi possível. Agora, com o contrato de poda em vigor, vamos aumentar isso aí e, no próximo ano, nós não teremos, pelo menos nessa proporção, os problemas deste ano.
Fica o meu pedido de desculpas à população, mas nós temos que seguir – é um pouco diferente o mundo privado do público – todas as regras que foram criadas, e essas regras têm que ser cumpridas até para o bem do serviço público e para o bem da comunidade. Mas isso atrapalha muito essa questão da gestão.
Novas licitações para saúde, drenagem pluvial, infraestrutura e mobilidade
Ibaneis: Não tinha licitação para reforma dos hospitais. Conseguimos fazer, a empresa assumiu, e passamos a fazer as reformas. O caos é pela falta de previsibilidade. As licitações eram para ter sido feitas ainda no final do ano passado, mas não foram feitas de maneira nenhuma. Você tem que começar uma licitação pelo menos seis meses antes de o outro contrato vencer. Essa é uma norma que tenho estabelecida em todas as secretarias.
O secretário da Casa Civil tem um quadro de acompanhamento de todas as licitações que estão com prazo para vencer. E baixei um decreto recentemente responsabilizando o secretário da pasta que deixar a licitação vencer ou for para a emergencial. Vou abrir um processo administrativo junto à controladoria e ele vai ter de explicar por que não fez a licitação. Estou fazendo um sistema que é para funcionar. Agora, peguei muita coisa que não estava funcionando. A razão das podas é essa aí.
Na questão do asfalto, não está ainda do jeito que eu quero, vai melhorar muito. Para você ter uma ideia, no último ano do governo Rollemberg – isso foi informação que me foi passada pelo diretor do DER, o Fauzi –, eles pagavam em torno de R$ 200 mil de massa asfáltica por mês. Este ano, nós passamos da média de R$ 2 milhões por mês tapando os buracos da cidade, fazendo em todas as cidades do Distrito Federal.
Estamos entrando dentro das ruas, uma coisa que não era feita de maneira nenhuma, tentando melhorar a vida da população. O ideal é que se faça o recapeamento. Este ano, fizemos do Eixão. Ano que vem, quero fazer da Estrutural, quero fazer da L4, quero fazer em várias cidades. Mandei os administradores escolherem as duas principais avenidas, aquelas que estão mais detonadas, como é o caso do Gama e outros locais. Vamos fazer também o asfalto novo em todas essas cidades e tapar todos os buracos ao longo do ano para dar mais qualidade de vida à população.
Drenagem pluvial e infraestrutura
Ibaneis: Temos um problema sério no Distrito Federal, mas sério mesmo: a questão da drenagem. Brasília cresceu e esqueceram de fazer uma nova drenagem. A questão da Asa Norte é um exemplo disso. Fizeram todo o bairro do Noroeste, fizeram toda a área do estádio, mas deixaram tudo aberto para alagar. Nós separamos um projeto do Drenar-DF, que era um projeto só e difícil de andar, em três etapas. Vamos começar as obras agora, já este ano. Mas fizemos algumas coisas para diminuir. Fizemos várias bacias de contenção ali na parte do estádio e na parte do Noroeste, exatamente para diminuir um pouco o sofrimento da população da Asa Norte, mas essas coisas vão ter que avançar para Brasília se modernizar.
Estamos fazendo um grande pacote de infraestrutura para a cidade, de mobilidade. Agora no começo do ano, vocês vão ter a oportunidade de acompanhar. São mais de 50 licitações de infraestrutura que vão sair. Deixamos tudo isso programado, nós temos reuniões ainda agora no final de ano para terminar de organizar todos os processos de licitação que estão prontos. Isso para que, durante os meses de janeiro, fevereiro e março, que ainda é o período de chuva, a gente consiga concluir as licitações para as obras começarem a partir de abril. Vai dar um novo sentido para a cidade.
Nós temos obras, por exemplo, como o viaduto do Paranoá-Itapoã, a nova entrada do Paranoá e a duplicação ali da Rota do Cavalo, que vão melhorar a vida de toda a população daquela região. Nós temos o viaduto do Recanto das Emas, que todo mundo falava que ia fazer, mas não tinha projeto. Fizemos o projeto e já vamos licitar, temos o viaduto do Riacho Fundo 1, a segunda entrada de Sobradinho, a duplicação da BR-020, de Sobradinho, Planaltina e mais o viaduto de Planaltina. Então, são obras que estamos fazendo em todas as cidades.
A DF-140 vai ser duplicada, a DF-001, no trecho que sai da Marinha, também vai ser toda recapeada, e estamos tentando um projeto para ver se a gente consegue duplicar. São muitas obras na área de infraestrutura que vão melhorar a vida da cidade. Conseguimos agora destravar o túnel de Taguatinga, que estava parado há muito tempo. Ninguém acreditava que aquilo fosse acontecer. Mas já estamos com as empresas e esperamos que as obras comecem no mês de abril.
Consegui com os deputados federais e a bancada do Distrito Federal, que eu sempre reforço o agradecimento, a alocação de R$ 40 milhões em emendas impositivas para poder arrumar a Hélio Prates toda. São três etapas ali. Já estamos com um processo de desapropriação de dois postos de gasolina que tem lá exatamente para a gente implantar o BRT. São muitas obras de infraestrutura.
Metrópoles: Isso tudo acontece em 2020?
Ibaneis: Começa a acontecer em 2020. A grande maioria não será concluída, mas começa a acontecer com a expectativa de a gente entregar até o final de 2021.
Mato alto nas regiões administrativas
Metrópoles: Um problema recorrente no DF é que, a cada final de ano, o mato fica alto em todas as regiões administrativas. No Guará, há locais em que a vegetação ultrapassa 1,80m, cobrindo pracinhas e bancos. O que está acontecendo, governador?
Ibaneis: É, eu vi. O que está acontecendo é que a programação lá é errada. No contrato que existe com as empresas, a quantidade de poda deve ser aumentada no mês de janeiro. Só que as chuvas aqui em Brasília começam em outubro. Quando chega a esse período agora, que é exatamente quando a cidade precisa ficar mais bonita, é o período que o mato está maior. Na semana passada, no dia em que desembarquei da minha viagem de Roma, na hora em que olhei, eu disse: ‘Que absurdo isso aqui’. O que eu fiz? Fiz uma reunião com as empresas e pedi que antecipassem o cronograma.
Hoje, você vê um número maior de podas acontecendo pela cidade. Temos que fazer isso já pensando no próximo ano. O período de poda tem que ser maior a partir do mês de novembro e ir aumentando até o final das chuvas. Pedi a mudança para as empresas. Foi informal, não deu para documentar, mas eles atenderam o pedido da Novacap e o meu pedido e aumentaram o número de pessoas com a poda já agora no mês de dezembro. Isso foi uma coisa que me pegou de surpresa também. Mas o pessoal da Novacap está ciente, está trabalhando para resolver.
Metrópoles: Em relação às parcerias público-privadas, o senhor sempre colocou, inclusive no período de campanha, que esse seria um vetor da sua atuação. Até agora, a gente não conseguiu enxergar o resultado disso porque são processos difíceis. O que está para ser destravado em 2020?
Ibaneis: Nós recebemos a PPP dos estacionamentos, da zona verde, agora estão fazendo os estudos complementares e a gente espera fazer a licitação até o mês de abril. Na questão da iluminação pública, o modelo que foi proposto pelas empresas foi um que não me agradou muito, porque o valor que eles receberiam da taxa de iluminação é bem superior ao investimento que eles fariam. Estou estudando um modelo no qual a CEB assuma essa questão e atue com o setor privado. Aí, parte desse recurso entra para o Distrito Federal para que a gente possa reinvestir na iluminação pública da cidade.
Temos aí também a PPP do VLT. Foram apresentados os estudos, pedimos a complementação para as empresas e deve sair também agora no primeiro semestre. Não vamos conseguir concluir tudo no nosso primeiro mandato, mas com certeza pelo menos a parte da Asa Sul vai ficar pronta, e acho que quem assumir depois o governo vai ter condições de entregar a obra completa até o Sudoeste, o Noroeste.
Temos várias outras que estão em andamento e que tenho convicção de que, em pouco tempo, vamos começar a sentir isso. Agora, é um processo difícil. Eu posso afirmar. É um pouco mais difícil porque existe uma desconfiança muito grande dos grupos empresariais, um receio no que diz respeito à economia. Você tem, por exemplo, a PPP da Saída Norte. O que baseia ela é um grande loteamento que vai ser feito junto à Torre de TV Digital.
Este ano, o mercado ficou analisando o que ia acontecer. O governo federal conseguiu avançar em algumas coisas, mas ainda não deu segurança para o empresário investir. Nós aqui até conseguimos avançar um pouco mais. Então, existe essa desconfiança do mercado nesses investimentos. Você nota um determinado receio, mas acredito que agora em 2020, com a consolidação das melhorias na economia nacional, a economia do DF vai deslanchar. E está deslanchando: vamos crescer perto de 2% este ano, quase três vezes o que está crescendo o PIB nacional. E isso tem criado um ambiente de muita credibilidade.
Para se ter uma ideia, saiu um lançamento em Águas Claras esses dias e foi vendido 80%. A área do Noroeste, que era abandonada, o parque está sendo terminado. Conseguimos fazer um acordo com os indígenas, sem nenhum tipo de violência, tudo na paz. E as obras no Noroeste, todas as que tinham projeções ali, estão construindo. Então você vê um movimento na economia da cidade já se reaquecendo. Com isso, as empresas vão ter mais agilidade na realização das PPPs.
Metrópoles: O senhor mencionou a zona verde. Quais vão ser os parâmetros e como vai funcionar o direcionamento de verba para o Iprev?

Ibaneis: Toda verba que vai para o Iprev de todas essas licitações termina revertendo em favor do Estado, porque eu descarrego a Fonte 100. Então, toda vez que o Iprev tem dinheiro, o governo tem dinheiro. Por exemplo: o lucro do BRB vai para o Iprev. São R$ 110 milhões que me aliviam lá dentro da minha Fonte 100, então tudo termina sendo a mesma coisa, é o caixa do governo. O modelo que eu pensei lá atrás e que eu coloquei para se fazer os estudos, e parece que vai dar certo, é um modelo no qual a gente privilegia o transporte público. Por isso que tenho trabalhado muito com as empresas para melhorar o transporte público e que estou trabalhando na concessão do metrô.
Vamos ter bolsões de estacionamento nas regiões próximas ao BRT, ao metrô, para que a gente possa não sacrificar essas pessoas, porque hoje você obriga elas a virem de carro ao Plano Piloto e se cobra estacionamento: você está prejudicando essas pessoas duas vezes. Então, vamos ter bolsões de estacionamento a um custo reduzido, com segurança, com seguro dessas empresas, com serviços, e aqui no Plano Piloto quem quiser vir de carro vai pagar. É um sistema bastante tecnológico, como existe em vários locais do mundo. Você baixa o aplicativo, estaciona seu carro e depois você paga, debita direto na conta, não vai ter dinheiro, não vai ter pessoas, então é um sistema bem moderno que está sendo pensado.
Expansão do Metrô
Ibaneis: Uma coisa é você fazer a concessão do metrô, da operação do metrô. É bom que a população entenda bastante isso. Você concede a operação. Então eles fazem a modernização dos trilhos, a energização, a troca de trens, tecnologia realmente e inovação. Outra coisa é expansão. Expansão é transporte público, quem faz é o poder público. Temos três projetos que já estão aprovados no governo federal e se fazem com orçamento da União. Até porque, o Distrito Federal não tem recursos.
Estive na semana passada com o ministro Gustavo Canuto (ministro do Desenvolvimento Regional) e ele nos assegurou que vai liberar a expansão de Ceilândia e Samambaia, o que melhora muito a situação do Distrito Federal. Quando você fala em conceder o metrô, eu não vou acabar com a companhia do Metrô. A companhia vai continuar existindo, porque eu preciso de alguém que tem experiência, expertise para fiscalizar a concessão e cobrar seus resultados, e eu vou ter também quem pense na expansão do metrô.
Nós temos que pensar o metrô a todo momento. Em Brasília, desde a época do governador Joaquim Roriz, não se bota um metro de trilho nessa cidade. Por quê? Porque não pensaram. Está na hora de cuidar dessas expansões que estão prontas, e estou trabalhando, as equipes, o Valter Casimiro e o pessoal do Metrô estão trabalhando junto ao Ministério do Desenvolvimento Regional para liberar essas duas. Mas eu já quero começar a pensar em outras expansões.
Tem aquela região da Estação 19 de Taguatinga que está sendo concluída, e você pode fazer um trecho de metrô pegando boa parte de Taguatinga, saindo e indo até Santa Maria. Tem uma população enorme: Riacho Fundo 1, Riacho Fundo 2, Recanto das Emas, Gama e Santa Maria… Você consegue fazer ali tudo na superfície. Já existem alguns projetos.
A cidade é plana para o lado de cá. Para o lado da Saída Norte, já não tem essa condição. Mas dá para expandir muito. Agora, temos que pensar, fazer projetos e apresentá-los ao governo federal. Temos que ir atrás de recursos.
Indicação do Procurador-Geral de Justiça
Metrópoles: Recentemente, o senhor entrou com questionamento para tentar passar a prerrogativa de indicação do procurador-geral de Justiça e do chefe do Ministério Público para o governador do Distrito Federal. Hoje, o DF é a única unidade da Federação onde essa indicação é feita a partir da Presidência da República. Por que esse movimento?
Ibaneis: Fui eleito pelo voto popular. Mas me sinto governador que tem poderes reduzidos. Eu fui estudar, conheço um pouquinho da Constituição e não está escrito em local nenhum da Constituição que Ministério Público é prorrogativa de o presidente da República indicar. Está escrito numa lei complementar que, do meu ponto de vista, é inconstitucional. Assim como é o Tribunal de Justiça.
Não faz sentido nenhum o Tribunal de Justiça ser nomeado pelo presidente da República. Isso cria um ambiente de relacionamento que deve existir entre as instituições com todo respeito. E sou um democrata, conheço o direito, sempre trato todos com muito respeito. Agora, do meu ponto de vista como governante e do ponto de vista da Constituição, essas duas instituições têm que ser nomeadas pelo governador do Distrito Federal, assim como em todos os estados.
A justificativa de que antes tinha a questão dos territórios até fazia sentido, mas isso acabou desde a Constituição, então sequer foi adaptada essa regra nova à Constituição de 1988. Eu quis criar o debate, acho que o debate tem que existir, é salutar, até para saber. Posso estar errado, então vou ouvir todos os lados e só vou conseguir fazer isso criando o debate.
O que entendo que devo fazer, e tenho discutido isso com a equipe do presidente Bolsonaro, é que o correto seria fazer através de uma emenda constitucional, trazendo os dois para cá, e o recurso que a União hoje repassa seja incorporado ao Fundo Constitucional. E aí nós vamos ter todas as situações equalizadas e transformamos todos os governadores com os mesmos poderes. Acho que é isso que tem que acontecer. Mas o debate tem que avançar, mesmo que eu não consiga vencer a ação que eu entrei. Mas tenho convicção de que vou ganhar.
Relação institucional com o Ministério Público
Ibaneis: Eu converso com a procuradora-geral (do MPDFT), Fabiana Costa. Apoiei a nomeação dela na época do presidente Michel Temer. Ajudei na indicação, eu e o Gustavo Rocha. Tenho um excelente relacionamento. Não tenho problema no relacionamento. Mas tem muita coisa que o Ministério Público aqui deveria nos ouvir um pouco mais.
Você pega, por exemplo, a questão da Quadra 500 do Sudoeste. O Ministério Público fez um trabalho contra aquilo ali que é insano. E eu tive que entrar com a procuradoria e fui pessoalmente despachar com o ministro do STJ para liberar. E depois fui com o ministro do Supremo Tribunal Federal, com recurso no Ministério Público, contra ações que são, na minha visão, indevidas e que travam a cidade.
São coisas como essas que eu gostaria de ver debatidas de forma mais democrática. A cidade precisando se desenvolver a todo custo… Eu pego e faço a consolidação em todos os sentidos que foram concedidos ao Centro Oeste, com base na Lei Complementar nº 160, e o Ministério Público entra com duas ações.
E aí? como é que eu vou gerar emprego para 300 mil pessoas que tem aqui na região que estão desempregadas? Será que isso é justo? Será que isso é parceria? Então, é esse tipo de coisa que eu acho que, se a nomeação for feita pelo governador, nós vamos poder sentar na mesa de igual para igual. O que eu estou buscando hoje é exatamente isso: é ter a possibilidade de discutir os assuntos de igual para igual, o que nós não temos hoje.
Com o Tribunal de Justiça, tenho um excelente relacionamento, em que pese divergir na versão constitucional. Por quê? Eu venho de 25 anos de advocacia bem feita, sem nenhuma mácula. Então, todos os magistrados me respeitam muito e eu faço questão que isso permaneça, eu como governante. Mas também não é o motivo pelo qual eu entenda que o desembargador do Distrito Federal tenha que ser nomeado pelo presidente da República. Eu sou contrário a isso e quero levar esse debate adiante.
Metrópoles: O senhor vem como candidato à reeleição em 2022?
Ibaneis: Eu tenho dado essa resposta em vários locais e vou repetir para você. Eu sou uma pessoa que tudo que eu me disponho a fazer, eu procuro fazer bem feito. Fui conselheiro da OAB, vice-presidente, conselheiro de ordem reconhecido, diretor do conselho federal, e me dispus a entrar na política como candidato enquanto todo mundo achava que eu estava na política só para brincar.
Ganhei as eleições mostrando que sei fazer as coisas com seriedade. Estou querendo governar com seriedade. Agora, se a avaliação da população, ao final do mandato, ou pelo menos até 2021, for positiva em relação àquilo que nós estamos nos dispondo a fazer… Eu gostei de ser governador, posso garantir para você. Cuidar de gente, cuidar do povo, cuidar da cidade é uma coisa que encanta. Posso garantir isso para você. Então, eu gostaria de uma reeleição, sim, mas não contra a vontade popular, como aconteceu com os últimos três governadores.
Isso aconteceu. O Rosso se anulou politicamente, o Agnelo não foi para o segundo turno e o Rollemberg veio só para apanhar. Então, não é o caminho. Você tem que sentir a população, e isso é fácil, com pesquisas de satisfação. Nós temos índices que são medidos em todos os locais.
Não vou remar contra a maré. Se a população não tiver uma aceitação do meu trabalho, posso ser o que eu quiser na minha vida, inclusive nada. Vou embora para o exterior, morar lá, volto com meu escritório de advocacia e vou cuidar das minhas empresas. Não tenho esse apego pela política. Estou feliz de estar governando, feliz de ajudar as pessoas. Se puder prosseguir nesse trabalho de ajudar as pessoas, vou continuar fazendo ele de forma muito alegre, muito feliz, mas não tenho muita definição do que vou fazer em 2022.
Fonte: Metropóles
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Um comentário:

  1. Gostaria de saber o que este governo vai fazer em relação aos canos que o governo anterior veio enterrando lá do corumbá 4 até aqui o Catetinho,q o que esse governo atual irá fazer?

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Obrigado pela sugestão.

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