O réveillon mal terminou e 2026 já começa com o ambiente político em ebulição no Distrito Federal. Articulações de bastidores, rearranjos partidários e mudanças relevantes nas regras eleitorais indicam que o próximo pleito tende a ser um dos mais disputados e complexos da história recente do DF.
Logo no início do ano, o Tribunal Superior Eleitoral implementou alterações significativas nas regras para pesquisas eleitorais, impondo maior rigor técnico e transparência. A medida atinge diretamente práticas de manipulação por meio de levantamentos sem lastro metodológico, alterando o jogo político antes mesmo do início oficial da campanha.
Corrida ao Buriti: cenários em formação
Na disputa pelo Governo do Distrito Federal, três nomes concentram as atenções nas análises de bastidores: Celina Leão, Ricardo Cappelli e José Roberto Arruda.
Celina Leão surge como a candidata natural do grupo governista, contando com o apoio direto do atual governador Ibaneis Rocha. A expectativa é que sua candidatura ganhe tração a partir de 4 de abril, quando Ibaneis deve renunciar ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal, abrindo espaço para Celina assumir o GDF e concorrer à reeleição no exercício do mandato.
No campo da esquerda, consolida-se o nome de Ricardo Cappelli, que deve ser o candidato único do bloco progressista ao Palácio do Buriti. O Planalto já teria alinhado apoio à sua candidatura, articulando a retirada de Leandro Grass da disputa majoritária e direcionando-o para uma candidatura a deputado federal pelo PT.
Já José Roberto Arruda volta a ocupar posição central no debate político. Ex-governador do DF, Arruda mantém capital eleitoral relevante, forte lembrança junto ao eleitorado e capacidade de influenciar alianças. Sua presença no cenário provoca rearranjos imediatos: partidos recalculam estratégias, adversários reforçam discursos e o eleitorado mais tradicional volta a ser disputado.
Embora muitos tratem sua candidatura como instável, por considerá-lo inelegível, há avaliações de que Arruda poderá estar apto a concorrer a partir de julho de 2026, caso se mantenha a atual interpretação sobre a Lei da Ficha Limpa — tema que ainda gera controvérsia jurídica e política.
Correndo por fora, aparece Paula Belmonte, que tenta novamente se viabilizar como candidata ao GDF. Em 2022, sua trajetória foi marcada por instabilidade partidária, culminando no lançamento de candidatura a deputada distrital, movimento que acabou prejudicando aliados e gerou resistências internas. Há quem tema a repetição desse cenário.
Senado Federal: disputa de peso pesado
A eleição de 2026 para o Senado promete ser uma das mais competitivas da história do DF, com duas vagas em disputa e nomes de grande densidade eleitoral:
- Michelle Bolsonaro (PL)
- Bia Kicis (PL)
- Ibaneis Rocha (MDB)
- Sebastião Coelho (NOVO)
- Reguffe (Solidariedade)
- Dr. Vicenzo (PRD)
- Leila Barros (PDT)
- Erika Kokay (PT)
A fragmentação do campo político e a sobreposição de candidaturas fortes elevam o nível da disputa e tornam o resultado altamente imprevisível.
Câmara Federal: rearranjos e apostas altas
Na disputa por vagas na Câmara dos Deputados, alguns nomes perdem força enquanto outros surgem como apostas relevantes. Um dos destaques é o apresentador da Record DF Fred Linhares (Republicanos), apontado como potencial candidato a cerca de 70 mil votos, número inferior ao obtido em 2022. No mesmo partido, Júlio César aparece com expectativa de votação em torno de 50 mil votos. Porém o nome do professor Paulo Fernando começa ganhar força no DF.
A federação PT–PV–PCdoB enfrenta um cenário mais difícil, especialmente com a saída de Erika Kokay da disputa proporcional para concorrer ao Senado, o que pode comprometer o desempenho da chapa federal. Leandro Grass pode oxigenar a nominata.
O PL também sente impacto semelhante, já que não contará com Bia Kicis na nominata proporcional, concentrando esforços na chapa majoritária ao Senado ao lado de Michelle Bolsonaro.
O MDB vive um dilema estratégico: em 2022, apenas Rafael Prudente obteve votação expressiva, enquanto os demais nomes ficaram muito abaixo do necessário para ampliar a bancada.
Já a federação PSB–Cidadania aparece fortalecida com dois ex-governadores na disputa por uma vaga federal: Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg, cenário que pode garantir ao menos uma cadeira.
O PSOL aposta novamente em Fábio Felix, nome consolidado à esquerda, com potencial de ultrapassar os 80 mil votos.
Por fim, o PRD, em federação com o Solidariedade, surge como uma incógnita estratégica. Caso Reguffe opte por não disputar o Senado, uma candidatura à Câmara pode alcançar entre 150 mil e 200 mil votos, abrindo espaço para eleger de dois a três deputados federais. A federação ainda conta com nomes como o bombeiro militar Aylton Gomes e o policial militar Maurício Pardal, além do próprio Sebastião Coelho, que foi convidado para a nominata do PRD caso não avance para a disputa ao Senado.
Um cenário aberto e imprevisível
O conjunto de fatores — novas regras eleitorais, rearranjos partidários, candidaturas fortes e fragmentação política — indica que 2026 será uma eleição de alto risco, alta disputa e poucos favoritos consolidados no Distrito Federal. O tabuleiro permanece aberto, e cada movimento a partir de agora poderá redesenhar completamente o cenário político local.

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