Banner Acima Menu INTERNAS

Pobreza como projeto político? O debate que o Brasil evita

 
O título de “pai dos pobres”, historicamente atribuído a Luiz Inácio Lula da Silva, sempre teve forte apelo simbólico. Ele dialoga com a emoção, com a memória afetiva de programas sociais e com a narrativa de um Estado protetor. No entanto, quando confrontado com a realidade estrutural do país, esse discurso revela uma contradição profunda: a pobreza permanece, se expande e, em muitos casos, se perpetua de geração em geração.
A questão central não é a existência de políticas sociais — elas são necessárias e previstas na Constituição —, mas o modelo político que transforma direitos em favores e cidadãos em dependentes. A pobreza não se reproduz apenas pela falta de renda, mas pela ausência de autonomia. Quando saúde, educação, moradia e assistência são apresentados como concessões pessoais de governantes, o cidadão deixa de ser sujeito de direitos e passa a ser refém de um sistema assistencialista.
A Constituição Federal é clara ao estabelecer que esses direitos são deveres permanentes do Estado brasileiro, independentemente de quem governa. Não são troféus eleitorais, nem instrumentos de propaganda política. Ainda assim, após décadas de projetos que se autodeclaram voltados aos mais pobres, os números seguem alarmantes: cerca de 59 milhões de brasileiros vivem na pobreza, quase 10 milhões na pobreza extrema e milhões em situação de miséria absoluta. Esses dados não indicam sucesso social — indicam a manutenção de um ciclo.
O problema é estrutural. Ao administrar a pobreza em vez de combatê-la, o Estado cria uma relação de dependência contínua. A assistência, que deveria ser temporária e emancipadora, torna-se permanente. A política pública perde o foco na transformação e passa a operar como mecanismo de controle político, garantindo votos em vez de oportunidades reais.
A provocação é inevitável: se Lula é, de fato, o “pai dos pobres”, talvez seja hora de interromper essa herança política. Não no sentido de abandonar quem precisa, mas de romper com a lógica que transforma a miséria em ativo eleitoral. O Brasil precisa parar de “produzir filhos da pobreza” e começar a formar cidadãos autônomos, capazes de viver sem tutela permanente do Estado.
Combater a pobreza exige mais do que transferências de renda. Exige educação de qualidade, geração de empregos sustentáveis, responsabilidade fiscal, políticas públicas eficientes e respeito à inteligência da população. Sem isso, o país continuará preso a um modelo em que a pobreza não é resolvida — é apenas administrada e reproduzida.
Enquanto o discurso insiste em símbolos, a realidade cobra resultados. E a verdadeira justiça social não está em perpetuar dependências, mas em criar caminhos para a liberdade econômica, social e cidadã.

Postar um comentário

0 Comentários