A insatisfação tomou conta da categoria de enfermagem no Distrito Federal. Na manhã deste sábado, técnicos de enfermagem realizaram uma mobilização pública contra o valor da anuidade cobrada pelo Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (COREN-DF) — considerada uma das mais altas do país e, no caso dos técnicos de enfermagem, a mais cara em âmbito nacional.
A cobrança é obrigatória para o exercício legal da profissão e, segundo a legislação, os valores arrecadados devem ser destinados à fiscalização do exercício profissional, manutenção administrativa do conselho e custeio de pessoal. Do total arrecadado no DF, 25% são repassados ao Conselho Federal de Enfermagem (COFEN).
Revolta com custos e falta de retorno
Apesar da obrigatoriedade da anuidade, profissionais da enfermagem questionam a proporcionalidade entre o valor cobrado e a realidade financeira da categoria — especialmente entre técnicos e auxiliares, muitos deles atuando em serviço de home care, com rendimentos instáveis e sem vínculos formais contínuos.
A revolta cresce diante da percepção de que a categoria, embora tenha ampliado sua representação política nos últimos anos, não tem conseguido conter o que os manifestantes classificam como abusos institucionais, esse tema é também constantemente abordado por influencers da área de enfermagem. Para os profissionais, há uma clara sensação de inércia por parte de representantes eleitos que deveriam defender os interesses da base.
Despesas que geram questionamentos
Um dos pontos que mais chamam a atenção da categoria diz respeito à destinação dos recursos arrecadados, tanto os Conselhos Regionais quanto o COFEN custeiam, com recursos das anuidades, viagens com diárias e hospedagens a comitivas para seminários, congressos nacionais de enfermagem, o que gera indignação em uma categoria que enfrenta salários baixos, sobrecarga de trabalho e dificuldades para manter a regularidade financeira junto ao conselho.
Para os profissionais, esse tipo de despesa reforça a sensação de distanciamento entre a gestão dos conselhos e a realidade vivida nos plantões de hospitais, UBS, Upas, clínicas e atendimentos domiciliares.
Liderança do movimento
No Distrito Federal, a mobilização ganhou força com a atuação do técnico de enfermagem Alessandro Cardoso, que tem se destacado como uma das vozes mais ativas contra o que considera uma cobrança incompatível com a realidade da categoria.
Alessandro defende não apenas a redução imediata do valor da anuidade, mas também a criação de mecanismos de facilitação, parcelamento ampliado e políticas diferenciadas para profissionais do home care e trabalhadores com renda variável. Segundo ele, a atual política de cobrança penaliza justamente quem mantém o sistema de saúde funcionando na linha de frente.
Um debate que tende a crescer
O protesto deste sábado expõe um conflito que tende a se intensificar: de um lado, conselhos profissionais com estrutura administrativa robusta; do outro, uma categoria essencial, mas historicamente desvalorizada, que cobra transparência, proporcionalidade e respeito.
A mobilização no DF pode servir de catalisador para um debate nacional sobre o modelo de financiamento dos conselhos de enfermagem e sobre até que ponto os custos administrativos podem ser sustentados por profissionais que enfrentam, diariamente, jornadas exaustivas e remuneração limitada.


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