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MANAUS COMPLETA UM MÊS DE VOLTA ÀS AULAS

Apenas colégios particulares retomaram as aulas até agora; escolas estaduais da capital reabrem dia 10
Primeira capital brasileira onde o sistema de saúde colapsou durante a pandemia de Covid-19, Manaus completou, na quinta-feira (6), um mês desde a volta às aulas na rede particular.
Não houve novos casos da doença confirmados entre os estudantes das escolas particulares, pelo menos até dia 31 de julho, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM).
Na rede pública, a retomada das aulas nas escolas da rede estadual em Manaus será no dia 10 de agosto, mas não há data da volta às aulas na rede municipal nem previsão de retomada das aulas no interior ou na zona ribeirinha de Manaus.
Pioneiras na reabertura, as escolas particulares adotaram medidas de higienização e distanciamento, como aulas híbridas (presenciais em dias alternados com aulas online), redução de turmas, intervalos diferenciados para cada grupo de alunos com controle de interação, mensuração de temperatura e o uso de máscaras e protetores faciais.
De acordo com estimativa do Sindicato dos estabelecimentos Particulares de Ensino do Amazonas (Sinepe-AM), 95% das 200 escolas particulares de Manaus já retomaram as aulas presenciais, pelo menos no modelo híbrido, e estão adotando essas medidas.
Em algumas, as aulas já estão passando para o ensino totalmente presencial. É o caso da escola particular Centro Educacional Batista da Chapada (Cebach), onde o filho da jornalista Mariane Cruz, Nicolas, de 7 anos, cursa o 2º ano do ensino fundamental.
Na escola onde ele estuda as aulas foram retomadas dia 6 de julho, mas os pais que não se sentiam seguros podiam optar pelas aulas online. Nesta semana, no entanto, as aulas voltaram a ser totalmente presenciais.
– No início, antes da retomada, eu cheguei a cogitar tirá-lo da escola e colocá-lo em aula particular, em casa. Mas eu e o pai do Nicolas decidimos ir até a escola e ver como tudo estava sendo preparado e isso nos deu mais segurança – contou Mariane.
Ela mudou a rotina para a volta às aulas. Agora o menino leva o próprio lanche e garrafinha de água, além de uma máscara extra para trocar após o intervalo e seu próprio álcool em gel, que sempre volta pela metade, segundo a mãe.
Na saída, não tem mais brincadeira com os amigos: é da sala de aula para o carro dos pais.
E na volta da aula não tem mais enrolação: é direto para o chuveiro e, a roupa, para lavar – disse ainda Mariane.
Mas boa parte das escolas particulares de Manaus ainda está adotando o modelo híbrido, com a divisão das turmas em dois grupos, que frequentam as aulas presenciais em dias alternados.
É o caso do Centro Educacional Adalberto Valle, onde estuda o filho da empresária Juliana Milagres. A escola, que optou por manter o calendário escolar e dar 20 dias de férias para os estudantes em julho, retomou as aulas no dia 27 de julho, mas apenas pela internet.
A retomada das aulas presenciais intercaladas com aulas online, dentro de um modelo híbrido, aconteceu nesta quarta-feira (5). E, até o fim do ano, haverá aulas aos sábados.
– Antes de começarem as aulas, eles enviaram questionários aos pais para saber o que achávamos. Apesar da preocupação com o momento, estou tranquila com a volta das aulas porque confio muito na escola onde ele está. E ele estava doido para voltar para a escola, porque eles acham um saco assistir às aulas online e sentem saudade dos amigos – relatou Juliana.
Nos dias seguintes à retomada das aulas nas escolas particulares em Manaus, a média móvel de novos casos de Covid-19 entre crianças e adolescentes de 1 a 17 anos aumentou na capital, segundo monitoramento da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM).
Segundo o último boletim da FVS, na faixa etária de 13 a 18 anos, por exemplo, a média móvel de casos novos em 5 de julho, um dia antes da volta às aulas, era de 6. Pouco mais de uma semana depois, a média móvel saltou para 7,6 e, no final de julho, chegou ao índice de 8,3, mesmo nível registrado em maio, quando ocorreu o pico da pandemia do Amazonas.
Entre as crianças de 5 a 9 anos, a média móvel de novos casos, que antes da volta às aulas era de 3,7, passou para 4,0 em 11 de julho e registra uma tendência de alta desde o fim de julho, chegando ao pico de 4,6 em 2 de agosto.
Já na faixa etária de 10 a 12 anos a média móvel de novos casos oscilou entre uma tendência de queda na primeira quinzena de julho e de alta na segunda quinzena, mas voltou a cair no início de agosto.
Em todo o Amazonas foram registrados, até a última segunda-feira (3), 7.235 casos confirmados de Covid-19 e 14 óbitos na população entre 1 e 18 anos. Metade das mortes está na faixa etária de 13 a 18 anos. Em Manaus são 1.410 casos e nove mortes.
O anúncio do dia 10 de agosto para a volta das aulas na rede estadual provocou um movimento de oposição dos dois sindicatos de professores da rede pública, que tentam frear o reinício das atividades e cobram a realização de testes em massa e adequação das salas de aula.
– Nós, que conhecemos a realidade da escola pública no Amazonas, sabemos que não há segurança nenhuma nessa volta precipitada – disse a presidente do Sindicado dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), Ana Cristina Rodrigues.
Segundo ela, muitas escolas nem têm janelas porque são planejadas para o ar-condicionado, devido ao clima quente da região, e só possuem basculantes, que não ventilam a sala. Além disso, há turmas com mais de 50 alunos que, mesmo divididas ao meio, não conseguirão respeitar o distanciamento de 1,5 metro em salas de aula de 48 metros quadrados, de acordo com Rodrigues.
– Sem falar em problemas como escassez de recursos humanos, produtos de limpeza e até água, que já eram comuns antes da pandemia. Soma isso tudo ao transporte público lotado e à decisão de não testar os professores e temos um grande problema.
REDE PÚBLICA
A Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed) informou que está realizando um planejamento para a volta às aulas, que ainda não tem data definida. A Secretaria Estadual de Educação do Amazonas (Seduc) informou que a retomada será gradativa e escalonada em 123 escolas da capital, onde estudam 110 mil alunos.
Os primeiros a retornarem, no dia 10 de agosto, são os estudantes do ensino médio regular e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), na modalidade híbrida: aulas presenciais em dois dias da semana e, nos outros dois, por meio do projeto Aula em Casa, que transmite aulas pela internet e pela TV aberta.
No dia 24 de agosto é a vez do ensino fundamental. Ainda não há previsão para retorno das aulas no interior do estado.
A Seduc informou ainda que as escolas foram adaptadas para a instalação de pias e que investiu R$ 8,5 milhões na aquisição de EPIs e materiais de higienização.
*Folhapress
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