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“Véi” é a cara do brasiliense e já virou até objeto de estudo

 
Palavra deixou a categoria de gíria e está há pelo menos uma década no dialeto usual do brasiliense, principalmente da segunda geração nascida no DF
Quando o assunto é linguística e o jeito de falar do brasiliense, há uma palavra recorrente do vocabulário associada aos nascidos e/ou criados no Distrito Federal: o bom e famoso “véi”. O termo identitário também é falado em outros estados do país, mas aqui assume múltiplos significados – a depender apenas da entonação.
O doutor em linguística pela USP e professor do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas da UnB Marcus Lunguinho trabalha em uma pesquisa sobre as características sintáticas, semânticas e discursivas da palavra – Gramaticalização e vocativos no Português do Centro-Oeste – e já chegou a várias constatações a esse respeito. Ele afirma que a palavra não é gíria porque não tem vida curta, já tendo sido encontrada em trabalhos dos anos 1990.
No quadradinho do DF, “véi” – gíria também presente no vocabulário de mineiros e baianos – não tem gênero e assume o papel de vocativo em referência ao interlocutor. Originário do adjetivo velho, o termo habitualmente é direcionado a pessoas jovens; na linguística, apresenta a chamada gramaticalização, que é quando uma palavra assume outro uso.
“O ‘véi’ é uma palavra multifuncional, que não tem mais o sentido de adjetivo do velho, e tem em Brasília o uso como marcador de uma conversa, perde o gênero formal e tem um grande conjunto de usos”, pontua Lunguinho.
Referência
O ator e humorista Jovane Nunes, 52 anos, também identifica no “véi” uma das referências do dialeto construído em Brasília. Nascido em Ceres (GO), ele se mudou para o DF na adolescência, em 1985, e por aqui estudou, casou, teve filhos e construiu sua carreira.
Ao viajar pelo país com a Companhia de Comédia Melhores do Mundo, Jovane percebe que a neutralidade do sotaque brasiliense não facilita na construção de seus personagens com referência de humor pela linguagem, como ocorre com a caracterização do carioca. A seu ver, porém, o fato de o falar brasiliense não apresentar um sotaque “puro”, como em outros lugares do Brasil, não significa que o povo de Brasília não tenha uma identidade ou cultura próprias.
“Pelo contrário”, diz. “Faço uma analogia do nosso jeito de falar a um elemento da aviação civil: o hub aéreo. Assim como nos grandes centros aeroportuários, como o nosso, temos um hub linguístico por onde passam todos os dialetos do país, deixando alguns elementos que ficam”.

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