Apesar da mobilização do governo para desfazer a confusão, o percentual de reações críticas à fala de Janja nas redes sociais mantém-se próximo de 60%
De acordo com pesquisa interna do governo Lula, a interferência da primeira-dama, Janja, no assunto da taxação de importações mais atrapalhou do que ajudou. Segundo revelações de fontes do governo à Folha de São Paulo, a “explicação” de Janja publicada em um comentário no Twitter exigiu a criação de uma força tarefa dos ministérios da Fazenda e da Comunicação para desfazer a enxurrada de reações negativas.
Apesar do esforço das pastas, o percentual de reações críticas à fala de Janja nas redes sociais mantém-se próximo de 60%. Antes da mobilização, a rejeição à declaração da esposa de Lula chegou a 70%.
Para desfazer a confusão criada por Janja, a pasta chegou a convocar influencers lulistas para a difícil tarefa de convencer o público de que pagar mais imposto seria vantajoso, principalmente, para os mais pobres, já atingidos por outras medidas econômicas desastrosas em apenas 100 dias de governo.
Janja em ação
Na última quarta-feira (12), ao comentar o post de uma página do Twitter criticando a isenção de imposto sobre a importação de produtos com valor de até 50 dólares, a primeira-dama afirmou que “a taxação é para empresas e não para o consumidor”.
A primeira-dama também disse ter consultado pessoalmente o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o tema. “Tô aqui no avião com o Ministro Haddad que me explicou direitinho essa história de taxação. Se trata de combater a sonegação das empresas e não taxar as pessoas que compram”, afirmou.
Após o “esclarecimento” da primeira-dama, o dono da página no Twitter apagou a publicação na tentativa de desfazer a crítica e fez novas publicações endossando a versão oficial do governo.
Além dos inúmeros comentários criticando, desmentindo e fazendo piada com a fala de Janja, as próprias empresas atingidas pela medida se manifestaram afirmando o óbvio. Segundo as gigantes asiáticas Shein, Shopee e AliExpress, “quem paga imposto é o cliente”.
Em defesa de Janja, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, foi às redes sociais reforçar a narrativa mentindo sobre a taxação.
“É mentira que o governo acabou com a isenção de 50 dólares para produtos comprados do exterior. Na verdade esta isenção nunca existiu! Nada muda para quem compra legalmente, pelo contrário, a medida trará mais segurança, rapidez na entrega e garantia de qualidade ao consumidor”, garantiu Pimenta.
Acontece que a isenção sobre a importação de produtos com valor de até 50 dólares existe desde 1999, conforme ficou determinado na Portaria nº 156 emitida pelo Ministério da Fazenda, em 24 de junho daquele ano.
“Os bens que integrem remessa postal internacional no valor de até US$ 50.00 (cinqüenta dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra moeda, serão desembaraçados com isenção do Imposto de Importação, desde que o remetente e o destinatário sejam pessoas físicas”, diz o parágrafo 2º da Portaria.
O argumento defendido por Janja de que a medida do governo é, na verdade, uma forma de combater a sonegação fiscal, também não faz sentido. Na opinião de especialistas, se alguma empresa está se fazendo passar por pessoa física para evitar os impostos, não será punindo o consumidor que o problema será resolvido.
De acordo com Haddad, a nova cobrança irá gerar cerca de R$ 8 bilhões em arrecadação para o governo.
Fonte: Brasil Sem Medo
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