A decisão da Polícia Federal de determinar o retorno imediato de Eduardo Bolsonaro ao cargo de escrivão reacendeu o embate entre o ex-deputado e instituições do Estado. A ordem, publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (2), encerra o afastamento concedido enquanto ele exercia o mandato parlamentar — perdido em dezembro por faltas.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Eduardo afirmou não ter condições de retornar ao Brasil neste momento e classificou a medida como mais um episódio do que chama de “perseguição judicial”. Segundo ele, a cassação do mandato ocorreu por decisão da Mesa Diretora da Câmara, e não do plenário, o que, em sua visão, reforça a tese de irregularidade no processo.
“Não vou entregar meu cargo na Polícia Federal de mãos beijadas. Eu batalhei para passar nesse concurso e vou lutar por ele”, declarou. Eduardo é policial federal concursado desde 2010.
Críticas e comparações
O ex-deputado criticou a rapidez do Estado em seu caso e comparou sua situação à de outros investigados e condenados, citando Jair Bolsonaro e Fernando Collor para sustentar a alegação de tratamento desigual. “Queria ver esse mesmo zelo contra traficantes, assassinos e criminosos do colarinho branco”, afirmou, dizendo haver abuso de poder e falta de normalidade democrática no país.
Risco administrativo
A PF deixou claro que a ausência injustificada pode gerar processo administrativo disciplinar, com base na Lei nº 8.112/1990. A norma prevê demissão em casos de abandono de cargo (mais de 30 dias consecutivos) ou inassiduidade habitual (60 dias intercalados em 12 meses). O ato foi assinado pelo diretor substituto de Gestão de Pessoas, Licínio Nunes de Moraes Netto.
Eduardo está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e, até agora, não informou se cumprirá a determinação.

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