Enquanto crimes patrimoniais com violência continuam em queda no Brasil, os golpes e fraudes seguem em trajetória de crescimento. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostram que o país registrou 2,2 milhões de estelionatos em 2025, o equivalente a um caso a cada 14 segundos.
Desde 2018, quando esse tipo de crime passou a integrar a série histórica do levantamento, o número de ocorrências aumentou 429,8%, consolidando o estelionato como um dos principais desafios da segurança pública brasileira.
Crimes eletrônicos continuam avançando
Segundo o levantamento, os registros de estelionato cresceram 2,7% entre 2024 e 2025, passando de 2,1 milhões para 2,2 milhões de casos.
Já os crimes praticados exclusivamente por meios eletrônicos apresentaram crescimento ainda maior: 20,6%, saltando de 286 mil para 347 mil ocorrências.
O avanço acompanha a expansão das operações financeiras digitais, do comércio eletrônico e do uso de aplicativos bancários no país.
Medo dos golpes supera preocupação com roubos
Pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 83,2% dos brasileiros afirmam temer ser vítimas de golpes aplicados pela internet ou pelo celular.
Outro levantamento da entidade aponta que 15,8% da população com mais de 16 anos, o equivalente a 26,3 milhões de pessoas, afirma ter perdido dinheiro em golpes digitais ao longo de 2025.
Roubos registram queda em diversas modalidades
Enquanto as fraudes aumentaram, vários crimes patrimoniais tradicionais apresentaram redução no período.
Segundo o anuário, houve queda nos registros de:
- Roubo de veículos: -20,6%;
- Roubo a pedestres: -23,4%;
- Roubo a estabelecimentos comerciais: -18,3%;
- Roubo a residências: -19,9%;
- Roubo a instituições financeiras: -35,5%;
- Roubo de cargas: -19,8%;
- Roubo de celulares: -18,6%.
O estudo também aponta redução em outros indicadores de violência, como homicídios e latrocínios.
Facções utilizam estrutura organizada nas fraudes
Na avaliação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o crescimento dos golpes está relacionado ao avanço da digitalização da economia e da bancarização da população.
Segundo o relatório, estados mais urbanizados e com maior integração ao sistema financeiro, como São Paulo e Distrito Federal, concentram parte significativa das ocorrências.
O estudo também afirma que parte das fraudes apresenta um modelo de atuação semelhante ao de organizações criminosas estruturadas, mencionando a participação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em determinados esquemas investigados.
Baixa punição preocupa especialistas
Outro dado destacado pelo anuário é a baixa taxa de responsabilização criminal.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apenas 2,8% das ocorrências de estelionato chegam ao Poder Judiciário.
A entidade também aponta o uso frequente de contas laranja para dispersar rapidamente os recursos obtidos por meio das fraudes.
Na avaliação dos pesquisadores, embora as instituições financeiras monitorem as contas de origem das transferências, ainda há limitações no acompanhamento das contas utilizadas para receber os valores desviados, o que dificulta a identificação e responsabilização dos envolvidos.
Os dados reforçam que o combate aos golpes digitais deverá permanecer entre os principais desafios das autoridades de segurança pública nos próximos anos.

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