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PCC VIROU REFERÊNCIA PARA FACÇÕES INTERNACIONAIS E JÁ ATUA EM 28 PAÍSES

 
O Primeiro Comando da Capital (PCC) tornou-se uma referência para organizações criminosas de diversos países, segundo autoridades brasileiras e italianas que participaram da Conferência de Consenso, realizada no Ministério Público de São Paulo.
Durante o evento, representantes dos dois países defenderam o fortalecimento da cooperação internacional para enfrentar a expansão das facções criminosas, o narcotráfico, a lavagem de dinheiro e a infiltração do crime organizado na economia formal.

Facção ampliou atuação internacional

Giovanni Tartaglia, assessor do Ministério das Relações Exteriores da Itália, afirmou que o PCC deixou de atuar exclusivamente no sistema prisional e passou a desempenhar papel relevante no tráfico internacional de cocaína.
Segundo ele, a organização evoluiu ao longo dos anos.
"A facção passou de um grupo violento a uma rede, de rede a sistema, e de sistema hoje ambiciona ser um poder econômico e social."
Tartaglia também afirmou que o grupo busca ampliar sua influência por meio do controle territorial, da infiltração em atividades econômicas e da atuação em diferentes países.

Presença em 28 países
Dados apresentados durante o encontro, com base em levantamento do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, indicam que o PCC reúne aproximadamente 40 mil integrantes e possui atuação em 28 países distribuídos por quatro continentes.
Segundo as autoridades, essa expansão reforça a necessidade de integração entre órgãos de segurança, Ministério Público e instituições internacionais.

Cooperação internacional
Durante a conferência, Tartaglia defendeu que o combate ao crime organizado seja conduzido dentro dos princípios do Estado de Direito.
"A antimáfia autêntica é respeitosa dos princípios do Estado de Direito. Ela não suspende o Estado de Direito; ela o defende."
O assessor italiano acrescentou que as organizações criminosas modernas nem sempre atuam de forma ostensiva.
"A máfia não é mais apenas violência. Ela pode ser também invisível e silenciosa, mas não por isso é menos perigosa."

Combate à corrupção
O promotor Lincoln Gakiya, integrante do Gaeco e um dos principais investigadores das atividades do PCC, destacou que o enfrentamento ao crime organizado também depende do combate à corrupção.
"Não existe crime organizado, em lugar nenhum do mundo, sem a colaboração de agentes do Estado."
Gakiya lembrou que o PCC surgiu em 1993, dentro do sistema penitenciário paulista, e desde então ampliou significativamente sua estrutura.

Autoridades defendem resposta coordenada
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou que o Brasil vem intensificando as ações contra as organizações criminosas.
Já o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira, avaliou que o país passou muitos anos sem dar prioridade ao enfrentamento das facções.
Segundo ele, o fortalecimento da cooperação entre instituições nacionais e internacionais será um dos principais desafios para conter a expansão do crime organizado.

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