A convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada neste sábado, marcou o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Um dos momentos de maior repercussão do evento foi a exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial simulando uma mensagem do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No vídeo, a imagem e a voz de Bolsonaro foram reproduzidas por meio de recursos de inteligência artificial. A apresentação ocorreu porque o ex-presidente está impedido de participar presencialmente do ato em razão das medidas cautelares impostas pela Justiça.
A utilização do recurso rapidamente provocou reações no meio jurídico e político.
Especialistas apontam possível discussão jurídica
Em artigo publicado pelo UOL, o advogado e professor de Direito Eleitoral Fernando Neisser afirmou que a legislação eleitoral proíbe o uso de deepfakes durante campanhas eleitorais.
Segundo o jurista, a vedação não se limita à utilização de inteligência artificial para atacar adversários, mas também alcança reproduções artificiais de pessoas reais, ainda que exista consentimento.
Na avaliação apresentada pelo especialista, o episódio poderá ser analisado pela Justiça Eleitoral para verificar eventual descumprimento das normas em vigor.
Aliados contestam interpretação
Integrantes e apoiadores do PL, por outro lado, sustentam que o vídeo teve caráter simbólico e argumentam que a manifestação buscou representar a posição política do ex-presidente diante das restrições judiciais impostas a ele.
Também criticam a possibilidade de eventual punição em razão da utilização da tecnologia, afirmando que o caso envolve liberdade de manifestação e expressão política.
Tema pode chegar à Justiça Eleitoral
Até o momento, não havia decisão da Justiça Eleitoral sobre o vídeo exibido na convenção.
Caso haja representação formal, caberá ao Tribunal Superior Eleitoral analisar se a utilização da inteligência artificial se enquadra nas regras eleitorais atualmente vigentes e se houve alguma irregularidade passível de sanção.
O episódio amplia o debate sobre os limites do uso da inteligência artificial nas campanhas eleitorais de 2026, tema que vem ganhando espaço diante da evolução das ferramentas de geração de imagens, vídeos e vozes sintéticas e dos desafios para aplicação da legislação eleitoral.

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