A Colômbia deu uma guinada na política de segurança. O presidente Abelardo de la Espriella determinou que sejam efetivadas as extradições para os Estados Unidos de cinco integrantes de organizações armadas que participaram de processos de negociação durante o governo de Gustavo Petro.
As extradições já haviam sido autorizadas em 2025, mas estavam suspensas justamente porque os envolvidos participavam das mesas de diálogo promovidas dentro da política conhecida como “Paz Total”. Agora, o novo governo decidiu retirar essa proteção.
A decisão é considerada uma das demonstrações mais claras da mudança de postura adotada por De la Espriella desde que assumiu a Presidência, em 5 de agosto.
Quem será extraditado
Três dos cinco alvos estão sob custódia das autoridades colombianas: Willington Henao Gutiérrez, conhecido como “Mocho Olmedo”, ligado a dissidências das Farc; Carmen Evelio Castillo Carrillo, o “Muñeca”, apontado como liderança dos Los Pachencas; e Geovany Andrés Rojas, o “Araña”, ligado aos Comandos de Frontera.
Outros dois, Gabriel Yepes Mejía, conhecido como “HH”, e Fredy Castillo Carrillo, o “Pinocho”, permanecem foragidos. O governo determinou que as autoridades avancem na localização e prisão dos dois para que também possam ser enviados aos Estados Unidos.
Segundo o governo colombiano, eles são procurados pela Justiça norte-americana por acusações relacionadas, dependendo de cada caso, a narcotráfico, lavagem de dinheiro, associação criminosa, armas e narcoterrorismo.
Governo diz que negociações não produziram resultados
A justificativa apresentada por De la Espriella é de que a participação dos acusados nas negociações não produziu contribuições concretas e verificáveis que justificassem a manutenção da suspensão das extradições.
A mensagem do novo governo é que participar de uma mesa de negociação não poderá mais funcionar como proteção permanente contra processos judiciais.
A decisão representa um rompimento direto com uma das principais políticas do governo Petro. A “Paz Total” buscava negociar simultaneamente com diferentes organizações armadas e criminosas na tentativa de reduzir a violência e levar integrantes desses grupos para a legalidade.
Nova política coloca segurança no centro
De la Espriella pretende substituir a estratégia anterior por uma política baseada em maior repressão aos grupos armados, fortalecimento da autoridade estatal e cooperação com outros países.
Em apenas 16 dias de governo, o presidente colombiano afirmou já ter assinado mais de 30 extradições, sinalizando que a entrega de procurados aos Estados Unidos terá papel importante na nova política de enfrentamento ao narcotráfico e ao crime organizado.
A decisão envolvendo os cinco antigos negociadores é especialmente simbólica porque encerra suspensões concedidas durante os diálogos conduzidos pela administração anterior.
Aproximação com os Estados Unidos
O movimento também sinaliza uma retomada mais intensa da cooperação entre Colômbia e Estados Unidos no combate ao narcotráfico.
A mudança é significativa porque a Colômbia ocupa posição estratégica nas operações internacionais contra organizações responsáveis pela produção e distribuição de cocaína.
Ao determinar as extradições, De la Espriella deixa uma mensagem clara logo nas primeiras semanas de mandato: negociações de paz não serão suficientes para impedir a atuação da Justiça quando o governo considerar que não existem resultados concretos.
A reportagem que motivou esta matéria foi publicada nesta quinta-feira (27) pela Revista Timeline. A informação sobre as cinco extradições também foi confirmada oficialmente pela Presidência da Colômbia e repercutida por diferentes veículos internacionais.

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