A relação entre Flávio Bolsonaro e parte do mercado financeiro começa a entrar em uma nova fase. Depois de meses em que o candidato do PL buscou aproximação com empresários e investidores, setores da Faria Lima passaram a organizar novos encontros para ouvi-lo.
Segundo informações publicadas nos últimos dias, jantares com Flávio começaram a ser articulados para o fim de agosto. O movimento chama atenção porque acontece depois de um período de resistência de parte do mercado à candidatura do senador.
A mudança não significa que a Faria Lima tenha decidido apoiar Flávio Bolsonaro. O mercado financeiro reúne grupos com interesses e posições políticas diferentes. Mas existe uma mudança importante na forma como sua candidatura está sendo tratada.
Flávio deixou de ser apenas um candidato tentando abrir as portas do mercado. Agora, setores do próprio mercado querem sentar com ele para entender suas propostas.
Faria Lima quer ouvir Flávio
Os encontros devem servir principalmente para discutir economia, responsabilidade fiscal, dívida pública, impostos, ambiente de negócios e as primeiras medidas de um eventual governo.
Essa aproximação não começou agora.
Desde o início do ano, Flávio vem realizando encontros com empresários e representantes do mercado financeiro. Em maio, sua campanha já trabalhava para ampliar esse diálogo e reduzir a resistência ao seu nome fora do eleitorado tradicional da direita.
A diferença é que agora a movimentação também parte de setores que anteriormente demonstravam dúvidas sobre sua candidatura.
Campanha reforçou equipe econômica
Outro movimento importante aconteceu dentro da própria campanha.
Flávio reforçou sua equipe econômica com nomes conhecidos pelo mercado, entre eles Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, e Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia.
Também passaram a participar da elaboração de propostas nomes como Adriano Pires, na área de energia e infraestrutura, e Carolina Ragazzi, que já foi vice-presidente do Goldman Sachs no Brasil.
A estratégia é apresentar uma equipe capaz de responder uma das perguntas que mais interessam aos investidores: como seria a economia em um eventual governo Flávio Bolsonaro?
Entre os temas que vêm sendo discutidos estão controle da dívida pública, revisão de subsídios, redução dos custos do emprego formal e responsabilidade fiscal. Parte dessas propostas ainda precisa ser detalhada pela campanha.
Flávio vai à Fiesp e amplia diálogo com empresários
A aproximação ganhou mais um capítulo nesta segunda-feira (24).
Flávio participou de evento na Fiesp, em São Paulo, e voltou a apresentar propostas econômicas diante de empresários. Durante a agenda, falou sobre responsabilidade fiscal, redução de despesas, impostos e recuperação da confiança na economia.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que algumas das posições defendidas pelo candidato estão alinhadas aos valores da entidade, embora tenha ressaltado o caráter apartidário da instituição.
Flávio também participou de jantar com empresários, ampliando uma sequência de encontros com o setor produtivo paulista.
Mercado começa a levar candidatura mais a sério
Existe uma explicação política para essa aproximação.
Flávio Bolsonaro se consolidou como principal nome da direita na corrida presidencial e aparece competitivo nas pesquisas contra Lula.
Para bancos, fundos, investidores e grandes empresas, ignorar um candidato com possibilidade de chegar ao segundo turno significa correr o risco de conhecer suas propostas somente quando a eleição já estiver praticamente definida.
É natural, portanto, que o mercado queira antecipar essa conversa.
Empresários querem saber quais serão as prioridades econômicas, quem poderá ocupar postos importantes e como um eventual governo pretende enfrentar questões como dívida, juros, impostos e crescimento.
De resistência para uma cadeira à mesa
Talvez esse seja o ponto mais interessante dessa movimentação.
Durante meses, foi Flávio Bolsonaro quem procurou empresários e representantes da Faria Lima.
Sua campanha organizou encontros justamente para diminuir resistências e apresentar uma imagem mais previsível na área econômica.
Agora começa um movimento na direção contrária.
Setores da Faria Lima passaram a procurar Flávio.
Isso não representa apoio eleitoral e muito menos significa que banqueiros e investidores tenham fechado posição em torno do candidato.
Representa algo diferente e politicamente relevante: reconhecimento de que sua candidatura precisa ser considerada nos cenários econômicos para 2027.
Flávio tenta conquistar confiança além da direita
Para Flávio, essa aproximação também possui importância eleitoral.
O candidato já possui forte presença entre eleitores identificados com a direita. Seu desafio é ampliar essa base e conquistar segmentos que ainda possuem dúvidas sobre sua capacidade de governar.
O mercado é um desses ambientes.
Ao apresentar uma equipe econômica conhecida e aceitar uma sequência de conversas com empresários, Flávio tenta transmitir previsibilidade para um público que normalmente olha menos para discursos de campanha e mais para números, equipe e capacidade de execução.
A aproximação ainda está começando e não permite falar em adesão da Faria Lima à candidatura.
Mas existe uma diferença clara entre o cenário de alguns meses atrás e o atual.
Antes, Flávio precisava convencer o mercado a ouvi-lo. Agora, setores do próprio mercado estão chamando Flávio para conversar.
E, numa eleição cada vez mais apertada, essa mudança de postura pode ser tão importante quanto qualquer declaração formal de apoio.

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