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GLENN GREENWALD DISPARA CONTRA MORAES: “É O PERIGO MAIS GRAVE QUE A DEMOCRACIA BRASILEIRA ENFRENTA”

 
O jornalista Glenn Greenwald voltou a fazer duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e afirmou que considera o magistrado uma ameaça à democracia brasileira.
Durante entrevista ao programa Conversa com Augusto Nunes, nesta terça-feira (18), Greenwald falou sobre liberdade de imprensa, atuação do STF e as pressões que afirma ter enfrentado depois da publicação de reportagens envolvendo os bastidores do gabinete de Moraes.
“Alexandre de Moraes não tem limites”, afirmou o jornalista.

Greenwald diz que teve receio antes de publicar material
Conhecido por reportagens envolvendo governos e autoridades de diferentes países, Greenwald afirmou que raramente teve dúvidas sobre publicar informações de interesse público por medo das consequências.
Segundo ele, isso mudou em 2024, quando recebeu um arquivo contendo material relacionado ao gabinete de Alexandre de Moraes.
Greenwald disse que, pela primeira vez, discutiu internamente os riscos de avançar com as publicações.
Para o jornalista, o problema estaria na dificuldade de estabelecer limites ao poder exercido pelo ministro.
O material acabou sendo analisado em parceria com a Folha de S.Paulo e deu origem a uma série de reportagens sobre os bastidores de decisões e procedimentos ligados ao gabinete de Moraes.

Jornalista relata pressão após reportagens
Greenwald também afirmou que, depois das primeiras publicações, passou a perceber movimentos que interpretou como tentativas de intimidação.
Segundo seu relato, informações sobre possíveis medidas contra os responsáveis pelas reportagens começaram a circular em veículos ligados à esquerda.
Apesar disso, ele afirmou que o trabalho continuou e que o material considerado jornalisticamente relevante foi publicado.
As afirmações representam a avaliação de Greenwald sobre os episódios. Acusações específicas envolvendo autoridades e servidores precisam ser analisadas dentro dos respectivos procedimentos e com direito à manifestação dos citados.

“Quando um juiz se torna um ator político”
Outro ponto da entrevista foi a relação entre integrantes do Supremo e a política.
Greenwald defendeu que ministros de uma Suprema Corte precisam manter distância dos atores políticos sobre os quais eventualmente terão de decidir.
“Quando um juiz se torna um ator político, o sistema jurídico está totalmente corrompido”, afirmou.
Ele citou aparições de ministros em ambientes políticos e a proximidade pública com autoridades como situações que, em sua avaliação, prejudicam a percepção de independência do Judiciário.

Greenwald também critica Globo e grupos que apoiaram atuação do STF
O jornalista não restringiu suas críticas a Moraes.
Segundo Greenwald, setores da imprensa e grupos influentes teriam apoiado a ampliação dos poderes exercidos pelo Supremo durante o governo de Jair Bolsonaro por enxergarem naquele momento uma necessidade de conter o então presidente e seus aliados.
Ele citou especificamente a Rede Globo e afirmou que parte desses setores passou posteriormente a questionar a atuação de Moraes.
Na visão de Greenwald, essa reação teria ocorrido tarde demais.
O argumento apresentado pelo jornalista é que poderes concedidos às instituições em momentos excepcionais dificilmente são devolvidos espontaneamente depois que a situação política muda.

Greenwald defende impeachment de Moraes
O momento mais forte da entrevista ocorreu quando Greenwald foi questionado sobre o que mudaria no Brasil caso tivesse poder para resolver um dos problemas que considera mais graves.
Sua resposta foi direta: o impeachment de Alexandre de Moraes.
Greenwald também mencionou o ministro Gilmar Mendes durante suas críticas ao Supremo, mas apontou Moraes como sua principal preocupação.
“Ele é o perigo mais grave que a democracia brasileira enfrenta”, declarou.
Essa é uma avaliação política e jurídica feita pelo próprio jornalista, e não uma conclusão institucional sobre a atuação do ministro.

Críticas colocam liberdade de imprensa novamente no centro do debate
As declarações de Greenwald aparecem em um momento de forte discussão sobre os limites da atuação do Judiciário e as garantias constitucionais concedidas aos jornalistas.
O próprio histórico de Greenwald torna sua manifestação especialmente relevante nesse debate. Ao longo dos anos, o jornalista publicou investigações envolvendo diferentes governos, grupos políticos e autoridades.
Agora, sua crítica está direcionada ao Supremo e, principalmente, a Alexandre de Moraes.
Independentemente da concordância ou discordância com Greenwald, existe uma questão que merece permanecer aberta em qualquer democracia:
quem fiscaliza aqueles que possuem poder para investigar, julgar e impor limites aos demais?

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