A reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, colocou novamente no radar de Brasília um assunto que provocou uma das maiores derrotas políticas recentes do governo: Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal (STF).
Messias já foi indicado por Lula para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Em 29 de abril, porém, o Senado rejeitou seu nome por 42 votos contrários e 34 favoráveis. Eram necessários pelo menos 41 votos favoráveis para a aprovação.
Agora, com Lula e Alcolumbre voltando a conversar, uma possível nova tentativa começa a movimentar os bastidores.
Lula e Alcolumbre voltam a conversar
A relação entre os dois ficou abalada justamente após a derrota de Messias.
Nos últimos dias, entretanto, Lula e Alcolumbre voltaram a se encontrar. Houve uma aproximação na residência do ministro Alexandre de Moraes e, nesta quarta-feira (12), uma nova reunião no Palácio da Alvorada.
A mudança de ambiente político imediatamente reacendeu as especulações sobre uma segunda indicação de Messias.
Há relatos recentes de que Alcolumbre teria flexibilizado sua resistência a uma eventual nova indicação. Mas existe um detalhe importante: segundo apuração publicada nesta quarta-feira, Messias não foi discutido no encontro mais recente entre Lula e Alcolumbre. Pessoas próximas ao presidente do Senado dizem que ele considera o diálogo com Lula integralmente restabelecido justamente sem a retomada desse conflito.
Eleição aumenta o peso da decisão
O calendário eleitoral torna qualquer movimentação ainda mais delicada.
Depois da primeira derrota de Messias, Alcolumbre chegou a sinalizar a parlamentares da oposição que uma nova indicação para o STF deveria ficar para quem vencer a eleição presidencial de 2026.
É exatamente por isso que uma eventual nova tentativa antes das urnas teria enorme peso político.
Caso Lula seja derrotado e a indicação fique para 2027, o próximo presidente poderá escolher quem ocupará a cadeira atualmente vaga.
Por outro lado, enquanto estiver no cargo, Lula mantém constitucionalmente a prerrogativa de enviar uma nova indicação ao Senado. A própria Agência Senado confirmou essa possibilidade após a rejeição de Messias.
Medo da derrota ou estratégia política?
É possível interpretar uma eventual tentativa antes das eleições como uma corrida contra o calendário. Mas afirmar que Lula está fazendo isso porque “tem medo de perder” exige cuidado.
Não há, até agora, evidência pública de que essa seja a motivação declarada pelo presidente.
O que existe é uma realidade política bastante objetiva: se Lula não conseguir preencher a vaga durante seu mandato e perder a eleição, perderá também o poder de fazer essa indicação.
Por isso, cada encontro com Alcolumbre passa a ser observado com atenção.
Messias terá uma segunda chance?
O problema para Lula continua sendo o mesmo: não basta indicar.
O escolhido precisa passar pela CCJ e depois conquistar pelo menos 41 votos no plenário do Senado. Messias ficou sete votos abaixo desse número na primeira tentativa.
A reaproximação com Alcolumbre pode mudar o ambiente político, mas ainda não existe garantia de que mudará os votos necessários.
A grande pergunta agora é outra:
Lula conseguirá construir uma segunda chance para Messias antes que os brasileiros decidam nas urnas quem comandará o país a partir de 2027?

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