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O “RONALDINHO DOS NEGÓCIOS” VOLTA AOS HOLOFOTES: DUAS DÉCADAS DEPOIS, LULINHA REAPARECE EM NOVA INVESTIGAÇÃO


Duas décadas separam dois episódios completamente diferentes, mas com um personagem em comum: Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
Nos anos 2000, seu nome ganhou destaque por causa da relação entre a Gamecorp e a Telemar, posteriormente Oi. Agora, Lulinha volta ao noticiário em meio às investigações relacionadas ao chamado “Careca do INSS”.
Não existe condenação de Lulinha nesses episódios. No caso atual, as suspeitas ainda estão sob investigação e sua defesa nega irregularidades.
Mas a repetição do nome do filho do presidente em negócios que acabam despertando interesse das autoridades inevitavelmente provoca questionamentos políticos.

Da Gamecorp aos milhões da Telemar
O primeiro grande episódio começou em 2005, durante o primeiro governo Lula.
A Telemar investiu R$ 5 milhões na Gamecorp, empresa que tinha Lulinha entre seus sócios. Anos depois, a Lava Jato investigou negócios envolvendo empresas relacionadas aos sócios de Fábio Luís e o grupo Oi/Telemar.
A investigação acabou arquivada em 2022, sem condenação de Lulinha.
Juridicamente, portanto, aquele capítulo terminou sem que ele fosse considerado culpado.
Politicamente, porém, a relação entre uma grande concessionária de telecomunicações e uma empresa que possuía o filho do presidente entre seus sócios marcou durante anos o debate sobre a atuação empresarial de Lulinha.

Vinte anos depois, outro caso
Agora o cenário é completamente diferente.
O nome de Lulinha voltou ao debate por causa das investigações relacionadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Segundo o relato de um informante apresentado aos investigadores, existiriam pagamentos relacionados a uma suposta atuação para facilitar contatos ou acesso a áreas do governo ligadas à saúde e à Anvisa em negócios envolvendo cannabis medicinal.
Uma das personagens dessa investigação é a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, que teria recebido valores da World Cannabis.
Ela confirmou ter apresentado Lulinha ao Careca do INSS, mas negou ter realizado repasses ao filho do presidente.
A defesa de Fábio Luís também rejeita qualquer irregularidade.
Portanto, neste momento, suspeita não pode ser apresentada como condenação.

Coincidência ou influência do sobrenome?
É justamente aqui que surge a discussão política.
Lulinha não ocupa cargo no governo.
Mesmo assim, seu nome atravessou diferentes momentos da história política do pai e apareceu relacionado a negócios que posteriormente despertaram questionamentos ou investigações.
Primeiro, telecomunicações.
Agora, as suspeitas envolvem negócios ligados à saúde.
Isso não comprova crime.
Mas permite uma pergunta legítima: quanto vale, no mundo dos negócios, a proximidade com o poder?
O próprio Lula já utilizou uma comparação que ficou famosa ao defender a capacidade empresarial do filho, associando seu talento ao de Ronaldinho no futebol.
A frase atravessou os anos.
E agora volta a ganhar significado político.

O “Ronaldinho” volta aos holofotes
A Justiça precisa determinar se existe alguma irregularidade no episódio atual.
Até que isso aconteça, Lulinha deve ser tratado como alguém citado em suspeitas e alegações ainda sob apuração, não como culpado.
Mas existe uma questão política que nenhuma decisão judicial consegue impedir que seja feita.
Depois de aproximadamente duas décadas, diferentes personagens, empresas e setores econômicos passaram por essas histórias.
Uma coisa permaneceu:
o sobrenome Lula da Silva voltou ao centro dos questionamentos.
Pode ser coincidência.
Pode existir uma explicação empresarial para cada episódio.
Ou pode haver algo que as investigações ainda precisam esclarecer.
É justamente por isso que, vinte anos depois, o chamado “Ronaldinho dos negócios” volta novamente aos holofotes.

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