Sócio sênior e chairman do BTG Pactual acredita em segundo turno extremamente apertado e diz que ainda não é possível saber para qual lado penderá a disputa
A eleição presidencial de 2026 poderá repetir o cenário de forte equilíbrio registrado quatro anos atrás. A avaliação é de André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, que projetou nesta segunda-feira (14) uma disputa praticamente voto a voto pela Presidência da República.
Durante evento realizado em São Paulo, Esteves resumiu sua expectativa em uma frase:
“Eu acho que a eleição vai ser 51% a 49%, só não sabemos pra quem.”
A projeção chama atenção porque lembra diretamente o resultado da eleição presidencial de 2022.
Naquele ano, Luiz Inácio Lula da Silva venceu Jair Bolsonaro no segundo turno com 50,90% dos votos válidos contra 49,10%, uma diferença de pouco mais de dois milhões de votos.
Segundo turno é cenário mais provável
Para Esteves, dificilmente a eleição será definida já na primeira votação.
O executivo avalia que os levantamentos eleitorais vêm apresentando um cenário competitivo e com pouca margem para que algum candidato consiga ultrapassar a barreira necessária para vencer no primeiro turno.
Por isso, considera o segundo turno o desfecho mais provável.
A avaliação ocorre no mesmo dia em que o BTG Pactual divulgou uma nova rodada da pesquisa realizada em parceria com a Nexus.
No levantamento, Lula aparece com 40% contra 36% de Flávio Bolsonaro em um dos cenários apresentados.
Nas simulações de segundo turno, o atual presidente aparece em situação de forte equilíbrio com adversários, reforçando a percepção de que a sucessão presidencial poderá ser decidida por uma margem pequena.
Uma eleição que pode repetir 2022
A fala de Esteves ganha peso justamente pelo precedente da última eleição.
Em 2022, o Brasil assistiu à disputa presidencial mais apertada desde a redemocratização. Agora, a avaliação do empresário é que 2026 poderá novamente produzir uma divisão muito próxima de metade do eleitorado para cada lado.
A diferença é que, desta vez, Flávio Bolsonaro tenta ocupar o espaço eleitoral anteriormente liderado pelo pai, Jair Bolsonaro, enquanto Lula busca mais um mandato.
A declaração de Esteves também deixa uma questão em aberto: se a eleição realmente terminar em 51% a 49%, quem ficará com os 51%?
Próximo presidente encontrará outro Brasil
Apesar da incerteza eleitoral, Esteves demonstrou uma visão positiva sobre as condições estruturais do país.
Segundo ele, quem assumir a Presidência encontrará um Brasil mais organizado do que aquele enfrentado pelos governos que chegaram ao poder em momentos como 1994 e 2002.
Para o banqueiro, decisões tomadas pela sociedade brasileira ao longo das últimas décadas contribuíram para fortalecer determinadas estruturas econômicas e institucionais.
Esteves defende queda forte dos juros
O chairman do BTG também abordou a política monetária.
Com a Selic em 14% ao ano, Esteves afirmou que o Brasil ainda precisa chegar a níveis de juros que classificou como “civilizados”.
Na avaliação dele, reduzir a taxa de 14% para aproximadamente 7% é uma meta possível, desde que o país avance no equilíbrio fiscal.
A redução dessa magnitude, segundo Esteves, provocaria uma mudança relevante na economia brasileira.
Para chegar lá, entretanto, ele defende um ajuste que envolva tanto controle das despesas quanto revisão de distorções existentes na arrecadação.
51% a 49% coloca cada voto no centro da eleição
A principal mensagem deixada pelo banqueiro, entretanto, foi eleitoral.
Se a projeção de André Esteves estiver correta, o Brasil poderá entrar novamente em um segundo turno no qual pequenas mudanças de comportamento do eleitor serão suficientes para definir quem comandará o país pelos quatro anos seguintes.
Com Lula e Flávio Bolsonaro protagonizando uma disputa cada vez mais competitiva nas pesquisas, 2026 poderá repetir uma característica marcante de 2022: uma eleição presidencial decidida no detalhe.

0 Comentários
Obrigado pela sugestão.