Ação autorizada por Flávio Dino investiga suspeitas de desvios de recursos públicos relacionados ao filme “Dark Horse”
Poucas horas depois de o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, suspender as decisões que envolviam a cúpula da Polícia Federal, uma nova operação atingiu nomes ligados ao bolsonarismo.
A Operação Make Up foi deflagrada nesta quinta-feira (10) para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos destinados a projetos executados por organizações da sociedade civil.
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF.
Entre os alvos está o deputado federal Mario Frias, do PL de São Paulo, ex-secretário da Cultura do governo Jair Bolsonaro e um dos responsáveis pelo filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente.
Operação acontece após crise envolvendo a PF
A ação ocorreu após Fachin suspender duas decisões conflitantes sobre o comando da Polícia Federal.
André Mendonça havia determinado o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.
Em seguida, Flávio Dino ordenou o retorno dos dois delegados. Diante do conflito, Fachin suspendeu as duas determinações e manteve os integrantes da cúpula da PF nos cargos enquanto o plenário não analisa o caso.
A proximidade entre a manutenção dos delegados e a operação contra nomes ligados ao bolsonarismo provocou forte reação política nas redes sociais.
No entanto, até o momento, não existem provas de que uma decisão tenha provocado a outra. A Operação Make Up já dependia de investigação anterior e de autorização judicial.
Filme sobre Bolsonaro aparece na investigação
A Polícia Federal apura se recursos públicos destinados a projetos sociais e culturais foram desviados para outras finalidades, incluindo o possível financiamento de “Dark Horse”.
Mario Frias aparece como produtor-executivo e roteirista do filme. O parlamentar também é investigado por emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à empresária Karina Ferreira da Gama.
Karina é proprietária da GoUp Entertainment, produtora responsável pelo longa, e também está entre os alvos da operação. Outras entidades relacionadas à empresária foram incluídas na investigação.
Segundo a apuração, empresas ligadas ao grupo teriam movimentado centenas de milhões de reais. A PF investiga possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude em licitações.
As suspeitas ainda serão investigadas e não representam condenação dos envolvidos.
PF apreende armas de Mario Frias
Durante as buscas, agentes apreenderam sete armas registradas em nome de Mario Frias.
De acordo com as informações divulgadas, o armamento foi encontrado em endereço diferente do que constava nos registros. A Polícia Federal deverá analisar se houve alguma irregularidade relacionada à guarda das armas.
Computadores, celulares e documentos também foram recolhidos e serão submetidos à perícia.
Medidas atingem pessoas e empresas
Além dos 49 mandados de busca e apreensão, a operação estabeleceu restrições contra investigados.
Ao menos 29 pessoas ficaram proibidas de manter contato entre si ou deixar o país. Outras 22 empresas e entidades foram impedidas de contratar com o poder público.
Os investigadores também analisam possíveis ligações entre os alvos, contratos de instalação de internet pública em São Paulo, emendas parlamentares e empresas mencionadas em outras investigações.
Momento da operação provoca reação política
A operação acontece durante uma disputa eleitoral marcada pelo confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro e em meio à maior crise recente do STF.
Aliados de Bolsonaro passaram a questionar o momento escolhido para a ação e a atuação da Polícia Federal contra integrantes da direita.
A investigação, entretanto, foi autorizada pelo STF e trata de suspeitas relacionadas à aplicação de recursos públicos. Caberá à PF reunir as provas, aos investigados apresentar suas defesas e à Justiça decidir se as suspeitas resultarão em acusações formais.
A sequência dos acontecimentos deverá aumentar a tensão política e transformar a Operação Make Up em mais um ponto central da disputa eleitoral de 2026.
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