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ARQUIVOS DO CELULAR DE VORCARO CHEGAM A GILMAR E ZANIN ANTES DE JULGAMENTO DE MORAES

 
Dados foram entregues pela Polícia Federal na véspera da sessão que analisará a validade do relatório e uma possível investigação contra o ministro do STF
Os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, confirmaram nesta segunda-feira, 14, o recebimento dos arquivos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A Polícia Federal entregou o material aos gabinetes depois de sucessivos pedidos para que os ministros tivessem acesso integral aos dados antes do julgamento marcado para esta terça-feira, 15.
A sessão poderá decidir pela abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes ou pela anulação do relatório produzido pela PF com base nas informações encontradas no aparelho.

Celular foi apreendido em 2025
O telefone de Vorcaro foi apreendido em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Relatórios da Polícia Federal apontam a existência de mensagens entre o empresário e Alexandre de Moraes. O material também registra conversas nas quais Vorcaro teria feito pedidos ao ministro e tratado com funcionários do Banco Master de assuntos relacionados ao magistrado e à sua família.
O conteúdo ainda será analisado pelo Supremo e, isoladamente, não representa uma conclusão sobre a existência de crime.

Gilmar e Zanin cobraram acesso integral
Cristiano Zanin argumentou que todos os integrantes do STF precisam ter acesso às mesmas informações antes de participar de uma decisão colegiada.
Segundo o ministro, não existe hierarquia entre os membros da Corte. Por isso, nenhum magistrado deveria receber menos informações do que aquelas colocadas à disposição do relator.
Gilmar Mendes apresentou um argumento semelhante. O decano afirmou que os ministros deveriam conhecer todo o material relevante, sem depender apenas de resumos ou trechos selecionados das conversas.
Após as cobranças, a Polícia Federal enviou as cópias aos dois gabinetes.

Mendonça alertou sobre risco às investigações
André Mendonça havia se manifestado contra a distribuição completa do conteúdo neste momento.
O ministro afirmou que todos os elementos necessários para o julgamento já estavam disponíveis nos autos. Para ele, a inclusão de informações sem relação direta com o processo poderia tumultuar a sessão e prejudicar outras investigações.
Mendonça também informou que uma cópia de segurança entregue ao seu gabinete estava armazenada em um disco rígido criptografado, mantido lacrado e sem ter sido acessado por sua equipe.

PGR pede anulação do relatório
A Procuradoria-Geral da República questiona a validade do relatório produzido pela Polícia Federal.
A PGR sustenta que André Mendonça não teria competência para autorizar uma apuração envolvendo outro ministro do Supremo. Com esse argumento, pediu que o material seja anulado.
O plenário deverá decidir se aceita a posição da Procuradoria ou se existem elementos suficientes para permitir o avanço de uma investigação contra Moraes.

Sessão pode aprofundar crise no STF
A entrega dos dados aumenta o peso do julgamento desta terça-feira.
Gilmar e Zanin poderão analisar diretamente o conteúdo extraído do celular de Vorcaro antes de apresentarem seus votos. A expectativa é que as mensagens, a forma como foram obtidas e a competência para autorizar a apuração estejam no centro dos debates.
Se o relatório for anulado, as informações produzidas pela PF poderão perder validade dentro do processo. Caso o Supremo permita o avanço das apurações, Alexandre de Moraes poderá se tornar formalmente investigado.
Qualquer uma das decisões terá forte repercussão política e poderá abrir um novo capítulo na crise interna que atinge a maior Corte do país.

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