Autoridades americanas afirmam que punições contra Alexandre de Moraes podem ser retomadas a qualquer momento; outros ministros do Supremo também estariam sob avaliação
Poucas horas antes de uma sessão decisiva no Supremo Tribunal Federal, uma informação vinda de Washington aumenta ainda mais a pressão sobre Alexandre de Moraes.
Autoridades dos Estados Unidos afirmam que o governo de Donald Trump avalia retomar sanções da Lei Global Magnitsky contra Moraes e que novas medidas envolvendo integrantes do STF também estão em discussão.
A informação foi publicada pelo UOL nesta segunda-feira (14), com base em fontes americanas ouvidas sob anonimato. Até o momento, entretanto, não houve anúncio oficial de uma nova sanção.
Segundo a apuração, o processo que fundamentou as punições impostas anteriormente a Moraes continuaria sendo considerado válido pelo Departamento do Tesouro americano.
Isso poderia facilitar uma eventual reativação das restrições caso o Departamento de Estado dê aval político para a medida.
Moraes volta ao centro das atenções em Washington
Moraes foi sancionado pelos Estados Unidos em 2025 com base na Lei Global Magnitsky. Sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, e uma entidade ligada à família também foram posteriormente atingidas.
As medidas foram retiradas em dezembro de 2025, durante um período de reaproximação entre os governos brasileiro e americano.
Agora, a crise instalada dentro do STF voltou a colocar Moraes no radar de Washington.
O Departamento de Estado acompanha os acontecimentos relacionados às revelações envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a discussão dentro do Supremo sobre uma eventual investigação de Moraes.
Resultado no STF pode pesar na decisão americana
Segundo a apuração publicada pelo UOL, o resultado da sessão desta terça-feira (15) poderá influenciar a decisão final do Departamento de Estado sobre a retomada das sanções.
O julgamento ocorre após André Mendonça levar ao plenário questões relacionadas às mensagens atribuídas a Vorcaro e envolvendo Moraes.
As informações fazem parte de material analisado pela Polícia Federal e passaram a alimentar uma das maiores crises recentes dentro do Supremo.
A existência das mensagens ou de relações profissionais envolvendo pessoas próximas aos investigados não comprova, isoladamente, a prática de irregularidades. É justamente a necessidade de apurar o contexto desses fatos que está no centro da discussão institucional.
Dino e Gilmar também aparecem nas discussões
A possibilidade analisada em Washington não estaria limitada a Alexandre de Moraes.
De acordo com as fontes citadas pela reportagem, uma eventual ampliação das medidas poderia alcançar outros integrantes do Supremo, entre eles Flávio Dino e Gilmar Mendes.
Nesse caso, entretanto, o procedimento seria mais demorado, pois novas sanções exigiriam etapas burocráticas próprias.
Até agora, não existe anúncio oficial do governo americano de sanções contra esses ministros.
Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo vão a Washington
Outro movimento deverá ocorrer imediatamente depois do julgamento.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o comentarista político Paulo Figueiredo têm reuniões previstas em Washington na quarta-feira (16).
Segundo fontes americanas citadas pelo UOL, essas conversas poderiam acelerar as discussões relacionadas às possíveis medidas contra autoridades brasileiras.
Figueiredo vem defendendo publicamente novas sanções. Procurado pela reportagem, entretanto, afirmou que não comenta possibilidades ainda em discussão.
Governo Trump acompanha cenário brasileiro
A possibilidade de novas sanções ocorre também em meio ao avanço da campanha presidencial brasileira.
Segundo autoridades americanas ouvidas pela reportagem, uma eventual retomada da Magnitsky não seria consequência da eleição brasileira, mas de uma reavaliação das prioridades da política externa dos Estados Unidos.
Dentro da administração Trump também haveria diferentes posições sobre o grau de envolvimento político dos Estados Unidos na disputa brasileira.
Enquanto uma ala demonstra maior proximidade com Flávio Bolsonaro, outra defenderia cautela para preservar as relações diplomáticas com o Brasil independentemente do resultado das urnas.
Terça-feira pode ser decisiva
Com isso, a sessão do STF desta terça-feira deixa de produzir efeitos apenas dentro do Brasil.
Washington acompanha o desfecho da crise, enquanto a possibilidade de retomada das sanções contra Alexandre de Moraes volta ao centro das discussões.
O ponto fundamental, porém, permanece: as novas sanções ainda não foram oficialmente anunciadas.
O que existe neste momento é uma avaliação dentro do governo americano, relatada por fontes à imprensa, de que as punições podem voltar e eventualmente alcançar outras autoridades.
A combinação entre o julgamento no STF, as articulações em Washington e a revisão da política externa americana transforma as próximas horas em um período decisivo para saber se a pressão política sobre Moraes poderá novamente se transformar em sanções financeiras dos Estados Unidos.

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