Relatório da Polícia Federal traz mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, referências a autoridades e informações sobre contratos e negociações milionárias
O conteúdo encontrado no celular de Daniel Vorcaro abriu uma nova frente no caso Banco Master. Relatório da Polícia Federal reúne mensagens e registros que mencionam o ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
As informações não comprovam que essas autoridades tenham praticado qualquer ato para beneficiar Vorcaro. No entanto, revelam como o empresário se referia a pessoas que ocupam alguns dos cargos mais importantes do país.
Mensagem enviada antes da prisão
Um dos registros teria ocorrido 19 dias antes da prisão de Vorcaro.
Segundo o material divulgado, o empresário escreveu uma anotação relacionada à pressão que sofria do Banco Central, fotografou a tela e, 32 segundos depois, encaminhou a imagem para um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
No texto, Vorcaro dizia ser importante reforçar com “Andrei e Paulo” para evitar que alguém “de baixo” fizesse uma “sacanagem”.
A PF registra, de forma cautelosa, que os nomes “podem indicar” Andrei Rodrigues e Paulo Gonet. Isso não comprova que ambos tenham recebido pedidos ou tomado qualquer providência.
PF encontrou 187 interações
Segundo as informações divulgadas, a PF identificou 187 interações com o contato atribuído a Alexandre de Moraes desde 2023, além de referências a pelo menos seis encontros presenciais.
Também foram encontradas 52 situações, em aproximadamente 20 dias, nas quais Vorcaro escrevia no aplicativo de notas, fotografava a tela e posteriormente encaminhava a imagem pelo WhatsApp.
A própria PF ressalta que a análise inicial não foi exaustiva.
Contratos e milhões entram no caso
O relatório também reacendeu a discussão sobre a relação comercial entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Em 2024, o escritório firmou contrato milionário com o Banco Master. Segundo informações divulgadas sobre a perícia, os metadados de uma minuta registrariam o perfil “Ministro Alexandre de Moraes” como responsável pela última modificação.
O escritório confirmou que Moraes teve contato com o documento, mas afirmou que isso ocorreu em uma consulta sobre compliance e possíveis impedimentos.
Outro episódio envolve uma negociação de 2025 com a Viking Participações, ligada a Vorcaro. O negócio poderia alcançar R$ 50 milhões e envolvia um jato Legacy 650 e um helicóptero EC 155.
A assessoria afirmou que o negócio não chegou a ser formalizado.
Uma fatura de aproximadamente R$ 22,8 milhões também aparece entre as informações divulgadas e poderá ser objeto de novos esclarecimentos.
Gonet e a reação da PGR
O nome do procurador-geral ganhou ainda mais destaque após a reação da Procuradoria-Geral da República.
Gonet questionou a validade da apuração, alegando problemas relacionados à competência para diligências que possam atingir integrantes do Supremo.
A situação provocou questionamentos porque o próprio nome “Paulo” aparece em uma das mensagens, embora a PF diga apenas que a referência pode indicar Paulo Gonet.
Relatório não acusa autoridades
Apesar da repercussão, existe um limite importante.
O relatório não afirma que Moraes, Gonet ou Andrei tenham praticado atos para favorecer Daniel Vorcaro. A PF também registra que não realizou atos investigativos direcionados a magistrados ou integrantes do Ministério Público nessa análise.
A principal pergunta, portanto, permanece aberta.
Mais do que saber com quem Vorcaro conversava, será necessário descobrir se os pedidos registrados no celular produziram alguma ação concreta dentro do poder público.
O celular revelou os contatos. Agora, a investigação precisa esclarecer até onde essas relações realmente chegaram.

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