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CONSTITUCIONALISTA ACUSA GILMAR DE “INTERFERÊNCIA INDEVIDA NAS ELEIÇÕES”

 André Marsiglia questiona uso de processo arquivado para tratar do reajuste anunciado durante a campanha eleitoral
O advogado constitucionalista André Marsiglia criticou a atuação do ministro Gilmar Mendes em uma decisão relacionada ao reajuste do Bolsa Família.
Segundo Marsiglia, o ministro do Supremo Tribunal Federal utilizou um processo que já estava arquivado para validar o aumento do benefício anunciado pelo governo Lula durante a campanha eleitoral.
O advogado considera que a utilização de uma ação antiga para analisar um tema eleitoralmente sensível pode representar uma interferência indevida na disputa pela Presidência da República.
“Entendo como uma interferência indevida nas eleições”, afirmou.

Advogado cita princípio do juiz natural
Marsiglia também questionou o que classificou como uma sobreposição de relatorias entre o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral.
Para o constitucionalista, uma decisão sobre a legalidade do reajuste deveria ser analisada pelo magistrado competente dentro do processo correspondente, respeitando o princípio do juiz natural.
Esse princípio busca impedir que autoridades escolham ou alterem o responsável por julgar determinado caso depois que a controvérsia já surgiu.

“Tem sido comum a sobreposição de relatorias no STF e no TSE nos últimos meses, mas se trata de um desrespeito com o colega e uma violação ao princípio do juiz natural”, declarou Marsiglia.


Reajuste provocou reação na Justiça
O aumento do Bolsa Família passou a ser questionado depois de ser anunciado pelo governo federal durante a campanha eleitoral.
A medida elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 e foi apresentada pelo governo como uma recomposição da inflação acumulada desde a reformulação do programa.
Adversários de Lula alegam que o reajuste, anunciado a poucos dias do primeiro turno, pode afetar a igualdade entre os candidatos e configurar uso eleitoral de um programa social.
Ações apresentadas ao TSE e representações encaminhadas ao Tribunal de Contas da União passaram a questionar a legalidade, o impacto financeiro e a previsão orçamentária da medida.

Crítica aumenta pressão sobre Gilmar
A manifestação de Marsiglia acrescenta um novo elemento à controvérsia ao questionar não apenas o conteúdo da decisão, mas também o caminho utilizado por Gilmar Mendes para analisar o tema.
A crítica do advogado não representa uma decisão judicial nem comprova, por si só, que houve violação das regras eleitorais. Trata-se de uma interpretação jurídica que deverá ser confrontada com os fundamentos apresentados pelo ministro e com futuras decisões das cortes responsáveis.
O debate agora envolve duas questões centrais: se o reajuste do Bolsa Família durante a campanha respeitou a legislação eleitoral e se o processo utilizado para validar a medida era adequado para essa análise.

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