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CONTRATO DE R$ 500 MIL LIGA EX-CUNHADO DE GILMAR A VORCARO E EXPÕE BASTIDORES NO STF


 
Mensagens indicam que Chiquinho Feitosa recebeu contrato mensal de empresa ligada ao banqueiro e ajudou a articular uma reunião com o ministro
Mensagens reunidas nas investigações do caso Banco Master indicam que uma empresa ligada a Daniel Vorcaro firmou um contrato de R$ 500 mil mensais com o ex-senador Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, conhecido como Chiquinho Feitosa.
Na época das conversas, em 2024, Chiquinho era cunhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
Os diálogos mostram que o ex-senador tratou com Vorcaro de assuntos relacionados a precatórios e ao setor de educação. Ele também teria ajudado a articular uma reunião entre o banqueiro e Gilmar no STF.
Apesar da aproximação, existe um ponto importante: Gilmar votou contra os interesses do Banco Master nos dois processos mencionados nas conversas.
Até o momento, não há comprovação de que o ministro tenha alterado votos ou decisões para favorecer Vorcaro.

Contrato previa R$ 500 mil por mês
As mensagens indicam que Chiquinho foi contratado por meio da Super Empreendimentos, empresa ligada a Vorcaro e posteriormente citada pela Polícia Federal nas investigações do caso Master.
O acordo previa o pagamento líquido de R$ 500 mil mensais e um valor adicional de R$ 800 mil na primeira parcela.
Em uma das conversas, um interlocutor consultou Vorcaro sobre as condições do contrato. O banqueiro teria autorizado o pagamento.
Outros diálogos mencionam a F&A Consultoria em Gestão Empresarial e Logística, empresa de Chiquinho sediada em Fortaleza.
Procurado pela reportagem que revelou o caso, o ex-senador inicialmente negou ter trabalhado para o Banco Master. Depois de ser questionado especificamente sobre a Super Empreendimentos, admitiu que prestou serviços à empresa durante um curto período.
Chiquinho afirmou que, na época da contratação, a empresa era considerada idônea e atuava em diversos setores.

Reunião foi realizada no STF
Daniel Vorcaro esteve no gabinete de Gilmar Mendes, no Supremo, em abril de 2024.
O encontro teria sido articulado com a participação de Chiquinho Feitosa. Um dos assuntos de interesse do banqueiro envolvia precatórios de usinas do setor sucroalcooleiro.
Fundos ligados ao Banco Master haviam adquirido créditos relacionados a essas empresas. A disputa judicial poderia afetar diretamente o valor desses ativos.
Vorcaro buscava uma decisão favorável à tese das usinas. Gilmar, entretanto, votou de maneira contrária aos interesses do banqueiro nos casos analisados.
O gabinete do ministro afirmou que o encontro teve caráter institucional e que Gilmar não tinha conhecimento de possíveis contratos ou tratativas privadas envolvendo Chiquinho e Vorcaro.
Cursos de medicina também aparecem nas conversas
Outro assunto mencionado nos diálogos envolve as regras para abertura de vagas em cursos de medicina.
Naquele período, o Banco Master tinha interesses financeiros ligados a uma instituição de ensino que oferecia cursos na área.
O processo discutido no Supremo tratava da constitucionalidade das regras nacionais para abertura de novas vagas. Gilmar era o relator e votou pela manutenção da legislação existente.
Os demais ministros acompanharam o entendimento.
O resultado foi contrário ao interesse atribuído a Vorcaro, embora o processo não tratasse exclusivamente do Banco Master ou de uma única instituição de ensino.

Relação familiar existia durante as tratativas
Chiquinho Feitosa é irmão da advogada Guiomar Feitosa, que foi casada com Gilmar Mendes até novembro de 2025.
Como as conversas ocorreram em 2024, o ex-senador ainda era cunhado do ministro quando manteve contato com Vorcaro e ajudou a organizar a reunião no STF.
A ligação familiar, o valor elevado do contrato e os assuntos tratados aumentam os questionamentos sobre a rede de influência construída pelo banqueiro.
Por outro lado, os votos contrários ao Master impedem a conclusão de que Gilmar tenha favorecido Vorcaro nos processos citados.

Serviços prestados precisam ser esclarecidos
O principal ponto ainda sem uma resposta detalhada é quais serviços foram efetivamente prestados por Chiquinho Feitosa em troca de R$ 500 mil mensais.
As mensagens indicam que o ex-senador acompanhava assuntos ligados a precatórios, educação e contratos. Também sugerem que ele tinha acesso direto a Vorcaro e capacidade para articular reuniões com autoridades.
Isso não prova, por si só, a prática de qualquer crime. No entanto, o valor envolvido e a proximidade familiar com um ministro que participava dos julgamentos justificam uma investigação mais profunda.
Será necessário esclarecer se Chiquinho realizou uma consultoria legítima ou se atuou para abrir portas e tentar influenciar decisões de interesse do Banco Master.
As novas informações aumentam a pressão por transparência e mostram como Vorcaro buscava se aproximar de pessoas com acesso aos principais centros de poder do país.

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