Com empate técnico no segundo turno, turbulência no Supremo ganha espaço na campanha e aumenta a pressão sobre o presidente
A crise que atinge o Supremo Tribunal Federal entrou definitivamente no debate eleitoral justamente na reta final da disputa pela Presidência da República.
Com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em diferentes levantamentos, cada novo episódio envolvendo a Corte pode influenciar o discurso das campanhas e a escolha dos eleitores ainda indecisos.
Não existem dados suficientes para afirmar que a turbulência no STF seja responsável pelas recentes oscilações eleitorais. O momento, porém, torna qualquer desgaste institucional politicamente perigoso para Lula.
Pesquisas mostram segundo turno apertado
Os levantamentos mais recentes apresentam diferenças no primeiro turno, mas mostram uma disputa muito equilibrada entre Lula e Flávio em uma eventual decisão direta.
O Datafolha divulgado em 11 de setembro registrou Lula com 46% e Flávio com 44%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
No levantamento BTG/Nexus, Lula apareceu com 47% e Flávio com 46%. A AtlasIntel/Bloomberg apresentou Flávio com 46,4% e Lula com 46,2%.
A Quaest também registrou empate técnico, com Flávio marcando 42% e Lula, 40%.
Apenas a CNT/MDA apontou uma vantagem mais ampla para o presidente: 47,3% contra 40%. Os números foram reunidos em um comparativo publicado pelo UOL.
Flávio transforma crise em arma eleitoral
Flávio Bolsonaro procura ligar o desgaste do Supremo ao governo Lula e aos ministros indicados pelo presidente.
O candidato também acusa integrantes da Corte de tentar proteger Alexandre de Moraes e afirma que uma eventual reeleição de Lula impediria mudanças no Judiciário.
A estratégia busca aproximar a insatisfação com o STF da disputa presidencial. Flávio tenta convencer o eleitor de que votar em Lula significaria manter a atual composição política e institucional da Corte.
Embora Alexandre de Moraes tenha sido indicado por Michel Temer, a defesa pública feita por Lula permite que seus adversários associem o presidente ao ministro.
Lula tenta impedir que STF domine a campanha
Para Lula, o desafio é evitar que a crise do Supremo ocupe o espaço que sua campanha pretende dedicar à economia, aos programas sociais e às realizações do governo.
O presidente passou a defender Moraes por sua atuação no Tribunal Superior Eleitoral e nos processos relacionados à tentativa de golpe. Ao mesmo tempo, afirma que qualquer pessoa deve ser investigada e responsabilizada caso tenha cometido algum delito.
Essa posição procura manter a defesa institucional do STF sem transmitir a imagem de que o governo apoia uma possível blindagem.
O problema é que novas discussões, pedidos de vista, acusações entre ministros e suspeitas relacionadas ao caso Banco Master mantêm o assunto em evidência.
Próximas pesquisas serão decisivas
Ainda não é possível medir com segurança quanto da crise no STF chegará efetivamente às urnas.
O eleitor pode enxergar o episódio como um problema restrito ao Judiciário ou passar a relacioná-lo diretamente ao governo e à eleição presidencial.
As próximas pesquisas serão fundamentais para mostrar se existe uma mudança consistente ou apenas oscilações dentro das margens de erro.
O Datafolha divulgará um novo levantamento nesta quinta-feira (17). A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre os dias 15 e 17 de setembro e possui margem de erro de dois pontos percentuais, segundo a Folha de S.Paulo.
Em uma eleição tão apertada, a crise no Supremo pode não decidir sozinha o resultado. Mas, se continuar crescendo, terá força suficiente para mudar o foco da campanha e aumentar o risco político para Lula na reta final.

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