Ministros suspeitam que informações sobre os escritórios de seus filhos tenham abastecido vazamentos e alertam que outros integrantes do STF podem ter sido monitorados
A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal ganhou um novo e explosivo capítulo nesta terça-feira (8).
Os ministros Luiz Fux e Nunes Marques se reuniram com o presidente do STF, Edson Fachin, para denunciar o que classificaram como uma “perseguição inadmissível” atribuída a uma estrutura paralela de inteligência dentro da Polícia Federal.
As informações foram divulgadas pelo jornalista Claudio Dantas. Segundo a apuração, os ministros também relataram ter recebido recados indiretos de que suas vidas e as atividades profissionais de seus filhos poderiam ser investigadas caso apoiassem André Mendonça na crise aberta dentro da Corte.
Filhos dos ministros teriam entrado na mira
Fux e Nunes Marques suspeitam que reportagens recentes sobre os escritórios de advocacia de seus filhos tenham sido abastecidas com informações obtidas pela suposta estrutura paralela da PF.
No caso de Luiz Fux, as publicações abordaram o crescimento da quantidade de processos conduzidos pelo escritório de seu filho, Rodrigo Fux, após a chegada do ministro ao Supremo, em 2011.
Em relação a Nunes Marques, as reportagens trataram da atuação profissional de Kevin de Carvalho Marques e de clientes conquistados por seu escritório, incluindo empresas relacionadas ao Banco Master.
A divulgação dessas informações, isoladamente, não comprova qualquer irregularidade cometida pelos advogados. A suspeita dos ministros está relacionada à possível origem dos dados e à hipótese de que eles tenham sido usados como forma de pressão.
Apoio a Mendonça teria provocado recados
Segundo Claudio Dantas, Fux e Nunes Marques receberam avisos indiretos de que suas rotinas e a vida profissional de seus filhos seriam devassadas caso manifestassem apoio a André Mendonça.
Os dois ministros votaram para confirmar a decisão de Mendonça que afastou cautelarmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.
Com os votos de Mendonça, Fux e Nunes Marques, foi formada maioria na Segunda Turma do STF para manter os afastamentos. O julgamento, porém, foi interrompido após um pedido de vista de Gilmar Mendes.
Fachin também pode ter sido monitorado
Durante a conversa, Fux e Nunes Marques teriam alertado Fachin de que ele próprio pode ter sido alvo de investigações ilegais.
A preocupação também alcançaria outros ministros do Supremo. A suspeita é de que a produção de relatórios não tenha ficado restrita a André Mendonça e ao advogado-geral da União, Jorge Messias.
Os documentos encaminhados anteriormente por Alexandre de Moraes citavam diferentes integrantes da Corte, entre eles Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques.
Agora, aumenta a pressão para que seja identificado o alcance do possível monitoramento, quem autorizou a produção dos documentos e quais autoridades receberam as informações.
Mendonça determinou investigação
Ao afastar a cúpula da PF, André Mendonça determinou a abertura de uma investigação para apurar a produção dos relatórios de inteligência.
O ministro classificou o episódio como uma “verdadeira arapongagem institucional” e afirmou ter sido monitorado ilegalmente durante mais de 30 dias.
A Corregedoria da Polícia Federal deverá identificar quem determinou a elaboração dos documentos, quais servidores participaram da produção e como o material foi utilizado.
Crise deixa de envolver apenas Mendonça e Moraes
O episódio amplia uma crise que inicialmente estava concentrada no confronto entre André Mendonça e Alexandre de Moraes.
Com as suspeitas apresentadas por Fux e Nunes Marques, cresce dentro do Supremo a preocupação de que outros magistrados e seus familiares também tenham sido monitorados ou expostos.
As acusações ainda precisam ser investigadas e não comprovam, por si mesmas, a existência de uma estrutura clandestina dentro da Polícia Federal.
Mesmo assim, a reunião de urgência com Fachin mostra que a crise alcançou um novo patamar. O presidente do STF está pressionado a levar o caso ao plenário e oferecer uma resposta capaz de esclarecer se houve uso político ou ilegal da inteligência policial contra integrantes da própria Corte.
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