Levantamento mostra aumento da insatisfação justamente na região onde o presidente mantém sua principal base eleitoral
A desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a crescer às vésperas das eleições de 2026. Pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostra que 52% dos brasileiros desaprovam a atual gestão, enquanto 43% aprovam.
Com nove pontos de diferença, esse é o maior distanciamento entre aprovação e desaprovação registrado pelo instituto ao longo de 2026.
A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 6 de setembro e ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em diferentes regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Nordeste registra avanço da desaprovação
O dado que mais preocupa o PT está no Nordeste, região que historicamente representa a principal base eleitoral de Lula.
Em julho, 29% dos nordestinos desaprovavam o governo. Agora, esse índice chegou a 35%, um crescimento de seis pontos percentuais.
Embora a aprovação de Lula ainda seja maior na região, o aumento da insatisfação acende um alerta dentro da campanha. O presidente precisa manter uma vantagem expressiva no Nordeste para compensar as dificuldades enfrentadas em outras partes do país.
A região foi decisiva para a vitória de Lula em 2022 e continua sendo o local onde ele apresenta seu melhor desempenho nas pesquisas eleitorais.
O crescimento da desaprovação não significa que o Nordeste tenha abandonado o presidente, mas mostra que uma parte do eleitorado tradicionalmente ligado ao petista está mais insatisfeita.
Sudeste também amplia rejeição
A situação também piorou no Sudeste, maior colégio eleitoral do Brasil.
A desaprovação ao governo passou de 50% em agosto para 56% no levantamento atual. A região concentra Estados decisivos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
O avanço da insatisfação no Sudeste aumenta a pressão sobre a campanha de Lula, especialmente diante do crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas presidenciais.
Com uma eleição apertada, qualquer perda de apoio em regiões populosas pode alterar o resultado do primeiro turno e tornar ainda mais difícil uma disputa direta na etapa final.
Desgaste ocorre durante corrida presidencial apertada
O aumento da desaprovação acontece em um momento delicado para o presidente.
A própria Quaest mostrou Lula e Flávio Bolsonaro numericamente empatados, com 41% para cada um, em uma simulação de segundo turno.
No primeiro turno, Lula ainda aparece na liderança, mas a diferença para o candidato do PL diminuiu durante os últimos levantamentos.
Além da avaliação do governo, o presidente enfrenta o desgaste provocado por discussões sobre economia, segurança pública, contas federais e investigações relacionadas ao seu filho, Fábio Luís Lula da Silva.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, também possui rejeição elevada e enfrenta questionamentos relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
O cenário mostra que a eleição tende a ser marcada não apenas pelo apoio aos candidatos, mas também pela rejeição que cada um desperta.
Poder de compra pesa na avaliação
A percepção sobre o custo de vida continua influenciando a avaliação do governo.
Mesmo quando indicadores oficiais apontam melhora em determinados setores, parte da população ainda sente dificuldades no orçamento doméstico. Preços de alimentos, moradia, energia, transporte e serviços afetam diretamente a forma como o eleitor avalia a situação do país.
Para muitas famílias, a análise sobre o governo não começa nos números divulgados pelos ministérios. Ela começa no supermercado, na conta de luz e no dinheiro que sobra no final do mês.
Esse distanciamento entre os indicadores econômicos e a experiência diária do eleitor representa um dos maiores desafios para a campanha de Lula.
PT precisa recuperar sua principal base
A piora no Nordeste exige uma resposta rápida da campanha petista.
Lula continua liderando na região, mas não pode permitir que a diferença sobre os adversários diminua de maneira significativa. Sem uma votação expressiva entre os nordestinos, o presidente poderá ter dificuldades para compensar o desempenho da oposição no Sul, no Sudeste e entre os eleitores evangélicos.
Nos próximos dias, a campanha deverá reforçar ações voltadas à renda, aos programas sociais, ao emprego e à comparação entre os governos petistas e os da família Bolsonaro.
A oposição, por sua vez, tentará mostrar que o avanço da desaprovação representa uma mudança no comportamento de uma região que durante anos foi considerada território seguro para Lula.
Resultado acende alerta antes das urnas
Pesquisas representam uma fotografia do momento e podem mudar até a eleição. Mesmo assim, o levantamento traz um sinal importante.
A desaprovação nacional alcançou 52%, o Nordeste registrou um crescimento expressivo da insatisfação e o Sudeste chegou a 56%.
O maior erro seria afirmar que a rejeição no Nordeste chegou a 50%. Segundo os dados apresentados, o percentual correto na região é de 35%. Os 52% correspondem ao resultado nacional.
A menos de um mês da eleição, o levantamento mostra que o governo chega à reta final sob pressão. Lula ainda possui uma base eleitoral forte, mas enfrenta um desgaste que começa a alcançar até mesmo as regiões onde tradicionalmente encontrou maior apoio.

0 Comentários
Obrigado pela sugestão.