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DOCUMENTO DE VORCARO CITA “DINO” EM ANOTAÇÃO SOBRE R$ 15 BILHÕES

 
Registro apreendido no âmbito das investigações do Banco Master contém a expressão “pegar lista Dino 15 bi”; material divulgado não esclarece a identidade mencionada na anotação
Uma anotação atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, voltou ao centro das atenções em meio à escalada da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal.
O documento contém uma referência ao nome “Dino” associada a uma lista de precatórios de R$ 15 bilhões.
No trecho relacionado a “precatórios fundos”, aparece a anotação:
“pegar lista Dino 15 bi”
O material foi apreendido no contexto das investigações envolvendo Vorcaro e posteriormente revelado por reportagem da Band em Brasília.
A anotação, entretanto, não informa quem seria “Dino” nem permite concluir, isoladamente, que a referência seja ao ministro do STF Flávio Dino.
A assessoria do magistrado nega qualquer ligação.

Documento reúne ativos bilionários
A referência aparece em meio a uma série de anotações financeiras atribuídas a Vorcaro.
O material reúne informações relacionadas a empresas, ativos financeiros, Cédulas de Crédito Bancário e precatórios pertencentes a fundos e instituições.
Alguns dos valores registrados chegam à casa dos bilhões.
É nesse conjunto que surge a expressão relacionada a “Dino”.
A anotação chamou atenção justamente pelo valor mencionado: R$ 15 bilhões.

Flávio Dino nega relação com anotação
Após a divulgação do documento, a assessoria de Flávio Dino afirmou que a referência não corresponde ao ministro.
Segundo sua equipe, não existe processo de precatório de R$ 15 bilhões relacionado ao magistrado nem patrimônio pessoal próximo desse montante.
A assessoria também apresentou informações sobre o patrimônio declarado de Dino para reforçar sua negativa.
Portanto, até que surjam novos elementos da investigação, não é possível afirmar que o “Dino” mencionado no documento seja Flávio Dino.
Também não há, somente a partir dessa anotação, comprovação de qualquer irregularidade praticada pelo ministro.

Documento reaparece em momento explosivo no STF
A repercussão ganha uma dimensão política ainda maior por causa do momento em que o documento volta a circular.
Nesta quarta-feira (9), Flávio Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues à Diretoria-Geral da Polícia Federal e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência Policial.
Os dois haviam sido afastados no dia anterior por decisão de André Mendonça.
A decisão de Dino provocou uma nova reviravolta na crise envolvendo a cúpula da Polícia Federal e ministros do Supremo.
Dino questionou a atuação de Mendonça e mencionou, entre outros pontos, um encontro do ministro com Daniel Vorcaro.
Mendonça afirma que o encontro ocorreu para tratar de um julgamento envolvendo precatórios e sustenta que posteriormente votou contra a posição defendida pelo ex-banqueiro, afastando qualquer hipótese de pressão ou interferência.

Guerra de decisões aumenta tensão
A situação colocou o Supremo diante de uma sequência incomum de decisões envolvendo diretamente a direção da Polícia Federal.
Primeiro, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
Depois, Dino determinou a reintegração dos dois.
Agora, enquanto o STF discute internamente os limites dessas decisões, documentos relacionados a Daniel Vorcaro voltam a alimentar o debate político.
O presidente do Supremo, Edson Fachin, está sob pressão para encontrar uma saída para o impasse.

O que falta esclarecer
A anotação de Vorcaro deixa uma pergunta objetiva ainda sem resposta pública:
quem é o “Dino” mencionado no registro?
Até agora, o trecho divulgado não apresenta CPF, cargo, instituição, número de processo ou qualquer outro elemento que identifique a pessoa mencionada.
Também não há demonstração, nesse documento isoladamente, de que os R$ 15 bilhões representassem patrimônio de alguém.
A referência aparece relacionada a uma “lista” de precatórios.
Por isso, qualquer conclusão ligando diretamente o registro ao ministro Flávio Dino ultrapassa o que os documentos divulgados permitem afirmar neste momento.
A investigação poderá esclarecer a origem da anotação, quem é a pessoa mencionada e qual seria exatamente a relação da lista com os precatórios registrados.

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