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EMPRESÁRIOS RELATAM AMEAÇAS APÓS CRITICAREM O STF


Segundo Caio Junqueira, autoridades de Brasília teriam citado processos que poderiam ser “desenterrados” caso empresários mantivessem seus nomes no documento
Empresários de São Paulo teriam recebido telefonemas de autoridades de Brasília em tom de ameaça após assinarem um manifesto que cobra providências do Supremo Tribunal Federal.
O relato foi apresentado nesta segunda-feira (14) pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, durante o programa WW.
Segundo o jornalista, os empresários foram pressionados a retirar seus nomes do documento. Durante as ligações, teriam sido feitas referências a processos judiciais que poderiam voltar a ser movimentados caso eles mantivessem o apoio à manifestação.
Até o momento, não foram divulgados os nomes dos empresários que receberam as ligações nem das autoridades apontadas como responsáveis pelas supostas ameaças.

Processos teriam sido usados como pressão
Caio Junqueira afirmou ter ouvido relatos de empresários procurados diretamente por autoridades da capital federal.
“A gente tem ouvido, por exemplo, de alguns empresários em São Paulo que receberam telefonemas de autoridades aqui de Brasília também em tons ameaçadores”, declarou.
Segundo ele, alguns dos telefonemas teriam incluído pedidos para que os empresários retirassem seus nomes do manifesto.
O jornalista acrescentou que, durante as conversas, foram mencionados processos que poderiam ser “desenterrados” caso os empresários insistissem em apoiar publicamente o documento.
A declaração é grave porque sugere uma possível utilização de informações judiciais como instrumento de intimidação. Apesar disso, não foram apresentados publicamente documentos, gravações ou outros elementos que permitam confirmar as ameaças relatadas.

Manifesto cobra investigação e transparência
O documento citado pelo jornalista foi articulado por entidades empresariais e representantes da sociedade civil depois da divulgação de informações envolvendo o Banco Master.
A proposta defende uma apuração rigorosa sobre as relações entre o empresário Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
O movimento também busca separar a defesa institucional do Supremo da proteção individual de seus integrantes. Os organizadores sustentam que os fatos precisam ser esclarecidos, com direito de defesa e transparência. CNN Brasil
Outro manifesto divulgado por juristas, professores e representantes da sociedade civil também pediu o fim dos sigilos relacionados ao caso Master e maior publicidade das investigações. UOL

Jornalista vê tentativa de fugir das acusações
Durante o programa, Caio Junqueira avaliou que as supostas pressões podem revelar uma tentativa de evitar a discussão sobre o conteúdo das acusações envolvendo Alexandre de Moraes.
“Fica muito exposta qual que é a estratégia: fugir do mérito e tentar, de alguma outra maneira, ganhar esse jogo”, afirmou.
A avaliação foi apresentada no contexto da forte crise interna enfrentada pelo Supremo e das discussões sobre uma possível investigação contra Moraes.

Empresários já demonstravam medo de retaliações
O receio de sofrer consequências por criticar o Supremo já aparecia nos bastidores das articulações empresariais.
Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que empresários discutiam a publicação de um novo manifesto para cobrar transparência e mudanças no Judiciário. Entre os participantes, havia preocupação com possíveis retaliações. Folha de S.Paulo
A versão final do documento chegou a adotar um tom mais moderado. O cuidado tinha como objetivo demonstrar que o movimento não pretendia atacar o Supremo como instituição, mas cobrar esclarecimentos sobre as denúncias.

Relatos aumentam tensão antes de julgamento
A denúncia feita por Caio Junqueira aparece às vésperas da sessão extraordinária do STF que discutirá o relatório da Polícia Federal envolvendo Moraes e Vorcaro.
A revelação das supostas ameaças aumenta a tensão porque transfere a crise do interior do tribunal para a sociedade civil.
Caso os relatos sejam formalizados e acompanhados por provas, o episódio poderá provocar pedidos de investigação para identificar quem realizou as ligações e se houve tentativa de intimidar os signatários.
Por enquanto, as informações permanecem baseadas nos depoimentos recebidos pelo jornalista. Nenhuma das autoridades supostamente envolvidas foi identificada publicamente.

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