Presidenciável criticou ministros da Corte após pedido de vista de Flávio Dino e afirmou acreditar que Moraes ainda será investigado
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (15), durante ato de campanha em Fortaleza, que ministros ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam atuado para impedir o avanço de uma investigação contra Alexandre de Moraes.
A declaração foi feita depois que Flávio Dino pediu vista e interrompeu o julgamento no Supremo Tribunal Federal. A Corte discutia questões relacionadas à possível abertura de uma investigação sobre a relação entre Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
“A tropa de choque do Lula tentou, mas Alexandre de Moraes será investigado”, declarou Flávio durante o evento no Conjunto Ceará.
Flávio aposta no avanço da investigação
Apesar da suspensão do julgamento, Flávio afirmou considerar positivo o fato de o Supremo ter iniciado o debate sobre uma possível apuração contra Moraes.
Para o candidato, um julgamento como esse seria considerado impossível um ano atrás.
“O Alexandre de Moraes será investigado pelos crimes que, em tese, ele cometeu. É um alento saber que, se fosse há um ano, ninguém podia imaginar que isso ia acontecer”, afirmou.
A abertura da investigação, entretanto, ainda não foi aprovada pelo STF. A sessão terminou sem uma decisão definitiva após o pedido de vista de Dino, que poderá manter o processo suspenso por até 90 dias. O julgamento também discute a validade dos atos de apuração já realizados.
Críticas a Dino e à PGR
Flávio atribuiu a interrupção da análise a uma tentativa de proteger Moraes. Ele também criticou a participação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nas discussões do caso.
Segundo o candidato, a atuação da PGR causou indignação porque o procurador-geral também teria sido citado em materiais relacionados às apurações do caso Master.
As declarações representam a avaliação política de Flávio Bolsonaro. Gonet nega qualquer proximidade irregular com Vorcaro, enquanto Moraes afirma que não existe pedido formal da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República para investigá-lo. O ministro também sustenta que o STF não poderia iniciar a apuração sem provocação dos órgãos responsáveis.
“Votar em Lula é votar em Moraes”
Durante o discurso, Flávio tentou ligar diretamente Lula ao ministro do Supremo.
“Mais do que nunca, todo mundo está vendo: votar em Lula é votar em Alexandre de Moraes”, declarou.
A estratégia de aproximar Lula da crise enfrentada pelo STF já aparece nos discursos e na propaganda eleitoral do candidato do PL. Ao mesmo tempo, a campanha do presidente tenta se afastar do desgaste envolvendo Moraes e defende que todas as suspeitas sejam apuradas. A crise no Supremo entrou definitivamente no centro da disputa presidencial.
Mudança no Supremo
Flávio também afirmou que, caso seja eleito, poderá indicar cinco novos ministros ao STF durante seu mandato. Segundo ele, as escolhas seriam orientadas pelo compromisso com a Constituição.
“O Supremo, sem os ministros de Lula, tem solução. O Judiciário tem jeito”, declarou.
A afirmação reforça a tentativa de transformar a crise interna do Supremo em um dos principais temas da campanha presidencial.
Ato reuniu aliados no Ceará
O evento foi realizado na Praça da Caixa Econômica, no Conjunto Ceará, e reuniu apoiadores e candidatos do PL.
Flávio defendeu a eleição de Alcides Fernandes ao Senado e de André Fernandes à Câmara dos Deputados. Os dois também discursaram contra Lula e relacionaram o resultado das eleições à possibilidade de mudanças no Supremo e na segurança pública.
Ao final, Flávio afirmou que a população estaria acompanhando com indignação os acontecimentos em Brasília e defendeu a continuidade da pressão política por investigações.
O pedido de vista adiou a decisão, mas manteve o caso aberto. Agora, a crise do STF avança para dentro da campanha eleitoral e tende a ocupar espaço cada vez maior na disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula.

0 Comentários
Obrigado pela sugestão.