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FLÁVIO BOLSONARO REAGE A LULA E O ACUSA DE AMEAÇAR A LIBERDADE RELIGIOSA APÓS CRÍTICAS AO CATOLICISMO, RELIGIÃO DE SEU PAI



Candidato do PL afirma que presidente ultrapassou limites ao defender mudanças no celibato e na ordenação de mulheres
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, criticou Luiz Inácio Lula da Silva por declarações sobre o celibato e a participação das mulheres na Igreja Católica.
Durante comício realizado neste sábado (19), em Chapecó, Santa Catarina, Flávio afirmou que Lula representa uma ameaça à liberdade religiosa por tentar dizer como uma igreja deveria organizar sua vida interna.
As críticas ocorreram depois de Lula defender o fim do celibato e a ordenação de mulheres como padres e bispos.

Lula defendeu mudanças na Igreja Católica
As declarações de Lula foram dadas durante um encontro com integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, pastores brasileiros e convidados estrangeiros, no Palácio do Planalto.
Na ocasião, o presidente elogiou as igrejas evangélicas pelo espaço concedido às mulheres e afirmou que a Igreja Católica continuará enfrentando dificuldades enquanto mantiver suas regras atuais.
“Enquanto a Igreja Católica não acabar com o celibato e permitir que as mulheres possam ser padres, possam ser bispos, as mulheres poderem falar, a gente vai ver a Igreja Católica passar dificuldades”, declarou.
Lula também disse que a participação feminina representa uma vantagem das igrejas evangélicas.
“Essa é uma vantagem que a Igreja Evangélica tem. As mulheres são tratadas em igualdade de condições. A mulher pode ser o que ela quiser”, afirmou o presidente.

Flávio vê ameaça à autonomia das igrejas
Durante o comício em Chapecó, Flávio afirmou que Lula tenta interferir em uma decisão que cabe exclusivamente à Igreja Católica.
“Ele chegou ao ponto agora, gente, de querer se meter no que a Igreja Católica pode fazer ou não”, declarou.
O candidato do PL afirmou que autoridades públicas não possuem o direito de determinar como igrejas católicas ou evangélicas devem se comportar.
“Um presidente da República ou um político que se acha no direito de falar como uma igreja, seja católica, seja evangélica, deve se comportar, é um perigo para a liberdade religiosa”, disse.
Flávio destacou que é evangélico, mas afirmou que sua posição busca defender a autonomia de todas as religiões.
“Eu falo como evangélico que sou, mas, acima de tudo, sou cristão”, acrescentou.

Candidato promete respeitar todas as religiões
Flávio também usou o discurso para reforçar sua identidade cristã e prometer respeito às diferentes confissões religiosas caso seja eleito presidente.
“Eu respeito todas as religiões. Comigo não vai ter esse tipo de ameaça”, afirmou.
O candidato disse ainda que pretende entregar o Brasil “nas mãos do Senhor Jesus” a partir de janeiro, caso vença a eleição presidencial.
A fala reforça a estratégia de Flávio para consolidar seu apoio entre católicos e evangélicos, segmentos importantes na disputa pelo Palácio do Planalto.

Frente Católica repudia declaração de Lula
As declarações do presidente também provocaram a reação da Frente Parlamentar Católica Apostólica Romana da Câmara dos Deputados.
Em nota assinada pelo presidente do grupo, deputado Luiz Gastão, a frente afirmou que Lula desrespeitou a autonomia da Igreja ao indicar quais mudanças ela deveria adotar.
“O Estado brasileiro é laico justamente para assegurar a liberdade religiosa e o respeito a todas as confissões”, declarou o grupo.
A frente ressaltou que autoridades públicas podem dialogar com representantes religiosos, mas não devem tentar orientar a doutrina ou a organização interna das igrejas.
Segundo o documento, assuntos como o celibato sacerdotal e o ministério ordenado possuem fundamentos teológicos e sacramentais que precisam ser respeitados.

Religião entra no centro da eleição
A discussão coloca a liberdade religiosa no centro da corrida presidencial.
Lula tenta aumentar sua presença entre os evangélicos, segmento no qual enfrenta maior resistência. Flávio, por sua vez, busca aproximar católicos e evangélicos em torno da defesa da autonomia das igrejas.
O debate também levanta uma questão maior: até onde vai o direito de uma autoridade pública opinar sobre as regras internas de uma instituição religiosa?
Para os críticos de Lula, o presidente ultrapassou esse limite. Para seus defensores, ele apenas apresentou uma opinião pessoal durante um encontro religioso.
A reação de bispos, parlamentares católicos e adversários políticos mostra que a declaração deverá continuar repercutindo durante a campanha eleitoral.

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