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ALA DO STF QUER DIÁLOGO EM MEIO AO AVANÇO DE IMPEACHMENT NO SENADO


Nova composição da Casa aumenta preocupação no Supremo; Moraes aparece como principal alvo e ministros avaliam aproximação com setores do PL
O resultado das eleições para o Senado provocou uma mudança de avaliação nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF).
Moraes permanece como principal alvo, enquanto Flávio Dino também entra no radar de integrantes do PL por decisões envolvendo interferência estrangeira e emendas parlamentares
O resultado das eleições para o Senado provocou uma mudança de avaliação nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma ala da Corte passou a tratar com maior preocupação a possibilidade de avanço, a partir de 2027, de pedidos de impeachment contra ministros e defende ampliar os canais de diálogo com integrantes do Congresso, inclusive setores do PL.
A preocupação aumentou depois da eleição de uma bancada expressiva de senadores que já manifestaram críticas à atuação de integrantes do Supremo.
O PL elegeu 19 senadores e deverá iniciar 2027 com 28 das 81 cadeiras, tornando-se a maior bancada partidária da Casa.

Moraes permanece como principal alvo
Alexandre de Moraes continua no centro das discussões sobre impeachment dentro do campo político ligado ao bolsonarismo.
O ministro acumula pedidos de afastamento apresentados ao Senado e tornou-se alvo recorrente de críticas de parlamentares do PL por decisões tomadas em investigações relacionadas aos atos de 8 de Janeiro, redes sociais e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A apresentação de pedidos, contudo, não significa que as acusações tenham sido comprovadas nem que os processos serão abertos.
A decisão sobre eventual tramitação passa pelo Senado e segue procedimentos próprios.

Flávio Dino também entra no radar
O ministro Flávio Dino também aparece nas discussões de integrantes do PL.
Dois temas estão no centro das críticas: as iniciativas relacionadas à apuração de uma possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras e as decisões envolvendo a fiscalização das emendas parlamentares.
No primeiro caso, integrantes do campo bolsonarista demonstram preocupação com a possibilidade de investigações sobre atuação estrangeira durante o processo eleitoral.
Há setores políticos que interpretam essas movimentações como potencial caminho para futuras contestações relacionadas ao processo eleitoral.
Até o momento, porém, não há evidência de que Dino esteja conduzindo essas medidas com o objetivo de criar um pretexto para anular ou questionar o resultado da eleição presidencial.
Essa interpretação deve ser tratada como avaliação política dos críticos do ministro.

Emendas aumentam tensão com Congresso
Outro ponto de atrito envolve as emendas parlamentares.
Dino vem conduzindo no Supremo processos relacionados à transparência, rastreabilidade e fiscalização dos recursos destinados pelo Congresso por meio de emendas.
Decisões do ministro já provocaram reações de deputados e senadores, especialmente diante de exigências para identificação do caminho percorrido pelo dinheiro público e da atuação de órgãos de controle.
Dentro do PL e de outros setores do Congresso, existe resistência a decisões consideradas pelos parlamentares como interferência do Judiciário em prerrogativas do Legislativo.
Caso essas investigações e determinações continuem em 2027, o tema poderá permanecer como um dos principais pontos de tensão entre o novo Congresso e o ministro.
Isso, entretanto, não significa automaticamente fundamento jurídico para impeachment. Eventuais pedidos terão de apresentar acusações específicas e seguir o procedimento previsto em lei.

Novo Senado altera equilíbrio político
O crescimento do PL é um dos principais elementos dessa nova relação.
Com 28 senadores, a legenda terá peso relevante nas articulações da Casa, mas não possuirá votos suficientes para decidir sozinha sobre o afastamento de um ministro.
Uma eventual condenação em processo de impeachment exige dois terços dos integrantes do Senado, ou 54 dos 81 senadores.
O partido precisaria, portanto, construir uma maioria envolvendo outras legendas.

Presidência do Senado ganha ainda mais importância
A eleição para a presidência do Senado em fevereiro de 2027 será outro elemento decisivo.
O presidente da Casa exerce papel relevante no encaminhamento das denúncias apresentadas contra ministros do Supremo.
Atualmente, o posto é ocupado por Davi Alcolumbre (União-AP), que articula sua permanência no comando da Casa.
O crescimento do PL aumentou a capacidade do partido de participar dessa negociação e também alimentou discussões sobre uma candidatura alternativa.

Ala do Supremo defende diálogo
Diante do novo cenário, uma ala do STF passou a defender maior interlocução com parlamentares que assumirão em 2027.
A avaliação relatada nos bastidores é de que o diálogo institucional poderia reduzir a escalada de conflitos entre Senado e Supremo.
Outros ministros preferem aguardar o resultado do segundo turno presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de avaliar como ficará a relação entre os Poderes.

Moraes e Dino entram no centro da nova relação com o Senado
O resultado das eleições não significa que Alexandre de Moraes, Flávio Dino ou qualquer outro ministro será submetido a impeachment.
Mas a composição do próximo Senado modifica o ambiente político em torno desses pedidos.
Moraes permanece como o principal alvo das críticas do bolsonarismo, enquanto Dino também passa a enfrentar pressão relacionada principalmente às decisões sobre emendas parlamentares e investigações envolvendo possíveis interferências estrangeiras.
A partir de 2027, o alcance dessa pressão dependerá de três fatores centrais: a posição do presidente do Senado, a formação de uma maioria entre diferentes partidos e os atos concretos que eventualmente fundamentem novos pedidos contra integrantes do Supremo.

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