Em entrevista publicada nesta quinta-feira (5), senador evita revelar como chegou aos Estados Unidos, critica decisões do STF, questiona a eleição presidencial e acusa o governo Lula de utilizar a máquina pública para obter vantagem eleitoral.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou ao centro do debate político após conceder uma entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5 de novembro).
Na conversa, o parlamentar abordou sua saída do Brasil, as decisões judiciais envolvendo sua família, a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026 e suas suspeitas sobre o processo eleitoral.
Uma das declarações mais marcantes ocorreu quando Flávio foi questionado sobre como conseguiu chegar aos Estados Unidos.
“Como cheguei aqui, levarei isso para o túmulo comigo”, afirmou o senador, segundo o relato da entrevista.
Flávio também criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e declarou acreditar que poderia enfrentar uma condenação criminal caso permanecesse no Brasil.
Confira cinco pontos que marcaram a entrevista.
1. FLÁVIO SE RECUSA A REVELAR COMO DEIXOU O BRASIL
Um dos momentos de maior repercussão foi a resposta de Flávio Bolsonaro sobre sua viagem aos Estados Unidos.
Questionado sobre as circunstâncias de sua saída do território brasileiro, o senador preferiu manter silêncio sobre os detalhes.
“Como cheguei aqui, levarei isso para o túmulo comigo.”
A declaração deixa sem esclarecimento público o trajeto utilizado pelo parlamentar e as circunstâncias de sua chegada ao país norte-americano.
2. SENADOR NEGA AJUDA DIRETA DE ALIADOS INTERNACIONAIS
Durante a entrevista, Flávio também comentou a possibilidade de ter recebido apoio de aliados políticos estrangeiros para deixar o Brasil.
O senador minimizou essa hipótese e afirmou que não houve participação direta de representantes de outros países.
“Pode ter havido torcida, mas nada mais”, declarou.
A fala sugere que, embora pudesse contar com simpatia política internacional, ele não atribuiu sua viagem a uma operação organizada por governos ou aliados estrangeiros.
3. FLÁVIO CRITICA ALEXANDRE DE MORAES E DIZ TEMER PRISÃO
O senador fez críticas ao Judiciário brasileiro e mencionou diretamente o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo Flávio, decisões judiciais envolvendo sua família teriam motivação política.
Ele afirmou acreditar que poderia enfrentar o mesmo destino de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu já sei que o resultado final será a minha prisão”, declarou.
A afirmação representa a avaliação pessoal do parlamentar sobre sua situação jurídica. A existência de perseguição política não fica demonstrada apenas por essa declaração.
4. FLÁVIO QUESTIONA DERROTA ELEITORAL E AFIRMA QUE PERDEU PARA O SISTEMA
Outro ponto de destaque foi a contestação do resultado das eleições presidenciais de 2026.
Derrotado por Lula, Flávio Bolsonaro afirmou considerar o resultado matematicamente impossível e voltou a questionar o processo eleitoral brasileiro.
O senador reconheceu, entretanto, que suas reclamações provavelmente não produzirão mudanças no resultado oficial.
“Eu sei que isso não vai levar a nada. Eu perdi para o sistema”, afirmou.
Apesar das suspeitas apresentadas, o parlamentar não forneceu, no relato divulgado, provas que demonstrem fraude na apuração ou irregularidades capazes de alterar o resultado das eleições.
5. SENADOR ACUSA LULA DE USAR A MÁQUINA PÚBLICA NA CAMPANHA
Flávio Bolsonaro também questionou os gastos do governo federal durante o período eleitoral.
Na avaliação do senador, a utilização da estrutura administrativa teria favorecido Lula na disputa presidencial.
Ele levantou suspeitas sobre as condições da eleição, mas reconheceu não possuir certeza absoluta sobre suas próprias alegações.
“Eu tenho minhas suspeitas. Ninguém pode dizer com 100% de certeza que estou certo, nem com 100% de certeza que estou errado”, declarou.
As acusações sobre eventual utilização irregular da máquina pública exigem comprovação específica e análise pelas autoridades competentes.
ENTREVISTA INTERNACIONAL AMPLIA REPERCUSSÃO DO CASO
A entrevista ao The New York Times leva as declarações de Flávio Bolsonaro a um público internacional, em um momento de tensão política no Brasil após as eleições presidenciais.
Ao abordar sua saída do país, o funcionamento do Judiciário e o resultado das urnas, o senador apresentou críticas que deverão continuar alimentando o debate entre governo e oposição.
O ponto mais sensível permanece sendo sua decisão de não explicar como chegou aos Estados Unidos.
Enquanto Flávio afirma que perdeu a eleição para o sistema e teme ser preso, suas declarações sobre o resultado eleitoral permanecem no campo das alegações, sem provas apresentadas que confirmem fraude.
A repercussão da entrevista poderá ampliar a pressão por esclarecimentos sobre sua situação jurídica e as circunstâncias de sua viagem.

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