O jornal britânico The Economist publicou nesta terça-feira (30) um artigo contundente sobre o cenário político brasileiro, defendendo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não dispute a reeleição em 2026. A revista aponta a idade avançada, os riscos à saúde e traça paralelos diretos com o desgaste vivido pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, cunhando o alerta para um possível “Efeito Biden” no Brasil.
Segundo o editorial, o Brasil atravessou um ano politicamente turbulento, e Lula poderia consolidar seu legado histórico ao se afastar voluntariamente da próxima disputa presidencial. Para a publicação, manter um chefe de Estado com 80 anos à frente do país por mais quatro anos representa um risco elevado para a estabilidade institucional.
“Carisma não é escudo contra o declínio cognitivo”, afirma o texto, ao lembrar que Lula é apenas um ano mais jovem do que Biden era no mesmo estágio do ciclo eleitoral norte-americano — experiência que, segundo a revista, terminou de forma desastrosa para os democratas.
Embora reconheça que Lula aparenta melhores condições de saúde do que Biden tinha ao assumir a presidência dos EUA, o The Economist ressalta episódios recentes, como cirurgias e uma operação cerebral em dezembro do ano passado, após uma queda doméstica que resultou em hemorragia interna. Para o jornal, esses fatores reforçam a preocupação com a capacidade física e cognitiva exigida pelo cargo.
Outro ponto destacado é o fator tempo. Caso vença novamente, Lula poderia deixar a vida pública aos 85 anos, algo considerado incompatível com as exigências de liderança de um país do porte do Brasil.
A revista também observa que a atual popularidade do presidente é influenciada por fatores circunstanciais, como a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o ambiente diplomático favorável com os Estados Unidos e a ausência, até agora, de adversários eleitorais altamente competitivos.
Apesar de reconhecer avanços na estabilidade democrática brasileira, o The Economist encerra com um alerta direto: insistir na reeleição pode colocar em risco não apenas o legado de Lula, mas também a governabilidade futura do país, repetindo um roteiro já visto recentemente nos Estados Unidos.

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