Voltou a circular com intensidade nos bastidores de Brasília um boato que tem causado mais impacto fora do Palácio do Planalto do que qualquer anúncio oficial do governo: Lula pode não ser candidato à reeleição em 2026.
O rumor, que já havia surgido em outros momentos, ganha agora nova força em meio a sinais claros de desgaste político, rejeição persistente e dificuldades do governo em reconectar o discurso social com a realidade econômica do país. Não por acaso, o tema passou a ser tratado com seriedade por analistas, investidores e até por setores tradicionalmente simpáticos ao petismo.
O principal termômetro dessa percepção é o mercado. O início do ano foi marcado por um movimento incomum de otimismo, não sustentado por reformas estruturais, cortes de gastos ou melhora concreta do ambiente fiscal. O combustível, segundo interlocutores do setor financeiro, é político: a expectativa de mudança de cenário em 2026.
Mesmo com o governo abrindo as torneiras dos cofres públicos, ampliando gastos, benefícios e programas, a rejeição de Lula segue elevada. Pesquisas recentes — inclusive de institutos historicamente alinhados à esquerda — já indicam um quadro desconfortável para o presidente, com dificuldade de crescimento e perda de competitividade em cenários de segundo turno.
Nos bastidores do próprio campo governista, cresce a avaliação de que Lula enfrenta hoje um limite político. A idade avançada, o desgaste institucional, a polarização permanente e a falta de renovação do discurso levantam dúvidas reais sobre sua capacidade de sustentar mais uma campanha presidencial.
O boato da desistência, portanto, não surge do nada. Ele reflete um ambiente de fragilidade política, no qual até aliados evitam cravar o nome do presidente como candidato natural. Ao mesmo tempo, figuras da oposição avançam, ocupam espaço e passam a ser vistas como alternativas viáveis, o que reforça a percepção de transição no horizonte.
Se Lula será ou não candidato, ninguém pode afirmar com certeza neste momento. Mas o fato de o mercado reagir positivamente apenas com a possibilidade de sua saída do jogo eleitoral é, por si só, um sinal eloquente.
Quando o otimismo nasce não das ações do governo, mas da expectativa de que ele não continue, o problema deixa de ser econômico e passa a ser político. E esse é um alerta que Brasília não pode ignorar.

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