O Brasil fechou 2025 com um marco histórico que diz muito sobre o momento econômico e fiscal do país: a arrecadação federal de impostos atingiu R$ 2,88 trilhões, o maior valor desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. O crescimento real foi de 3,65%, já descontada a inflação, consolidando o ano como o de maior recolhimento tributário da história.
Somente em dezembro, o governo arrecadou R$ 292,7 bilhões, alta real de 7,46% em relação ao mesmo mês de 2024. O dado reforça que o avanço não foi pontual, mas sustentado ao longo de todo o ano.
Segundo a Receita Federal, o resultado é atribuído à maior formalização da economia, ao crescimento do consumo e ao fortalecimento dos mecanismos de fiscalização. Para o secretário especial da Receita, Robinson Barreirinhas, o recorde representa uma “recomposição justa da base tributária” e maior previsibilidade para as contas públicas.
No entanto, fora do discurso oficial, o número levanta um debate inevitável: o peso da carga tributária sobre empresas, trabalhadores e consumidores. O crescimento da arrecadação ocorre em paralelo à criação de novos tributos, mudanças em regras fiscais e aumento da pressão sobre setores produtivos, especialmente serviços e comércio.
Mesmo com juros elevados durante parte do ano, a arrecadação seguiu em alta, impulsionada pelo mercado de trabalho formal e pelo consumo das famílias. Especialistas apontam que esse cenário indica uma economia mais tributada, e não necessariamente mais eficiente.
O dado histórico, portanto, carrega duas leituras claras. Para o governo, é sinal de força fiscal e capacidade de investimento. Para parte da sociedade, é o reflexo de um Estado que arrecada cada vez mais, enquanto serviços públicos, renda e poder de compra seguem como desafios cotidianos.
Nunca se arrecadou tanto no Brasil. A questão central agora é saber como esse dinheiro será usado e se o retorno à população estará à altura do recorde batido.
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