A fila do INSS deixou de ser um problema administrativo e se transformou em uma tragédia social produzida pelo próprio governo Lula. Em novembro de 2025, o número de requerimentos pendentes chegou a 2.957.454, o maior da história da Previdência brasileira. Não é exagero: nunca houve tanta gente esperando por um benefício básico.
O dado, extraído de relatório oficial do próprio governo, representa um aumento de 172% em relação a dezembro de 2022. Em três anos, a promessa de “acabar com a fila” virou exatamente o seu oposto: um colapso estrutural, reconhecido e admitido pela própria gestão.
O governo criou uma fila que não consegue mover
O aspecto mais grave não é apenas o tamanho da fila, mas o fato de que o próprio INSS não tem poder sobre dois terços dela. Segundo o relatório “Fila INSS – Novembro/2025”, 67% dos processos estão fora da governabilidade do órgão.
Em termos práticos, isso significa que quase 2 milhões de brasileiros estão presos em um limbo burocrático, causado por falhas sistêmicas, cruzamentos automáticos mal feitos e decisões administrativas desastrosas.
Dos quase 3 milhões de pedidos:
- apenas 983 mil podem ser analisados por servidores;
- e somente 98 mil estão realmente prontos para decisão.
Todo o resto está travado. O Estado paralisou a si mesmo — e levou os mais pobres junto.
BPC: idosos e pessoas com deficiência abandonados
O Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado a idosos pobres e pessoas com deficiência, concentra 933 mil pedidos parados. É aqui que a crise revela seu lado mais cruel.
Os atrasos não decorrem de investigações complexas ou fraudes em massa, mas de desorganização administrativa:
- 660 mil pedidos bloqueados por reprocessamento automático de renda;
- 69 mil aguardando biometria;
- 20 mil esperando perícia;
- milhares presos em erros do portal Meu INSS.
Ou seja: não é falta de dinheiro, nem de servidor — é falha de gestão.
A fila cresce todo mês. Todo. Mês.
Em apenas seis meses, a fila aumentou em 393 mil pedidos. Só em novembro, o salto foi de 95 mil novos requerimentos.
Isso ocorre apesar de bônus pagos a servidores, campanhas emergenciais e anúncios oficiais. Nada funcionou. O governo gastou mais, prometeu mais e entregou menos.
Nordeste: a face humana do colapso
Enquanto algumas regiões aguardam cerca de 45 dias, no Nordeste a espera média chega a 188 dias. Meses sem renda para quem depende exclusivamente do benefício para comer, pagar remédios ou sobreviver.
Não é apenas desigualdade regional. É abandono institucional.
Lula prometeu zerar a fila. Entregou a maior da história.
Desde a campanha de 2022, Lula repetiu o discurso de que zeraria a fila do INSS. Em 2025, o Brasil vive o maior atraso previdenciário de todos os tempos, sem pandemia, sem calamidade e com orçamento social elevado.
O que existe hoje é:
- sistemas desorganizados,
- decisões políticas mal executadas,
- ausência de coordenação,
- e milhões pagando o preço.
Isso não é política social. É negligência de Estado.
Quando quase 3 milhões de brasileiros aguardam um benefício básico, não se trata mais de falha técnica. Trata-se de responsabilidade política direta.
O governo Lula não apenas falhou em cumprir sua promessa: produziu uma fila maior, mais lenta e fora de controle.
E, pela primeira vez, admite isso oficialmente.
Enquanto discursos falam em reconstrução, o que existe é paralisia, burocracia e sofrimento humano em escala nacional.
E o mais grave: ninguém no Planalto parece disposto a assumir o erro.
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