O imbróglio envolvendo o Banco Master entrou em uma nova fase de tensão após a defesa da instituição denunciar o que considera uma exposição ilegal e acelerada de informações protegidas por segredo de Justiça. O advogado criminalista Roberto Podval, responsável pela defesa do banco, afirma que o processo vem sendo repetidamente afetado por vazamentos que colocam em risco garantias básicas do Estado de Direito.
Segundo Podval, o episódio mais grave ocorreu após uma audiência recente. De acordo com ele, em questão de minutos, conteúdos que deveriam permanecer restritos às partes já circulavam publicamente, o que, na avaliação da defesa, compromete a lisura do processo e estimula um julgamento fora dos autos.
Para os advogados do banco, não se trata de um caso isolado, mas de uma sequência de divulgações seletivas que vêm interferindo diretamente no direito à ampla defesa. Diante disso, a equipe jurídica passou a adotar uma estratégia de reação formal, comunicando cada novo episódio às autoridades competentes e pedindo a apuração rigorosa da origem desses vazamentos.
Investigação e medidas judiciais
A defesa informou que solicitou a abertura de procedimentos específicos para identificar quem teve acesso às informações e como elas chegaram ao conhecimento público. O objetivo, segundo Podval, é interromper a exposição indevida e preservar o andamento regular do processo.
Nesse contexto, uma das medidas adotadas foi o ingresso de ação judicial contra a jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo e comentarista da GloboNews. A defesa sustenta que reportagens publicadas por ela utilizaram dados que estavam sob sigilo judicial e que não deveriam estar disponíveis fora dos autos.
O advogado nega qualquer tentativa de cerceamento da atividade jornalística e afirma que a iniciativa busca apenas garantir o cumprimento das regras legais.
“A liberdade de imprensa é essencial, mas não pode se sobrepor ao devido processo legal. Quando informações protegidas são divulgadas, o dano ao processo é irreversível”, afirmou.
Debate jurídico ganha novo contorno
Até o momento, nem a jornalista nem o Grupo Globo se manifestaram oficialmente sobre a ação. Malu Gaspar é reconhecida por defender a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte, prerrogativa garantida pela Constituição.
A liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, abriu uma série de investigações envolvendo operações financeiras de alto risco. Desde então, o caso passou a ser acompanhado por órgãos como o TCU, o STF e o MPF.
Agora, além das discussões técnicas e regulatórias, o episódio adiciona um novo elemento ao debate público: até onde vai o interesse jornalístico e onde começa a violação do segredo judicial. Para a defesa do Banco Master, esse limite foi ultrapassado — e precisa ser enfrentado com responsabilização.

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