Enquanto o país discute aumento de impostos e aperto fiscal, um dado chama atenção e reacende a polêmica em Brasília: o governo federal gastou mais de R$ 423 milhões com cartão corporativo apenas em 2025. As informações são oficiais e divulgadas pelo próprio Executivo, mas o alto nível de sigilo sobre as despesas levanta questionamentos sobre transparência e controle do dinheiro público.
Sigilo em mais de 99% dos gastos
O ponto que mais preocupa especialistas e órgãos de controle é o nível de confidencialidade. Segundo monitoramento do Tribunal de Contas da União, mais de 99% das despesas feitas com o cartão corporativo estão classificadas como sigilosas. Na prática, isso impede a sociedade de saber com clareza como os recursos estão sendo utilizados.
Entre os pagamentos registrados aparecem empresas do setor financeiro, fornecedores ligados à construção civil e até plataformas de entrega de comida. O detalhamento completo, no entanto, não está amplamente acessível ao público.
Comparação com anos anteriores
Apesar de expressivo, o valor de 2025 ficou ligeiramente abaixo do registrado em 2024, quando os gastos superaram R$ 584 milhões. Em 2023, primeiro ano do atual mandato, as despesas somaram cerca de R$ 430 milhões.
Levantamentos anteriores também apontaram que somente a Presidência da República acumulou mais de R$ 55 milhões em despesas no cartão corporativo ao longo do atual governo.
Debate sobre transparência volta ao centro da política
O uso do cartão corporativo é legal e previsto para custear despesas institucionais. O problema não está apenas no gasto em si, mas no volume de sigilo aplicado às informações. Em um cenário de pressão fiscal, aumento de tributos e cobrança por responsabilidade com o dinheiro público, os números ampliam o debate sobre transparência na gestão federal.
Especialistas defendem que o controle social sobre os gastos públicos é fundamental para garantir confiança nas instituições. Sem acesso claro aos dados, cresce a percepção de falta de prestação de contas e de distanciamento entre governo e sociedade.
STF derruba Escola Sem Partido e reacende debate educacional
No mesmo cenário político, outra decisão relevante veio do Supremo Tribunal Federal. A Corte declarou inconstitucional uma lei municipal inspirada no programa Escola Sem Partido, apontando censura prévia e invasão de competência da União para legislar sobre diretrizes educacionais.
Para os ministros, a norma limitava a liberdade de ensino e criava risco de intimidação a professores. O julgamento reforça o entendimento do STF de que legislações locais não podem impor restrições ideológicas ao conteúdo pedagógico.
A decisão reacende o debate nacional entre neutralidade e pluralidade nas escolas, tema que segue dividindo opiniões no Congresso, entre educadores e na sociedade.

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