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Sem acordo nuclear, Washington posiciona porta-aviões e caças perto do Irã


As negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano terminaram sem acordo em Genebra, ampliando o clima de tensão internacional e elevando o risco de um confronto militar direto no Oriente Médio. O impasse ocorre ao mesmo tempo em que o governo americano reforça sua presença militar na região, movimento interpretado por analistas como sinal de que uma ação armada não está descartada.
O encontro diplomático, mediado por Omã, durou mais de seis horas e contou com a participação do chanceler iraniano Abbas Araghchi e do mediador omanense Badr Albusaidi. Apesar de classificarem a rodada como séria e produtiva, ambos reconheceram que persistem divergências profundas sobre os principais pontos do acordo nuclear. Novas conversas técnicas foram agendadas para Viena, sede da Agência Internacional de Energia Atômica, mas sem garantia de avanço concreto.
O principal obstáculo continua sendo a exigência dos Estados Unidos para que o Irã desmonte instalações nucleares estratégicas em Fordow, Isfahan e Natanz, além de entregar todo o estoque de urânio enriquecido e aceitar um acordo permanente, sem prazo de expiração. Teerã rejeitou formalmente essas condições, reafirmando o direito ao desenvolvimento de tecnologia nuclear e condicionando qualquer compromisso ao fim das sanções econômicas impostas por Washington.
O governo iraniano acusa os EUA de incoerência nas negociações e afirma que declarações contraditórias de autoridades americanas comprometem a confiança no diálogo. Ao mesmo tempo, reconhece que houve avanços pontuais e mantém a disposição de continuar negociando, ainda que sem ceder nos pontos considerados estratégicos para sua soberania.
Enquanto a diplomacia enfrenta obstáculos, a movimentação militar americana cresce de forma significativa. O porta-aviões USS Gerald R. Ford e seu grupo de ataque deixaram o Mediterrâneo rumo a Israel, enquanto o USS Abraham Lincoln permanece no Mar Arábico. Além disso, caças F-35 e unidades de drones de ataque foram posicionados na região, elevando o contingente aéreo dos EUA para mais de 200 aeronaves no Oriente Médio.
O aumento do poder militar ocorre em paralelo a discursos mais duros do presidente Donald Trump, que voltou a afirmar que o Irã representa ameaça direta à segurança global e ainda não ofereceu garantias claras de que não desenvolverá armas nucleares. A Casa Branca mantém que todas as opções continuam sobre a mesa, incluindo uma resposta militar caso as chamadas “linhas vermelhas” sejam ultrapassadas.
No cenário interno iraniano, a instabilidade política também influencia o rumo das negociações. Relatórios indicam tensão entre o líder supremo Ali Khamenei e o presidente reformista Masoud Pezeshkian, o que torna incerta a capacidade do governo de assumir compromissos duradouros em acordos internacionais.
Apesar da escalada militar, pesquisas mostram que a opinião pública americana permanece dividida. Parte significativa da população teme uma nova guerra no Oriente Médio, embora a resistência a uma ofensiva tenha diminuído nas últimas semanas. Esse contexto coloca pressão adicional sobre a Casa Branca, que precisa equilibrar a estratégia diplomática com os riscos de uma intervenção armada.
O impasse atual representa um dos momentos mais delicados das relações entre EUA e Irã desde o colapso do acordo nuclear de 2015. Com negociações inconclusivas e tropas sendo posicionadas, o cenário aponta para uma encruzilhada geopolítica: ou um novo acordo é construído nas próximas rodadas de diálogo, ou o mundo poderá assistir à escalada de mais um conflito de grandes proporções no Oriente Médio.

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