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JBS na mira: Acusações de corrupção e pressão política sacodem setor nos EUA

 
O mercado global de carne virou campo de batalha política nos Estados Unidos. Durante o Conservative Political Action Conference (CPAC), produtores rurais subiram o tom contra a brasileira JBS e denunciaram o que chamam de “domínio excessivo” no setor.
A crítica vai além da concorrência. Rancheiros afirmam que a expansão da empresa no país teria sido impulsionada por capital ligado a esquemas de corrupção no Brasil, reacendendo discussões antigas envolvendo os empresários Joesley Batista e Wesley Batista.
O debate ocorre em um momento sensível: autoridades americanas analisam medidas antitruste e parlamentares discutem projetos para limitar a concentração no setor de proteína animal.

Mercado concentrado e renda em queda
Produtores afirmam que o mercado está praticamente nas mãos de quatro gigantes: além da JBS, estão Tyson Foods, Cargill e National Beef Packing Company.
Juntas, essas empresas controlam cerca de 85% do processamento de carne bovina nos EUA.
O impacto já é sentido no campo. Segundo relatos apresentados no evento, a renda dos pecuaristas caiu nos últimos anos, acelerando a saída de produtores da atividade.

Pressão política aumenta
A atual secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, já se reuniu com representantes do setor. Entre as principais demandas está o retorno da lei de rotulagem obrigatória da origem da carne.
Essa regra, conhecida como Mandatory Country of Origin Labeling, foi revogada em 2015. Desde então, carnes importadas podem ser misturadas à produção local e vendidas sem identificação clara ao consumidor.
Para os produtores, isso distorce o mercado e prejudica quem produz dentro dos Estados Unidos.

Investigações e histórico da empresa
A pressão sobre a JBS também tem pano de fundo jurídico. Em 2020, a Securities and Exchange Commission apresentou acusações contra os irmãos Batista por violação da lei anticorrupção americana.
O caso envolveu pagamentos indevidos para obtenção de financiamentos, com valores que chegaram a cerca de US$ 150 milhões.
Para encerrar o processo, a holding J&F Investimentos firmou acordo com o Departamento de Justiça dos EUA e pagou aproximadamente US$ 256 milhões.

O que está em jogo
O tema agora ultrapassa o setor agropecuário e entra no centro da política americana. De um lado, produtores pedem proteção e regras mais rígidas. Do outro, grandes empresas defendem o modelo atual.
O resultado dessa disputa pode redefinir não só o mercado nos EUA, mas também impactar diretamente gigantes brasileiras que atuam globalmente.

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