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GOVERNO QUER MUDAR CÁLCULO DA INFLAÇÃO PARA ESCONDER A CRISE ECONÔMICA

 Proposta defendida pelo Ministério da Fazenda gera questionamentos em meio à alta dos preços e inflação acima da meta
Enquanto milhões de brasileiros continuam sentindo os efeitos da inflação no supermercado, na conta de luz e em diversos serviços essenciais, uma declaração do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, abriu uma nova frente de debate econômico e político no país.
Durigan defendeu a revisão da metodologia utilizada para calcular a inflação oficial brasileira. Segundo ele, os indicadores atuais já não refletiriam adequadamente os hábitos de consumo da população e precisariam ser atualizados para acompanhar as transformações ocorridas na economia ao longo dos últimos anos.
A proposta, porém, encontrou resistência imediata.
Para críticos do governo Lula, a discussão surge justamente em um momento em que a inflação continua acima da meta estabelecida pelo Banco Central e o custo de vida permanece elevado para milhões de brasileiros.
Na avaliação desses setores, em vez de concentrar esforços no combate à alta dos preços, integrantes do governo passaram a questionar os instrumentos responsáveis por medir o problema.
O argumento utilizado pelo Ministério da Fazenda é que determinados itens perderam relevância na composição do orçamento familiar, enquanto novas despesas ligadas à economia digital, como plataformas de streaming, aplicativos e serviços online, ganharam espaço e deveriam ter maior peso nos índices oficiais.
Apesar da justificativa técnica apresentada pela equipe econômica, opositores enxergam a iniciativa com desconfiança.
Segundo críticos do governo, a proposta cria a impressão de que o problema estaria na forma de medir a inflação e não na inflação enfrentada diariamente pelos brasileiros.
O debate ganhou ainda mais repercussão porque não é a primeira vez que integrantes do governo sugerem mudanças em parâmetros econômicos utilizados para avaliar o desempenho da economia. Recentemente, o vice-presidente Geraldo Alckmin também mencionou modelos internacionais que desconsideram determinados componentes, como alimentos e energia, em alguns indicadores utilizados para orientar políticas monetárias.
O Ministério da Fazenda afirma que não pretende alterar a meta oficial de inflação nem reduzir a transparência dos dados econômicos. A pasta sustenta que a discussão envolve apenas uma atualização metodológica compatível com as mudanças ocorridas no padrão de consumo da população.
Ainda assim, a proposta alimentou críticas de economistas e parlamentares da oposição, que veem na iniciativa uma tentativa de suavizar a percepção sobre a inflação em um momento de forte desgaste econômico.
Para esses críticos, a população continua enfrentando exatamente os mesmos problemas: alimentos caros, energia mais cara, juros elevados e redução do poder de compra.
Por isso, a pergunta que passou a circular nos bastidores políticos e econômicos é simples:
O problema está no termômetro que mede a inflação ou na febre que continua sendo sentida pelos brasileiros todos os dias?

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