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"PCC e CV praticam terrorismo político-administrativo", afirma jurista que condenou Fernandinho Beira-Mar

 
Juiz federal aposentado defende classificação das facções como organizações terroristas e alerta para risco de avanço do crime organizado
A decisão dos Estados Unidos de classificar oficialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas continua repercutindo no Brasil. Entre os que concordam com a medida está o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira, conhecido por sua atuação no combate ao crime organizado e por ter condenado o traficante Fernandinho Beira-Mar.
Em entrevista à Revista Oeste, o magistrado afirmou que as atividades desenvolvidas pelas facções vão muito além do tráfico de drogas e de crimes considerados comuns.
Segundo Odilon, a capacidade de controlar territórios, desafiar o Estado e exercer influência sobre estruturas públicas aproxima as organizações criminosas de grupos classificados internacionalmente como terroristas.
"O PCC e o Comando Vermelho não praticam apenas crimes comuns. Eles exercem poder sobre comunidades inteiras, desafiam instituições e atuam com objetivos que ultrapassam o simples lucro criminoso", argumenta.
Para exemplificar sua posição, o jurista relembrou o caso do sequestro e assassinato de Cecília Cubas, filha do ex-presidente paraguaio Raúl Cubas. Segundo ele, a ação envolveu integrantes das Farc, do PCC e do Exército do Povo Paraguaio.
Na avaliação de Odilon, episódios desse tipo demonstram que as facções possuem características compatíveis com organizações que utilizam violência extrema para atingir objetivos políticos e de controle territorial.
"O PCC e o CV praticam terrorismo político-administrativo", declarou.
Além da classificação como grupos terroristas, o ex-magistrado defende uma atuação mais integrada entre o Brasil e os Estados Unidos no combate ao crime organizado.
Segundo ele, o compartilhamento de inteligência, informações financeiras e estratégias operacionais pode aumentar a eficácia das ações contra as facções que hoje atuam dentro e fora do território brasileiro.
O alerta de Odilon ocorre em meio ao crescimento das discussões sobre a influência das organizações criminosas em regiões estratégicas do país e sobre os desafios enfrentados pelas forças de segurança no combate ao narcotráfico.
Para o jurista, o Brasil precisa tratar o avanço dessas facções como uma questão de segurança nacional, sob risco de enfrentar um cenário cada vez mais difícil de controlar nos próximos anos.

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