O governo brasileiro elevou o tom contra os Estados Unidos após o Ministério da Saúde divulgar uma carta à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) denunciando as restrições impostas à circulação do ministro Alexandre Padilha em território americano.
De acordo com a pasta, os EUA chegaram a liberar o visto de Padilha, mas impuseram um perímetro de circulação de apenas cinco quarteirões em Nova York, impedindo o deslocamento do ministro até Washington, onde aconteceria a conferência internacional da Opas. Diante dessas restrições, Padilha optou por não comparecer aos eventos, permanecendo no Brasil para acompanhar a votação da Medida Provisória do programa Agora Tem Especialistas, considerada prioridade do governo.
Na carta enviada aos ministros de saúde dos países-membros da Opas, o Brasil classificou as restrições como “arbitrárias e autoritárias”, alegando que elas violam o direito internacional e comprometem a cooperação entre países soberanos.
“Nossa resposta a essa ofensa é: o governo brasileiro não renunciará à sua soberania sob nenhum pretexto”, diz o documento, que também cita o apoio popular às políticas de vacinação, ao SUS e ao Mais Médicos como justificativa para o posicionamento firme do país.
O governo ainda acionou o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, pedindo intervenção.
Na sexta-feira (19), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as restrições como “absurdas” e “injustas”. A situação, segundo o Itamaraty, se soma a outros episódios recentes de retaliações indiretas, como a suspensão da entrada nos EUA da esposa e da filha de Padilha devido à expiração do visto do ministro.

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