Investigações envolvendo o Banco Master indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro transferiu cerca de R$ 700 milhões em ativos da instituição para uma offshore nas Ilhas Cayman, considerado um conhecido paraíso fiscal.
As movimentações ocorreram entre janeiro e julho de 2025, justamente no período em que o banco tentava concluir uma negociação de venda para o Banco de Brasília (BRB). A operação acabou sendo vetada posteriormente pelo Banco Central do Brasil.
As informações constam em um alerta produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), segundo reportagem do jornal O Globo.
As movimentações ocorreram entre janeiro e julho de 2025, justamente no período em que o banco tentava concluir uma negociação de venda para o Banco de Brasília (BRB). A operação acabou sendo vetada posteriormente pelo Banco Central do Brasil.
As informações constam em um alerta produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), segundo reportagem do jornal O Globo.
Como ocorreram as transferências
De acordo com o relatório, as movimentações envolveram transferências de cotas de fundos de investimento ligados ao banco para uma empresa offshore controlada por Vorcaro nas Ilhas Cayman.
Entre as principais operações identificadas estão:
- R$ 85 milhões — cessão de cotas do Fundo Quíron (janeiro de 2025)
- R$ 66 milhões — transferência de cotas do Fundo Saint German (fevereiro)
- R$ 555 milhões — transferência de cotas do Fundo GSR para o Fundo Krispy (abril)
Segundo o Coaf, a offshore de Vorcaro aparece como cotista do fundo Krispy, o que indicaria que parte relevante dos recursos foi direcionada para fora do Brasil.
Offshore virou alvo do Banco Central
A empresa usada nas operações foi identificada como Master Holding, que posteriormente passou a se chamar Titan Holding.
A estrutura funciona como uma holding patrimonial ligada ao empresário, utilizada para concentrar ativos pessoais.
Esse tipo de empresa costuma reunir bens como:
- imóveis de alto padrão
- aeronaves
- veículos de luxo
- participações societárias
Diante das suspeitas, o Banco Central determinou a indisponibilidade dos bens da offshore, indicando que a empresa também possuía ligação com a estrutura de controle do banco.
Suspeita de blindagem patrimonial
Investigadores avaliam que as transferências podem indicar uma tentativa de blindagem patrimonial, com deslocamento de ativos para fora do país em um momento em que o banco enfrentava dificuldades financeiras.
Na época das movimentações, o Banco Central já havia identificado problemas de liquidez e irregularidades contábeis nas operações do Banco Master, situação que acabou impedindo a conclusão da venda ao BRB.
Defesa não comentou
Procurada para comentar as suspeitas levantadas pelas investigações, a defesa de Daniel Vorcaro informou que não irá se manifestar sobre o caso no momento.
O episódio representa mais um capítulo das apurações que envolvem o Banco Master e que vêm provocando repercussão no sistema financeiro e no cenário político em Brasília.

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