O balanço das estatais federais no governo Lula 3 acendeu um sinal de alerta no setor público. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Gestão e Inovação (MGI), 12 das 44 empresas estatais controladas diretamente pela União fecharam 2024 no vermelho. No topo da lista está a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, que registrou um prejuízo de R$ 2,6 bilhões.
Segundo o governo, embora o déficit primário tenha aumentado, o número não reflete por completo a “situação real” das companhias. Ainda assim, os números representam uma reversão expressiva em relação ao cenário positivo registrado entre 2018 e 2022.
Correios lideram prejuízos bilionários
Os Correios enfrentam uma crise financeira profunda, que levou a estatal a propor um plano de reestruturação e a solicitar um empréstimo de R$ 20 bilhões para equilibrar as contas. Emmanoel Rondon, presidente da estatal, reconheceu que a empresa perdeu espaço para a concorrência privada e demorou a se modernizar.
“Apenas companhias que ganharem eficiência terão condições de voltar ao lucro”, declarou Rondon.
A secretária de Coordenação e Governança das Estatais, Elisa Leonel, destacou que a situação da estatal exige acompanhamento direto do governo. A empresa sofreu perdas significativas de contratos e investimentos enquanto integrava o Plano Nacional de Desestatização.
Outras estatais no vermelho
Além dos Correios, outras empresas também apresentaram prejuízos relevantes:
- CBTU — R$ 1,1 bilhão de déficit;
- Embrapa — R$ 375 milhões negativos;
- Infraero — R$ 229 milhões negativos;
- Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) — R$ 132 milhões negativos.
Segundo dados do Banco Central, logo após a posse de Lula, as estatais voltaram a registrar prejuízo. No último ano de Michel Temer e ao longo dos quatro anos de Jair Bolsonaro, o conjunto das empresas públicas foi superavitário, revertendo agora a tendência para o vermelho.
O que está em jogo
A recuperação das estatais se tornou um desafio estratégico para o governo. Além do impacto fiscal, essas empresas têm forte peso político e social — especialmente no caso dos Correios, que atuam em regiões onde empresas privadas não chegam.
O governo estuda formas de capitalização e modernização, mas enfrenta resistência de setores internos à ideia de privatizações ou parcerias com a iniciativa privada.
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