O preço da gasolina vendida no Brasil voltou a ficar acima da paridade internacional, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (10) pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). O estudo mostra que, sob o governo Lula 3, o valor do combustível está 8% superior ao preço de paridade de importação (PPI) — uma diferença de R$ 0,23 por litro, em média.
Na semana passada, a defasagem chegou a 10%, mas recuou levemente por conta da queda nas cotações internacionais e da estabilidade do câmbio, que fechou a R$ 5,35 por dólar. Mesmo assim, a gasolina brasileira continua mais cara do que no mercado externo.
“As janelas de importação estão abertas há 39 dias, o que significa que importar gasolina continua mais vantajoso do que comprá-la internamente”, informou a Abicom.
Mudança na política de preços
Desde 2023, a Petrobras abandonou o alinhamento automático ao mercado internacional, adotando uma nova política de preços que leva em conta custos internos de produção e logística — o chamado processo de “abrasileiramento” dos preços.
A decisão foi defendida pelo governo Lula como forma de proteger o consumidor da volatilidade externa, mas gerou forte reação de importadores e investidores privados.
Para a Abicom, a nova política desestimula a concorrência e cria insegurança para investimentos no setor de combustíveis no Brasil.
Impacto no bolso e no mercado
A defasagem elevada pressiona o mercado importador, que perde competitividade, e pode manter os preços nas bombas em patamares elevados para os consumidores. Especialistas alertam que, se o câmbio subir ou o preço do barril aumentar, o custo interno poderá subir ainda mais — ou gerar um rombo para a Petrobras se os preços permanecerem congelados.
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