A manhã deste sábado (22) se tornou um divisor de águas para as Forças Armadas. A prisão de um oficial do Exército, determinada por um tribunal formado majoritariamente por indicados políticos, desencadeou indignação entre militares da ativa e da reserva. Mas nada chamou tanto atenção quanto o silêncio completo da cúpula do exército, classificado internamente como o mais constrangedor e desonroso dos últimos anos do exército.
Esse desconforto vem de longe. No Distrito Federal, policiais militares e bombeiros ainda não aceitaram a prisão de comandantes responsabilizados pelos atos de 8 de janeiro, mesmo estando de férias no período. Para muitos, decisões judiciais recentes parecem extrapolar limites e enfraquecer a autoridade das instituições militares.
Nos bastidores, o clima é de irritação crescente. Suboficiais e praças relatam sensação de abandono, acreditam estar sendo usados como alvo político e descrevem o ambiente com a expressão que circula entre eles: “o pavio está aceso”. A tropa estaria inquieta, indignada e sem respostas da alta hierarquia.
Ressentimentos antigos também ressurgiram. Um grupo de militares do DF que atuou na segurança de Jair Bolsonaro em Taguatinga, nas eleições de 2018, um dia antes do atentado em Juiz de Fora, avalia que os acontecimentos recentes demonstram que “nada está desconectado” e que a politização do sistema de Justiça se intensificou nos últimos anos.
Embora não haja movimento oficial, o que se percebe internamente é uma ebulição silenciosa. Parte da base fala em “colocar a farda em jogo pelo país”. Outros temem que a crise corroa, de forma irreversível, a identidade e o papel das Forças Armadas.
O episódio expõe um Exército dividido entre a disciplina que exige silêncio e a indignação que pede reação — uma crise moral e institucional que muitos consideram a mais profunda das últimas décadas.


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