A manifestação organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que reuniu milhares de pessoas em Brasília no dia 25 de janeiro, acendeu um sinal de alerta no Palácio do Planalto. Apesar do esforço público de aliados para minimizar o impacto do ato, nos bastidores do governo Lula a avaliação é outra: a direita voltou a mostrar força nas ruas.
Integrantes do governo e do PT enxergam o evento como um possível ponto de virada na reorganização do campo conservador, com potencial de influenciar diretamente o cenário eleitoral de 2026. O que mais chamou atenção foi a capacidade de mobilização mesmo sem a presença direta de Jair Bolsonaro, indicando que o bolsonarismo segue vivo e ativo.
Estratégia para conter a narrativa da oposição
Diante do impacto político do ato, o governo decidiu reagir rapidamente. A orientação interna é adotar uma estratégia conhecida como “retenção da atenção”, voltada a manter o foco da população nas ações do Executivo e impedir que a oposição domine a agenda pública.
A leitura no núcleo político do Planalto é clara: não é mais possível ceder espaço nas ruas nem na narrativa. Por isso, Lula deve intensificar viagens pelo país, inaugurações de obras e anúncios com apelo direto à população.
Entre as pautas consideradas estratégicas estão a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o debate sobre o fim da jornada de trabalho 6×1, temas avaliados como capazes de dialogar com o eleitor médio.
Comunicação mais ofensiva
Além das ações práticas, a comunicação do governo será ajustada. A ideia é ampliar a exposição de Lula em eventos simbólicos e reforçar entregas nas áreas de saúde, educação e segurança, setores considerados decisivos para recuperar apoio popular.
Auxiliares próximos ao presidente defendem que o governo deixe a postura defensiva e passe a disputar ativamente o espaço político e midiático, antecipando movimentos da oposição em vez de apenas reagir.
Monitoramento da direita
O Planalto também pretende intensificar o monitoramento de atos públicos, eventos e tendências nas redes sociais que indiquem crescimento da mobilização conservadora. O receio é que manifestações como a liderada por Nikolas funcionem como catalisadoras para fortalecer nomes da direita já em articulação pré-eleitoral, como Flávio Bolsonaro e outras lideranças bolsonaristas.
Mesmo setores mais moderados do governo admitem que a direita mantém uma base fiel e engajada, especialmente entre jovens, evangélicos e eleitores do centro-sul do país. A avaliação interna é de que subestimar esse movimento pode custar caro politicamente.
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